segunda-feira, novembro 24

Premio Dardos

Recebi da amiga Vera Vilela. A condição para usar o selo é a indicação de blogs que você gosta.
Os meus indicados estão Outras Viagens ai ao lado.
Obrigadão pelo carinho Vera!

Infelicidade, TV e pescaria

Estudo recente realizado pela Universidade de Maryland, EUA, comprova que pessoas infelizes ficam mais tempo à frente da televisão. Quem sou eu para duvidar de pesquisas sérias e com base científica? Mas constatações dessa natureza me levam sempre a um devaneio.

Os tempos atuais, que daqui a pouco já serão versão beta, mudaram radicalmente nosso comportamento. Calma, sei, eu não disse nada de novo. Os perigos mudaram de endereço. Saíram dos quintais e das ruas pacatas de outrora, onde o maior risco era uma queda de muro ou de uma árvore, uma briguinha por causa de um jogo de bete ou pique bandeira, no meu caso, um tombo de carrinho de rolimã nas ladeiras ainda seguras de uma Belo Horizonte que, drumonianamente, virou retrato na parede e, estão agora vivendo lado a lado conosco em nossas casas. O mundo virtual transformou-se em campo minado, com grande poder de fogo, ameaça para nossos filhos, atraindo-os para armadilhas por vezes fatais. Paradoxalmente desenvolvemos diariamente mecanismos para patrulhar um mundo autorizado a entrar sem cerimônia em nossas alcovas.

Até o então inocente telefone virou arma de crime, e não estou me referindo às agressões cinematográficas com aqueles aparelhos pretos enormes não, falo de golpes variados praticados com o uso da invenção de Graham Bell. O isolamento familiar aumenta a olhos vistos. Raras as famílias que podem desfrutar de um almoço de domingo juntas. Não que todos não estejam em casa, mas um está no computador, outro, esse deve ser o mais infeliz, vendo televisão.

A prosa doméstica vem diminuindo. Se o filho quer falar com o pai, que mande um e-mail, ou que o adicione ao MSN. Viu as fotos de meu filho? Não? Estão no Orkut. O garoto está crescendo sô, tem tempo que não o vejo off line.

Até boletim escolar é virtual e pais só têm acesso se tiverem a senha. Se tiver nota vermelha fica uma semana sem computador ou sem ver televisão. Isso é que é castigo severo. Realmente as janelinhas de plasma, ficam mais tempo abertas do que as da casa, e o sol, a vida de verdade, presos do lado de fora. Também, quem liga?
Levantar da cama e correr para o quintal é coisa do passado na maioria das residências.

Abrir as cortinas, deixar os sonhos ou pesadelos saírem e se dissiparem à luz do dia está cada vez mais difícil. Cá pra nós, tem coisa mais estranha do que levantar e ficar de pijama até a hora do almoço? E luz acesa de dia? Mas voltemos à televisão como indicador de infelicidade e por tabela da falta de prosa doméstica. Outro dia um amigo me contou história que demonstra que os tempos modernos estão contaminando até nós mineiros de alma simples e caipira. O caso:

Dois compadres estão na barra do rio Tijuco pescando, bebendo uma cervejinha gelada e observando com atenção a bóia, quando um deles diz:
- Tonho, vou me separar da minha mulher. Já faz três meses que ela num fala comigo.
O outro, após refletir por alguns momentos, lhe diz:
- Pensa bem Zé, hoje em dia é muito difícil achar uma mulher assim, com essas qualidades...

Quanta tristeza. Estes dois devem ver televisão demais da conta.

Resta ainda uma dúvida a ser esclarecida pela tal pesquisa: se a felicidade leva as pessoas a ver menos TV, ou se o tempo em frente à TV leva à infelicidade.
Portanto, amigos, há esperança.







Novembro- 2008

No Jornal Correio AQUI

História das Coisas

Aproveitando o gancho do "Verde que te quero ver" apresentamos a História das Coisas

Veja, divulgue, mude!

História das Coisas, versão brasileira do documentário The Story of Stuff, de Annie Leonard:

O que é História das Coisas ?
Da extração e produção até a venda, consumo e descarte, todos os produtos em nossa vida afetam comunidades em diversos países, a maior parte delas longe de nossos olhos.

História das Coisas é um documentário de 20 minutos, direto, passo a passo, baseado nos subterrâneos de nossos padrões de consumo.

História das Coisas revela as conexões entre diversos problemas ambientais e sociais, e é um alerta pela urgência em criarmos um mundo mais sustentável e justo.

História das Coisas nos ensina muita coisa, nos faz rir, e pode mudar para sempre a forma como vemos os produtos que consumimos em nossas vidas.



sexta-feira, novembro 21

Relacionamentos

Dra. Tânia Helena Alvares convida


Clique no cartaz para ampliá-lo

quinta-feira, novembro 20

Na mosca


"Existem dois tipos de pessoas que dizem a verdade: as crianças e os loucos. Os loucos são internados em hospícios. As crianças, educadas."

Jean Paul Sartre (?)

quarta-feira, novembro 19

Ainda o café

(Para Luiz Antônio)

Todo o entorno do terreiro de café é mata e pasto sombreado, um encanto para todos os sentidos, a pele respira verde e o ar é de um amargo/doce indescritível.
Os cheiros se misturam como em receita de Vó: uma pitada disso, um punhado daquilo, um tanto e pronto, o mais nobre sabor da simplicidade.

Verde devaneio

sexta-feira, novembro 14

Bate

Bate chuva em terreiro de café
Cheiro de terra molhada e munha.
Abre o apetite, solta a preguiça.
Olhos pesados em bocejos.
Eu quero uma rede.

w h stutz/novembro 2008

(quer ver o que vi? Quer sentir o doce perfume? Clica na foto, ela amplia)

Sabiá



Sabiá de Clara Clarice (en)cantando.
Gato mia sabiá remeda como pode.
Sanhaço também deu o ar da graça, fez primeira.

Imponentemente tristonho sabiá prossegue, persegue.
Sinfonia urbana, louvor à vida, é época de procriar.

Dizem as crianças aqui nas Minas:
Você sabia que o Sabiá sabia assobiar?

quarta-feira, novembro 12

Sem pieguice

"para rimar utilidade"


"Caminhoso em meu pântano,
dou num taquaral de pássaros
Um homem que estudava formigas e tendia para pedras,
me disse no ÚLTIMO DOMICÍLIO
CONHECIDO: Só me preocupo com as coisas
Inúteis
Sua língua era um depósito de sombras retorcidas, com
versos cobertos de hera e sarjetas que abriam asas
sobre nós
O homem estava parado mil anos nesse lugar sem
orelhas."

(Manuel de Barros)

King of the Hill

Líder do bando.
Fez barulhão quando cheguei perto. Avisou todo mundo.
Fotografei ontem depois do pé d'água.

Prorrogação de inscrições

segunda-feira, novembro 10

Chuva


Vento forte ontem à noite. O calor do dia foi aviso, assim como o alvoroço de centenas de andorinhas num céu de doer de tão azul. Fazendo verão?
Vento soprou do norte. Luz apagou e levou mais de hora para voltar. Gosto do escuro, do vento e da forte chuva que no repente desabou. Curtinha, durou quase nada. A Invernada em plena primavera não deve demorar. Tomara.

domingo, novembro 9

Seven boys

A propaganda nua e crua



Garimpado em Desenblogue, o desencannes soltando a franga

sexta-feira, novembro 7

Tributo a Obama

Yes we can!

"Sim, podemos” para a justiça e a igualidade. “Sim, podemos” para a oportunidade e a prosperidade. “Sim, podemos” curar esta nação. “Sim, podemos” consertar este mundo.
[Fragmentos do discurso de Barack Houssein Obama]



Quando foi a última vez que você viu um trazer esperança a tantos?
Esse cara pode mudar o mundo para melhor se quiser. Que as luzes do Altíssimo o iluminem. O planeta pode ter ai sua última chance. Apesar do tal America for americans, não custa sonhar, quem viver, verá.

Quênia


Israel


Indonésia


Japão


Londres


Nova Deli


Paris


Pequim


Fotos:

quinta-feira, novembro 6

Micos

Sumidos por uns tempos, os micos voltaram e trouxeram o resto da família. Eram apenas dois. Ontem contei 8, duas das fêmeas estavam carregando filhotes nas costas, contando os pequenos, o bando agora é de 12.

O percurso aos pulos:
De um oiti para moita de areca, de lá para o telhado, seguiram em fila indiana - aqui faltou a máquina fotográfica, a foto abaixo é de meu arquivo - para a jabuticabeira depois amexeira, salto para o urucum, cruzaram maninha-de-porta, esta uma prima da paineira, aos gritos e pinotes cortaram por entre as goaibeiras e limões china.
Cruzaram pasto pelo chão até centenária mama-cadela, correram para um ipê, depois brigaram na copa de uma cariota, resmungaram nas sete-de-copas e, finalmente em meu gigante jambolão ficaram em algazarra até o anoitecer.

quarta-feira, novembro 5

Receita visual

Purê de cabotia ou cambutia você escolhe, com carne de sol de Montes Claros e requeijão. Isso foi domingo passado, agora aqui coloco. É bom demais da conta!






terça-feira, novembro 4

Bombas cluster




Tratado Cidadão

As bombas cluster causam previsíveis e inaceitáveis prejuízos aos civis tanto no momento de sua utilização e por muitos anos depois.
Tenho a forte convicção de que essas armas são moralmente inaceitáveis.
Apóio plenamente o novo tratado internacional de proibição do uso, armazenamento, transferência e produção das bombas cluster.
Através de suas assinaturas e ratificação deste tratado, os governos se comprometerão juridicamente não só à proibição das bombas cluster, mas também a limpar terrenos contaminados e prover assistência para as vítimas e comunidades afetadas.
Através da minha assinatura no Tratado Cidadão, eu me comprometo em trabalhar para garantir que os governos vivam de acordo com as suas obrigações.

Mines Action Canada

Clique aqui e assine o tratado/manifesto clicando abaixo:
The People's Treaty

sexta-feira, outubro 31

Patrulha lingüística

Sei que muitas vezes águas passadas não movem a azenha. Mas não raro me pego bovinamente, e isso nada tem a ver com as esculturas das vaquinhas da versão cerrado da CowParede a ruminar artigos e comentários pelos quais fiz atenta leitura.

Em certeiro comentário, o leitor André Garcia Cunha cunhou — o jogo de palavras com o seu sobrenome foi involuntário, juro — o texto Patrulhamento ideológico (CORREIO de Uberlândia, Opinião do leitor, 25/10/2008), onde, com muita propriedade, rebate outro leitor que havia criticado o jornalista Ivan Santos, pelo uso da expressão “fumam qualquer cachimbo”. Apologia ao tabaco segundo aquele.

Intróito difícil esse. Acho que me situei. O mundo das diferenças, do livre pensar. Partindo dessa premissa muita coisa teria que ser mudada. Começando pelo nosso Saci Pererê. Ala de fumantes na mata para poder continuar a existir no imaginário popular. Afinal saci sem cachimbo e brincando com a brasa não é saci que se preze. Contar história dele então pode mais não, politicamente incorreto. Alguém pode evocar o Estatuto da Criança e do Adolescente, por induzir inocentes ao uso do cachimbo. Saci desempregado tomou rasteira.

Expressões como “está no pau da goiaba” jamais poderiam ser mencionadas, pois teria conotação ofensiva para alguns.
Cuidado com “nem que a vaca tussa”, pois pode gerar problemas de ordem sanitária.
“Comprar gato por lebre”, loucura, nem pensar. Dá Procon, sem contar a bronca com o Ibama por suspeita de comercialização de animais silvestres. É cana certa. Atenção patrulha: cana aqui é cadeia, viu, não é a planta, entenderam?
Quer ser tachado de criminoso ambiental? Se atreva a escrever algo tipo assim “matar dois coelhos com uma cajadada”! “Devagar com o andor que o santo é de barro”. Graves problemas religiosos à vista. Quer comprar briga maior? Então, arrisque usar a expressão “será que joguei pedra na cruz?”. Para meia dúzia, após tribunal inquisitório, no mínimo a “purificadora” fogueira.

“É tarde, Inês é morta” pode dar escuta telefônica e campana policial: suspeita de crime hediondo.
Outras frases podem, se alguém assim interpretar, gerar (in)conseqüências se levadas ao “pé da letra”. Pronto, essa também passou despercebida. “Fazer vaquinha”, “pensando na morte da bezerra”, “rasgar seda”, “enfiou o pé na jaca”, “quem não tem cão, caça com gato” e muitos outros ditados e expressões populares podem ficar na mira do patrulhamento “sem pé nem cabeça”. Essa aí escapou! O escrever torna-se tortuosa e cansativa tarefa, o ler insuportavelmente aborrecido.
A prevalecer este tipo de interpretações tão literais, nem fábrica de macarrão de letrinha vai escapar do crivo das neuras. E nós, mesmo aqui no cerrado tão longe do mar, ficaríamos “a ver navios”, cuidando para “não dourar a pílula” e sermos acusado de apologia às drogas, dando nosso “voto de Minerva” com medo de estar vendendo sabão em pó.

Enfim, o canto do cisne será mudo e ecologicamente incorreto.
Nossa língua pátria ficaria sem eira nem beira, e para fugir das rondas da censura, só apelando para o Millôr, pois a “vaca foi para o brejo’, Perdão: “the cow went to the swamp”.

Espera aí. Pensando bem, melhor mesmo é jamais “entregar a rapadura” e “rodar a baiana” contra todo tipo de patrulhamento chato. Ou não?



No Jornal Correio AQUI

quinta-feira, outubro 30

Agora eu vi!

MPF vai à Justiça para que cervejarias indenizem a população por danos à saúde
Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil



Brasília - Uma ação civil pública ajuizada hoje (28) pelo Ministério Público Federal (MPF) em São José dos Campos (SP) contra as empresas de cervejaria Ambev, Schincariol e Femsa pediu indenização pelo aumento dos danos causados pelo consumo de cerveja e chopp.

O pedido de indenização pelo crescimento dos danos causados pelo consumo de bebida alcoólica é estimado na ação em cerca de R$ 2,8 bilhões. A indenização foi calculada com base em gastos federais no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e despesas previdenciárias, em razão de doenças ou lesões diretamente relacionadas com o consumo de álcool.

As bases que sustentam a ação são apurações do próprio MPF, somadas a pesquisas e textos científicos nacionais e estrangeiros. Dados da Unifesp e do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), por exemplo, revelam que o consumo de álcool é responsável por mais de 10% de doenças e mortes no país, provoca 60% dos acidentes de trânsito e leva 65% dos estudantes de 1º e 2º graus à ingestão precoce.

Segundo o procurador da República Fernando Lacerda Dias, as três empresas acionadas respondem por 90% do mercado cervejeiro nacional, com quase R$ 1 bilhão investido em publicidade, segundo dados de 2007. Há pesquisas que apontam a forte influência publicitária, por exemplo, na maioria dos adolescentes.

“Essas ações agressivas de publicidade refletem diretamente no aumento do consumo de álcool pela sociedade e na precocidade do consumo. Os jovens começam a beber cada vez mais e mais cedo”, criticou Dias. Para o MPF, as empresas devem ser condenadas a investir em prevenção e tratamento dos malefícios do consumo de álcool o mesmo valor pago em publicidade de cerveja e chopp.

Procuradores sustentam que, enquanto o SUS gastou, entre 2002 e 2006, aproximadamente R$ 37 milhões com tratamento de dependentes de álcool (e outras drogas) em unidades extra-hospitalares e mais R$ 4 milhões com internações, a indústria de cervejas no Brasil gasta mais de R$ 700 milhões por ano em publicidade.


Fonte: Agência Brasil