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sexta-feira, dezembro 11

Parágrafo terceiro


Chegamos pois para as festas e não havia como prever se iriam ou não refazer nosso contrato de professor lá em Iturama, São Sebastião era distrito deles. Hoje pertence a Carneirinhos, todas as estradas estão asfaltadas, tem ponte ligando a Paranaíba. A balsa aposentou. Não pesco um tucunaré por lá há anos.

O governo municipal tinha acabado de mudar. Não tínhamos a menor ideia de quem era o prefeito vencedor. Era o quanto estávamos distantes de Uberlândia. Revistas e jornais só líamos as que o Gomes da Livraria Pró Século nos enviava por ônibus. Revistas sem capa pois delas necessitava para devolver à editora.
Os Jornais em média vinham com duas a três semanas de atraso. Devorávamos tudo com uma fome de informação insaciável.

O secretário de saúde empossado à época já me era conhecido em razão de um parentesco (dele) com antigo namorico adolescente (meu) de Belo Horizonte de onde vim para aqui Medicina Veterinária estudar na então UnU poucos meses federalizou e virou UFU.

Aquele, "gentilmente" me "convidou" a aqui ficar e contribuir na implantação e estruturação da nova Secretaria de Saúde.

Paira uma dúvida envolta em neblina de memória seletiva, não sei mais se convidado fui ou se na busca por sobrevivência e volta a terra, pedi trabalho. Só sei que de um modo ou de outro paguei com juros e correção o favor.

Trabalhamos como escravos e ainda tinha um que dar amém no fim do dia/noite como se favor fosse.
Maravilha, juventude, pobre de mim, pobre de nós - né Venturi e Marcinho!?

quinta-feira, dezembro 10

A história

Parágrafo segundo

Voltamos para Uberlândia de lugar que na época era considerado o fim do mundo para a maioria das pessoas. Viemos a princípio apenas para as festas de fim de ano.

São Sebastião do Pontal, nosso pequeno paraíso fincado quase na divisa com o Mato Grosso tinha ficado para trás envolto em nuvem de poeira e mais adiante depois de grossa porém breve chuva já perto de Monte Alto, hoje Alexandrita, brotavam do nada intransponíveis atoleiros de terra massapé. Mas esta é outra prosa que já comecei a contar em outro trecho.

Psicóloga e Veterinário. Éramos lá professores de pequena escola rural e pronto. Se hoje falamos em crise, é por que poucos se lembram daquele ano, do ano anterior e dos que ainda estavam por vir.

quarta-feira, dezembro 9

O melhor dos mundos

Memories

"... as coisas não podem ser de outro modo: pois, como tudo foi criado para uma finalidade, tudo está necessariamente destinado à melhor finalidade.”
Cândido ou o otimista

Voltaire
Comecei a escrever minha autobiografia não autorizada, vertente profissional, saúde pública. Começa em lá, num remoto início dos 80. Narrativa na primeira pessoa.
Vamos ver no que dá. Boa sorte e coragem para mim. Pois se vai agradar a alguns, outros vão ficar P da vida. Conto história acontecida, não invento nada, “duela a quien duela”. Mas calma, não é uma ameaça, é uma promessa

Parágrafo primeiro:
Não muito longe de completar 30 anos de atuação como servidor público, me sinto impulsionado a escrever este relato. Não espero que o mesmo jamais seja publicado em jornal local ou ao menos lido por alguns motivos básicos. Em primeiro lugar: a quem interessaria a saga de um servidor municipal? Em segundo, é certo que ao final dessa historia o texto terá indubitavelmente mais 3400 caracteres com espaço, portanto inadequado para o espaço que gentilmente o Jornal reserva aos leitores.