sexta-feira, janeiro 16

Nomes (resgate)

 

Amigo Júlio me deu sem querer um alerta, isso foi lá no ano de 2016; nomes. Achei por bem relembrar pois começo de ano é tempo dessas coisas. 

Todo cuidado é pouco na hora de escolher nome de filhos. A tentativa de ser criativo, homenagear artistas principalmente, pode gerar constrangimentos e até bullying futuramente.

Encontrei alguns tantos, mostro poucos Maiquel Edy Marfy, Patrick Itambé da Silva, Erripóter, Romixinaide, João Lenão, Milquesheiqueson. A lista é imensa se pesquisar bem enche jornal.

Poderiam ter me batizado João, meu filho assim foi, segue composto em Lucas, iluminado João Lucas. Ah João Batista, João de Barro. Tantos Joões. Poderia ser José nome que por si só transmuta, vira Zé e não tem quem tire. Zé das Couves, verdureiro, gente do povo. Talvez Maria, vidente ou das Graças, Aparecida, de Fátima, das Dores, horrores. Da Penha. Maria da Luzes, Maria. Tantas uma só. Maria Cristina, ou apenas Cristina, Tina, Cri como o cantar dos grilos.

Com sorte poderia ser Mariana como minha filha, nome forte.

Poderiam ter me  dado por nome Pedro, a pedra, bruta pronta a lapidar. Mas dei sorte pois poderiam ter me agraciado com nomes vários e diferentes : Dosolina, Piroca, Tazinasso, Elvis Presley Da Silva Eraldonclóbes Souza, Espere Em Deus Mateus, Benedito Camurça Aveludado ou quem sabe Maycom Géquiçom ou Franklestan? Djennypher estaria de bom tamanho?

Sendo filho de pai do Brooklyn NY, não posso reclamar e na verdade adoro meu nome e já o encontrei abrasileirado para Uilhan, E há tempos guardo grafias do mesmo:

Uiliam ,Wilian, Wilha, Uilen, com dois "Ls e M com é, raramente. O sobrenome então dá zica sempre, Stutz é um arraso, só soletrando ou mostrando documento. — Por gentileza pode copiar? O que mais gosto das variações vem das gentes simples a me chamaram de Seo Uila. Cheiro de mato, sobro de vento de sonoridade e pureza de alma. Me sinto figura de Rosa, o Guimarães. Orgulho que só.

Nomes marcam época, modismo. Os anos 60, com o belo movimento de contracultura dos anos chamados hippies fizeram brotar nomes como Brisa, Estrela, Mel, Flor, Sol, Dilan, Demian, Iris, Jasmim. Estes sempre soam bem e trazem vibrações de paz e amor.

Já outros, do gracejo ao trauma a distância é pequena como beiço de pulga . Mas fique tranquilo, se não gosta de seu nome, muda é só ir ao cartório. Tenho uma amiga que detestava seu nome chamava-se Mari Onete, não teve dúvidas mudou para Títere dos fios. Está feliz da vida andando com as próprias pernas, bom, pelo menos ela acha que sim.

Mas caso diferente ouvi contado de moço que chegou para tirar carteira de identidade. perguntas de sempre. Endereço, estado civil ou militar, deu-se a pedir nome completo. — Papaulo Persegonha

Comé que é ? estranhou o funcionário da delegacia.

— Papaulo Persegonha, repetiu com cara de poucos amigos e conhecedor do estranhamento.

Meu caro, você é por acaso é gago?

Não se senhor, mas meu pai era e o escrivão um tremendo de um gozador.

Pois então amigo Júlio, disse bem, com propriedade, nome de gringo, mas alma e espírito de total brasilidade, matuto desconfiado de Minas, sem ufanismo, olho observando. Aprovando o que acho bom sem mais julgar o errado ao meu olhar. Aprendi, contei, reconto, com João meu filho.

Ficamos assim sem muito mais. Se seu nome é Bond, James Bond, o meu bem pode ser Well, Manoel, reza a troça.

Cada um com sua sina.


William H Stutz 

Escritor e Veterinário