terça-feira, fevereiro 15

Van Gogh

Como Van Gogh perdeu o brilho

Cientistas descobrem reação química responsável pela deterioração de algumas das grandes obras artísticas da história, como a série 'Os girassóis'

Leia aqui

segunda-feira, fevereiro 14

Prosas de domingo

Então Bia assim me disse: Goethe respondeu quando estranharam sua
diposição para brigar por aquilo em que acreditava bela
alternativa:

"Querias, por acaso,
...Que eu odiasse a vida
E fosse para o deserto
Porque nem todos os sonhos
Em flor deram certo?"
...
KONDER, Leandro. Sobre o amor. São
Paulo: Boitempo, 2007).

Poetas del Mundo

"A poesia como instrumento de Paz"



Saiba + clique aqui

domingo, fevereiro 13

8 armas espirituais

Recebi do Ir.'. Murilo, compartilho

“Dentro de você há 8 armas espirituais. Conforme a situação, escolha a arma apropriada e use-a no momento certo. Experimente e veja como seus limites se ampliam.

(1) Interiorizar-se: busque o que você é realmente, não se perca no que você não é.

(2) Desprender-se: sinta que o passado é uma mochila pesada e desconfortável, solte-a.

(3) Tolerar: deixe de lutar contra o vento e passe a amá-lo.

(4) Ajustar-se: veja que a vida é elástica e seja elástico também.

(5) Discernir: escute sua consciência e entenda que tudo que vem é para o seu bem.

(6) Julgar: seja juiz de si e advogado dos outros, não o contrário.

(7) Enfrentar: faça as coisas pelas quais tem medo e o medo desaparecerá.

(8) Cooperar: trabalhe com outros e transforme o difícil em fácil.”

(autor desconhecido)

quinta-feira, fevereiro 10

Vida dura



"Que vida, que duro. De dia casco claro, de noite casco escuro"
Pena que acabou rápido demais.






segunda-feira, fevereiro 7

Carta a frei Betto

Republico

Prezado frei Betto

sei que não devia usar texto seu, aliás texto algum, sem autorização prévia. Mas fala sério, como te reencontrar para pedir permissão?
Desde os tempos da rua Gonçalves Dias com Ceará, pertinho da praça da ABC, lá em Belo Horizonte que não te vejo!

Lembra das prosas gostosas de Seu Aristides seu tio avô? As histórias que nos contava sobre as expedições pelas matas do Acre nos idos, e como idos anos de 1919-1920?

Lembra do enorme quintal, das jabuticabeiras, do bananal, da horta gigantesca? Lembra do galo que corria atrás da gente, esporas em riste, por ciúmes de seu harém galináceo?

Você era bem mais velho do que a gente, nada contra os mais velhos que fique bem entendido apenas uma constatação biográfica, chamemos assim, para situar algum leitor mais desavisado.

Admirávamos seu jeito de falar e, sempre que estava por perto nós, crianças, nos calávamos atentos.
O tempo, sempre ele, se encarrega de aproximar as idades e estreitar laços e convívio.
Explico: dá para imaginar um jovem de vinte anos proseando, discutindo Kant ou Nietzsche de igual para igual com um menino de dez? Difícil. Porém esta mesma pessoa aos quarenta nem percebe que o outro agora tem trinta.
Pois é o tempo nivela, democratiza as relações humanas. Até os amores e as paixões.

Tenho muita vontade de voltar a te encontrar, com certeza iremos discordar de muitas coisas, comungar da mesma opinião outras tantas vezes vezes, mas o que importa é que mesmo nas diferenças, mesmo que pequenas, sempre existirá o mesmo respeito a admiração que havia quando a criança erguia alto os olhos para enxergar os seus.

Fica aqui um sincero e saudoso abraço frei Betto, quem sabe este mesmo tempo que nos aparta das gentes, um dia nos surpreende e nos aproxima novamente?
Continua a ser o que é, sempre.
Publico seu texto, se por acaso aqui o encontrar e não gostar, me avisa, tiro na hora.
Todo meu respeito e admiração

William h. Stutz



INDAGAÇÕES A BENTO XVI
por Frei Betto


Vossa Santidade ressuscitou o que o Concílio Vaticano II havia enterrado: a missa em latim. Uma exigência de monsenhor Lefebvre, arcebispo francês excomungado em 1988 por se recusar a aceitar as inovações conciliares.

Criança, assisti a muitas missas em latim, com o celebrante de costas para os fiéis, segundo o rito tridentino de meu confrade, o papa Pio V, que foi dominicano. Por que permitir a volta do latim? Quantos fiéis dominam este idioma? Jesus não falava latim. Falava aramaico. Talvez um pouco de hebraico. E por viver numa região dominada por Roma, com certeza conhecia alguns vocábulos latinos, como a saudação romana Ave, que se introduziu na oração mais popular do catolicismo, a Ave Maria.

Assim como o grego universalizou-se pelo Mediterrâneo graças às campanhas de Alexandre, o latim estendeu-se na proporção das conquistas do Império Romano. Por esta lógica, não seria mais adequado adotar, hoje, o inglês? Ora, a grande maioria dos fiéis católicos encontra-se, hoje, na América Latina. E não entende grego, latim ou inglês. Exceto poucas palavras, como paróquia, pedra e futebol. Não é bom que participem da missa em língua vernácula?

Considerado o empenho de inculturação da Igreja, não é contraditório voltar o latim à missa? Tenho um amigo, ateu até a medula, que adora freqüentar missas em latim. Para ele, a liturgia reduz-se a um espetáculo. É uma questão de estética, não a ponte comunitária entre o nosso coração sedento e o Transcendente.

Inquieta-me a sua afirmação de que é "uma praga" casar pela segunda vez e proibir os católicos que o fazem de acesso à eucaristia. Os evangelhos revelam que Jesus comungou com pessoas que, vistas de hoje, andavam distantes da moral vaticana. Ele defendeu uma mulher adúltera prestes a ser apedrejada pelos moralistas da época. Curou o fluxo de sangue de uma mulher fenícia sem, antes, exigir dela adesão à fé que ele propagava. Curou também o servo do centurião romano sem primeiro impor-lhe a condição de repudiar a seus deuses pagãos. Jesus fez o bem sem olhar a quem.

Tenho amigos e amigas que contraíram segundas núpcias. Todos por razões muito sérias, que seriam melhor entendidas por padres e bispos se eles, como na Igreja primitiva, tivessem mulher e filhos. (Convém lembrar que Jesus escolheu homens casados para apóstolos, pois curou a sogra de Pedro).

Contrair matrimônio é algo tão transcendente que a Igreja fez disso um sacramento. Ocorre que, antes de ser uma instituição, o casamento é um ato de amor. E há uniões que fracassam, pois somos todos frágeis e pecadores, e nossas opções, sujeitas a chuvas e trovoadas, deveriam merecer também a misericórdia da Igreja.

Tenho amigos e a amigas divorciados que reconstruíram suas relações afetivas e se recusam a aceitar a proibição de comungar. Minha amiga D., três meses após o casamento, sofreu com o marido um grave acidente de trânsito. Ele ficou tetraplégico. Dois anos depois, com a anuência dele, ela contraiu uma nova relação, pois ouviu do homem com quem se casou na Igreja: "Por te amar, quero-te plenamente realizada como mulher e mãe." Ela e o novo marido visitavam periodicamente o homem acidentado, que sobreviveu por sete anos e torno-se padrinho do primeiro filho do casal. Devo dizer a essa amiga que Deus, que é Amor, não está em comunhão com ela e, portanto, trate de manter distância da mesa eucarística, pois a Igreja a considera "uma praga"?

Certa noite eu me encontrava em Boca do Acre, em plena selva amazônica, numa celebração de Comunidade Eclesial de Base. Dona Raimunda, mãe de seis filhos, cujo marido havia partido para a Transamazônica em busca de trabalho - onde ficou quatro anos sem dar notícias (e ela soube que, lá, ela constituíra outra família) -, disse na missa, no momento da Oração dos Fiéis: "Quero agradecer a Deus por me ter dado um outro marido que é um pai bondoso para os meus filhos."

Dona Raimunda se uniu a outro homem que a ajudava na sobrevivência e na educação dos filhos numa situação de extrema penúria. Eu deveria dizer a ela para não se aproximar da mesa eucarística? Naquele momento, o papa João Paulo II, em visita ao Chile, dava comunhão ao general Pinochet.

Querido papa: leio na Primeira Carta de João que "Deus é Amor: aquele que permanece no amor, permanece em Deus e Deus permanece nele" (I João 4, 16). Essas pessoas que citei, e tantas outras que conheço, amam e, portanto, Deus permanece nelas. Devo adverti-las que não são amadas pela Igreja e, portanto, estão proibidas de receber o pão e o vinho transubstanciados no corpo e no sangue de Jesus, o Senhor da compaixão e da misericórdia?

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Leonardo Boff,
de "Mística e Espiritualidade" (Garamond), entre outros livros.





Mar

E já quero mais.

sexta-feira, fevereiro 4

Dúvida cruel


De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, uma lauda equivale a 1.400 caracteres com espaços, li aqui ó.

Se um alqueire paulista tem 24.200 m² ou 2,42 ha e o alqueire mineiro tem 48.400 m² mineiro ou 4,84 ha. Quantos caracteres com espaços teria uma lauda em Minas Gerais ? Pela lógica dos números 2.800 caracteres com espaços, ou não!

Receita de saúde

Via Mana Lilly - clique na imagem para melhor ver

segunda-feira, janeiro 17

Déjà vu

Esse queria ouvir em velha vitrola, foi-se fazer o quê? Foi-se vinil, foi-se vitrola, ficou melodia, ficou vontade, ficou saudade. Déjà vu intenso a misturar sonhos com verdades

(Fragmentos de meu Facebook)

sábado, janeiro 15

Letras e frutas

Recebi de meu amigo Thogo esta jóia de Manoel de Barros:
"Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos."

Assim amigo Thogo te digo,
Tenho paixão por Manoel de Barros e Guimarães Rosa, devoro tudo deles com caroço e tudo. Os dois vivem de prosa no mesmo pé de jabuticaba de minha infância num quintal imenso de meu imaginário.

Um grande abraço e obrigado pelo presente.

William [ Billy ]

sexta-feira, janeiro 14

terça-feira, janeiro 11

Orquídea de Janeiro

Se fazendo despercebida e tímida, deu costas para olhares, achei por acaso. Orquídea de Janeiro. Meus jardins sempre guardam leves e belos tesouros


quinta-feira, janeiro 6

Galeria

E lá se foram dez anos. Em 2001 meus pequenos Mariana e João Lucas me presentearam com desenhos de morcegos para o Morcego Livre. O tempo passou ligeiro, mas poucos como os meus, aprenderam a ver o morcego com outros olhos.


De Mariana aos 10 anos


De João Lucas aos 5

quarta-feira, janeiro 5

Nietzsche então...

Assim falava Zaratustra ou no original Also sprach Zarathustra: Esposa de Temer rouba a cena na posse



Fonte: colunistas.yahoo.net
Mais sobre o autor AQUI

sábado, janeiro 1

Galinho



Publicado no Jornal Correio em 01/01/11 , Dia de sapo em brejo, sonoro coaxar: Um, um, um-um...Um, um, um-um... Um, um, um-um
Quer ver no jornal? Clica AQUI


Galinho

Tem uns dois dias que o vizinho do outro lado da rua de nosso laboratório arrumou um bichinho de estimação, no mínimo, inusitado.

Não estou me referindo a cobras importadas ou camaleões da Malásia. Nada de canários belgas de belo canto ou escorpiões africanos gigantes. O bichinho é coisa nossa, bem conhecido de todos, personagem de cantigas infantis e figurinha carimbada em nosso rico folclore.
A criatura em questão trata-se, nada mais, nada menos, do que um pequeno
e agitado galinho garnizé. Até aí nada de mais, não será a primeira nem a última pessoa do mundo a ter um garnizé como pet.

Um compadre meu, muitos anos atrás, ao passear com os filhos pequenos em uma feira, se viu presenteado assim do nada com dois pintinhos cor- de-rosa anilina.
A primeira reação foi típica de qualquer pai ou mãe já prevendo quem iria tomar conta do presente de grego. Mas criança é criança, depois de algumas caras de muxoxo e brotar
de lágrimas, acompanhados do tradicional “eu quero, eu quero”, lá se vai para casa com os dois projetos de frango, caprichosamente acondicionados em saquinhos de papel marrom.

No trajeto de volta ao lar, as recomendações de praxe: “Olha o combinado, os pintinhos são de vocês, vocês é que vão tomar conta. Dar água, comida, vigiar para o gato não pegar, cuidar da porta para que não fujam. Olha o combinado. Se depender de mim ou de sua mãe, eles vão embora no outro dia!”. Os acenos afirmativos e os sorrisos de alegria comoveriam o mais frio dos seres humanos. Pai e mãe com sensação de felicidade compartilhada.

Aos poucos os pintinhos vão emplumando, criando tipo. Já não se torna mais necessário manter luz de abajur acesa sobre eles para aquecê-los durante a noite. A própria caixinha de sapatos forrada com folhas de jornal já é pequena para mantê-los presos. É só dar um pulinho e ganhar o mundo.

A essa altura as crianças já perderam o entusiasmo inicial, e todo dia tem um pé de briga:
— Já deu comida para os pintinhos?
— E a água? Cadê a água, vocês estão achando que pintinho é camelo? Tem que ter água limpa pra eles sempre!

Passam-se os dias, os bichos crescem, as crianças abandonam, pais cuidam. Um morre, poucos notam. O sobrevivente, de um dia para o outro, se transforma em adulto, forte, criado e barulhento garnizé.
O sonho inicial de criar uma galinha poedeira, ovo fresquinho toda manhã, é abruptamente substituído por um atrevido e desregulado galinho.

O bicho, como é de sua natureza, é um mestre desafinado do cantar o tempo todo. Não tem hora nem lugar. Dia e noite a esganiçar acordes de dar dor de cabeça em prego.
Essa ladainha durou pouco.

Certa noite, a cantoria foi tanta que meu compadre se viu a levantar de madrugada e trancar o galinho dentro de um armário até amanhecer.
Ao sair para trabalhar naquela manhã, levou-o junto e de presente foi dado para o primeiro que encontrou no caminho. Nem as crianças, nem ninguém deram falta dele até hoje.

E há dois dias nos vemos às voltas com um cantador sem ritmo. O bicho, característica da raça, canta o dia inteiro sem parar. Se resolver botar atenção ninguém nem trabalha direito, o emplumado tira atenção até de monge budista. Vamos ver quanto tempo vai durar a paciência dos donos dele.

Quanto a nós, ah! que vontade de colocar o cantador na panela, mas é garnizé e não daria nem um caldo.






quarta-feira, dezembro 29

Culpa

Veio da amiga Lilly Falcão, reparto.

"A culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser..." [Homer Simpson]

terça-feira, dezembro 28

2011

Para Virgínia e seu coelho chinês. Para todos os amigos.



Feliz 2011 - Ano do Coelho (desenho Carlos Kubo)

Que não seja tão ligeiro nem afoito quanto o bicho que o rege. Da calma atenta a sua marca.

Como sempre-viva embalada em vento frio e silencioso de serra onde piar de passarinho discreto difícil se faz notar.
Longe, um trotar de cavalo areado. Cavaleiro? Cada um de nós.
Garupa? Nunca, pois quem lá fica rédea não comanda.

Donos do rumo comandamos o passo. O caminho a seguir cada um faz. A escolha.
Procure-se pois trilheiro mais brando; mais grama, menos pedra/pó.

Se tiver poeira eu vou na frente,
se tiver porteira eu vou no meio,
se tiver atoleiro eu vou atrás
.

Em frescor tímido mas feliz cantar, que 2011 nos conduza por trilhas de mata fechada regadas a doces cachoeiras e esvoaçar de borboletas e jataís doceiras. Um ano bom logo ali se avista, a rédea é nossa, destino também. Que o coelho símbolo nos guie sim, mas sem relógio, sem atrasos, sem obrigações entediantes. Chá das cinco ou cachaça na venda. Só vendo
2011 feliz, harmonico, sonoro, canoro

Beijos a todos.




Billy

Publicado também no Palanque Marginal Ano IX Nº 426 - Quinta • 6/1/2011 e em
"Do leitor" do
Jornal Correio - Terça • 4/1/2011

quinta-feira, dezembro 23

Tropicais festas

Boas e tropicais festas. Cantos de sabiá embalem sua tarde da virada e manhã do primeiro dia. De nossas flores nossa árvore de Natal. Nossos presentes? O doce mel de nossas abelhas nativas para se fartar em jataís e uruçus. No mais um sorriso, uma prece, um beijo e um queijo.
Nos aguarde 2011, nos aguarde





quarta-feira, dezembro 22

Ritmo

Fim de ano, o cansaço bate. A toada diminuindo a ponto de nem poeira levantar. Acho que vou parar um pouco aqui. Tem muita coisa para fazer e o tempo curto. Tem um tanto assim de poemas novos, crônicas e prosas para revisar, reler, maturar.
Deixo vocês até o ano que vem. Volto em janeiro, me dou uma folga.

Festas boas, passagem de ano porreta. Vejo vocês depois da virada.
Beijos e/ou abraços

Lá vou eu rumo a 2011

sexta-feira, dezembro 17

Los 3 compadres

Trinta anos de formados, mais de trinta de sólida e inabalável amizade.
Querer mais o que meu D'us?


@uberlandia



Tive a honra de ser entrevistado pela mais enigmática, bem informada e popular tuieteira de Uberlândia. Ninguém conhece sua verdadeira identidade é @uberlandia e pronto. Tomo a liberdade, com autorização dela, de reproduzir aqui nossa conversa. O post original está no seu blog arroubauberlandia. Me diverti prá caramba. Compartilho.

Uber entrevista com William H Stutz

Sexta-feira é dia de #UberEntrevista aqui no #UberBlog e o entrevistado de hoje foi indicado pelo nosso prefeito @odelmoleao. Posso falááá? Ele é apaixonante! Inteligente, talentos, divertido e de personalidade rara. Praticamente uma espécie em extinção! Com vocês, @williamhstutz!!!

Nome completo: William Henrique Stutz
Data de nascimento: 05/09/1954
Naturalidade: Belo Horizonte
Profissão: Médico Veterinário
Estado civil: Casado com Beatriz e pai de Mariana e João Lucas
Estado "militar": "Hay que endurecer pero sem querer querendo". Não sei se foi o Chaves, a Chiquinha, a Dona Florinda ou Seu Madruga que disse isso... ( Na verdade essa frase foi cunhada pelo amigo, escritor, cartunista e jornalista Mauricio Cintrão, lá de Sampa.)
Estado de "choque": Meu Galo quase caindo para a segundona
Estado de MG: Para essa resposta fiz um quase haicai:
Cerrado /montanha /cachoeiras /vento
E tudo que, em belo embrulho, vem dentro.
Vício: Ler, ler, internet e minha casa
Um uber sonho: Sem pieguice? Queria tanto um mundo verdadeiramente justo e perfeito!
Um uber pesadelo: Pode ser no plural? Conviver com meus fantasmas. Países se armando em guerras, mulheres apedrejadas, inadmissíveis atos xenofóbicos e/ou homofóbicos, crianças famintas, campos de refugiados. Enfim tudo que tem origem na maldade e no infindável nonsense humano.


@uberlandia Em primeiro lugar, uber grata por ter aceitado a indicação do @odelmoleao! Adorei a oportunidade e o desafio. Digo desafio porque como a escolha do entrevistado não parte de mim, é sempre uma surpresa! Felizmente tenho tido sorte. As surpresas têm sido bem boas!

@williamhstutz Eu é que agradeço a chance de poder trocar impressões com a mais intrigante, bem informada e querida personagem do Twitter de nossa cidade. Sem você, o Twitter seria de um vazio sepulcral ou um simples mural de bilhetes.

@uberlandia Ui! Assim me sinto envaidecida! KKKK

@uberlandia Lembro-me que certa vez você twittou algo a meu respeito... Não me lembro exatamente, mas foi algo do tipo: "ao mesmo tempo fútil e útil". Sabia que isso me marcou bastante? Foi uma percepção importante para o meu crescimento e amadurecimento...

@williamhstutz Verdade, você tem uma qualidade invejada pela maioria dos tuiteiros, basta ver quantos tentam te imitar, sem sucesso é claro. Você consegue com a mesma galhardia navegar pelos mares calmos de balneários, resorts top e por boulevares parisienses, com a mesma tranquilidade e objetividade que denuncia /aponta, desmazelas e sofrimento humano . Põe o pé na terra onde os menos favorecidos sofrem, onde casarões históricos desabam pulverizando nossa já combalida história,repreende pessoas sem educação, que jogam lixo nas ruas ou desrespeitam as regras básicas de trânsito. Isso te faz especial e intrigante. Com sorriso fala do fútil, com o "semblante" sereno nos abastece e enriquece com o "útil". Muda não, viu? Combinado?

@uberlandia Combinadíssimo! =)

@uberlandia Mas enfim.... deixa isso pra lá porque o entrevistado é você! Aceita alguma bebida? Água? Vinho? Quero te deixar beeem à vontade, tááá?

@williamhstutz Quem sabe uma Über Weiss? [Não é jabá para Uberbrau não tá?]

@uberlandia William, você é veterinário sanitarista, nascido em Belo Horizonte, apaixonado por Uberlândia e modestamente se diz aprendiz de escritor e poeta. Além disso, cozinheiro experimental e criador de sacis... Isso é tudo verdade?

@williamhstutz É isso. Sou Veterinário, pós-graduado em Saúde Coletiva pela nossa UFU. Tento escrever desde os sete anos e adoro cozinhar. Cozinha para mim é um laboratório de aromas, sabores e texturas. Gosto de arriscar ingredientes. Gosto de ir al ém do tradicional Mango Chutney com carnes vermelhas. Gosto de inventar. Nessa, milhões de pratos já foram perdidos. Alguns, no entanto, fizeram sucesso (ou então os degustadores / cobaias foram por demais generosos). Só para ilustrar a riqueza do ato de cozinhar, tome como exemplo a Salada Waldorf. Seguramente foi uma total obra do acaso que deu super certo.
Sei que você não perguntou, mas gosto mesmo é de churrasco, e esse não tem segredos.

Quanto aos sacis, os crio em meu imaginário com a motivação maior de preservar nossas histórias e folclore. Gosto de contar casos, tento tirar um pouco nossas crianças do mundo de Power Rangers, Transformers e Barbies, e levá-las a conhecer um pouco de sacis, caiporas e curupiras. Assim, eles não morrerão e perpetuamos nossos persongens tupiniquins.
Resumo da ópera: Mais Saci menos Halloween

@uberlandia A partir dessa breve descrição, a contar também pelo seu próprio sobrenome, você me parece que não nasceu pra ser uma pessoa comum... Pelo menos eu não acho comum um veterinário por formação como você ter aptidões múltiplas como gostar de escrever, cozinhar e criar sacis! Você se considera uma pessoa normal?

@williamhstutzObrigado pelo “ter aptidões múltiplas”, mas de onde venho, onde e como me criei, nada é estranho nem diferente. Aliás, quanto mais múltiplo, melhor. Não sobra tempo para tédio... rsss

Mas o difícil mesmo é definir normalidade. Digamos que em uma escala padrão, uma do tipo escala Richter, eu me colocaria a 5 pontos. Não tão light a ponto de ser imperceptível, mas também nenhum pouco devastador para causar estragos significativos e irreparáveis. Então, devo ser algo bem próximo do normal sim, dependendo de quem me olha e realmente me vê.

@uberlandia E seria possível classificar as pessoas em "comuns" e "não comuns"? Ou será que é melhor classificá-las como "loucas" e "não loucas"?

@williamhstutz Eu prefiro o jeito das crianças que, de maneira direta , dividem o mundo dos humanos adultos: Tem gente que é do bem e outras que são do mau.
Dentro do grupo das do bem entraria a escala a qual me referi na resposta anterior. No grupo das pessoas do mau... Bom, dessas quero distância cósmica.

Quanto à loucura, minha definição da mesma está explicitada no maravilhoso filme Le Roi de Coeur de Philippe de Broca, cujo título foi horrivelmente traduzido para "Esse mundo é dos loucos!" Recomendo e acredito que pode ser encontrado em alguma locadora de nossa cidade. Será que nosso amigo @vlemos pode nos ajudar a garimpar essa jóia rara?

@uberlandia Como classifica e/ou seleciona pessoas nas redes sociais? Prefere as "loucas" e "não comuns"?

@williamhstutz Procuro me ligar apenas às pessoas "do bem". Mas às vezes rola cada decepção...

@uberlandia Qual a diferença de um "Silva" para um "Stutz"? Você é um "Stutz" legítimo? Tem a ver com os carros Stutz?

Tem mais Silva no Brasil do que Stutz, isso posso garantir e talvez essa seja a única diferença.

As raízes da família Stutz estão lá nos países nórdicos. Não, não sou um Stutz legítimo, se é que realmente existem. Explico. Nosso sobrenome original era Stutzsky. Meus avós paternos ainda crianças em um longínquo 1917, fugiram da Rússia, da revolução bolchevique. Somos de família judaica. “Somos descendentes do patriarca bíblico Éber, nosso antepassado histórico e espiritual”. A citação é da Tora ou Tanakh.

A perseguição aos judeus à época pelos stalinistas, foi tão brutal e cruel quanto àquela mais tarde protagonizada pelos nazistas.
Para fugir tiveram que adotar nomes que não levantassem suspeitas, daí o Stutz tomou o lugar do Stutzsky.

Fugiram para os Estados Unidos e se fixaram no Brooklyn, Nova York, para onde foram a maioria dos judeus fugindo de Stalin e bem depois de Hitler.
Meu pai lá nasceu e nós temos dupla nacionalidade, com report of birth e tudo mais. Meu pai conheceu e se casou com minha mãe, mineira de Teófilo Otoni, quando ambos estavam a fazer pós-graduação na Universidade de Michigan, mas essa é outra e longa história. Acho que a única relação com os velhos carros Stutz é uma loja de pneus que um tio meu tem em Detroit, nada além disso.

Só para constar, minha família nos EUA é imensa, tios e primos aos montes. Na Europa e na União Soviética, hoje felizmente Rússia novamente, não sobrou ninguém, foram todos mortos nos campos de concentração. Acreditamos e pelas informações recolhidas por tios que lá estiveram a procura de parentes vivos, foram executados principalmente em Majdanek.

@uberlandia Você nasceu em BH, mas declara amor por Uberlândia... Quando, como e por que veio parar aqui? Não há amor tb por BH?

@williamhstutz Vim para Uberlândia em 1975 fazer vestibular para Medicina Veterinária. Passei, fiquei, apaixonei pela cidade e por minha Bia, casei, fiquei.
Quanto a BH, tenho que roubar versos de dois mestres para explicar :

Primeiro me lanço ao nosso mineiro Carlos Drummond de Andrade:

"Itabira é apenas um retrato na parede. Mas como dói!"
BH é, para mim, a Itabira de Drumonnd, apenas um retrato na parede, só que não dói.

E outro imortal, Fernando Pessoa:
"O Tejo é mais belo que o rio que
corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o
rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia"
O rio de minha vida é o Uberabinha

@uberlandia Por que escolheu veterinária e não... comunicação? Letras? Jornalismo?

@williamhstutz Essa pergunta é super pertinente. Venho de uma família de artistas, exceto meu pai que era da Marinha dos EUA, porém homem muito culto, sempre chegado à leitura. Nunca passou uma noite sequer quando estávamos sob o mesmo teto que não o visse empunhando um livro. Mãe e irmão escritores, irmã bailarina/atriz/coreógrafa, o clima familiar e do ciclo de relacionamento me empurrava às artes.
Estive em alguns momentos propenso a seguir outros rumos. Mas como quase todos que vão à medicina veterinária, minha paixão por bichos falou mais alto.

Durante o curso descobri a Saúde Pública, foi amor à primeira vista, love at first sight total.
Agora conta você amiga @uberlandia: é ou não é pura arte fazer Saúde Pública? Consegui unir as duas coisas. Mas ainda vou fazer Jornalismo e não vai demorar muito não.

@uberlandia E como conheceu o @odelmoleao? Você imagina o porquê dele ter te indicado pra #uberentrevista? Qual a relação de vcs? Como vocês se conheceram?

@williamhstutz Acompanho na coxia nosso prefeito Odelmo Leão há muito tempo. Talvez nem ele se lembre, mas a primeira vez que nos encontramos foi em uma reunião de professores na Delegacia de Ensino. O ano era 1983 se não me engano. Bia e eu tínhamos acabado de chegar de São Sebastião do Pontal, à época distrito de Iturama, que hoje pertence a Carneinhos. Um vilarejo naquele tempo de poucas almas, sem acesso,estrada só na seca, se chovia gastávamos dias para andar os 90 km que nos separavam da sede do município. Televisão nem pensar e luz elétrica constante era coisa rara. Fica na divisa com Mato Grosso, onde éramos professores rurais. Fiquei impressionado com a postura do então deputado.

Nosso segundo encontro selou admiração e respeito. Também acho que ele não se lembra. Odelmo era presidente do Sindicato Rural e Secretário de Agricultura do prefeito Virgílio Galassi. Por favor me corrija se os fatos e datas não estiverem corretos. Estávamos com grande um problema à época de raiva bovina e o então IESA estava sem estrutura de trabalho. Preocupados, nos reunimos com ele e com um simples telefonema, na nossa frente, ligou para o Secretário de Estado de Agricultura. Fomos então autorizados a assumir o trabalho, assim, sem enrolação ou falsas promessas, resolveu em minutos um problema enorme. Foi na lata. Saímos de lá impressionados, pois não estávamos acostumadas a coisas assim no serviço público.

Para finalizar essa passagem: Controlamos a raiva em pouco tempo.
Aos mais afoitos um recado: Não tenho cargo algum de chefia, coordenação, comissão, função de confiança ou outro que seja. Em nossa prefeitura, sou um simples e concursado Veterinário, bem perto de completar 3 décadas de serviços prestados sempre na Secretaria de Saúde, portanto, posso falar com tranquilidade e admiração de nosso prefeito, sem que, para os de espírito de porco, isso configure puxa-saquismo, aliás, graças a Deus nunca usei desse expediente em toda minha vida, e nem usarei.

Quem me conhece sabe bem como penso. E mais, seguramente os próximos prefeitos terão que apertar o passo para conseguirem a excelência humana e administrativa de Odelmo. Uberlândia passará em breve a viver duas eras na política municipal AO e DO, ou seja, antes de Odelmo e depois Odelmo. Os DO que se prepararem e segurem o chapéu, não será fácil acompanhar a toada, seguramente as comparações naturalmente virão.

@uberlandia Você é escritor, poeta e é blogueiro desde 2006! Como se deu a ideia de ter um blog? Foi inicialmente um meio encontrado pra publicar suas poesias?

@williamhstutz Sou velho de internet. Sempre fui apaixonado por novas tecnologias. Sou do tempo em que a única ferramenta de comunicação, o avô dos chats, era o IRC e um outro que rodava no Prompt do DOS e lá estava eu fuçando, aprendendo na bruta, sem manual de instrução ou professor. O Explorer e o Netscape estavam em versões do tipo 1.0 ou quase isso.

Depois vieram os sites, aprendi a escrever html puro. Fiz meus sites, no bloco de notas e até hoje prefiro assim, os scripts ficam mais limpos. No que diz respeito a sites, tenho dois: Arte e saúde: o Escorpião na Visão de nossos Artistas www.escorpiao.vet.br, onde consegui juntar trabalhos dos melhores cartunistas do Brasil, que fizeram desenhos exclusivos para ele, além do Ação Ambiental Morcego Livre www.morcegolivre.vet.br, a partir do qual tornei-me presidente de ONG ambiental.

Depois comecei a escrever em sites literários. Os Anjos de Prata www.anjosdeprata.com.br foi o primeiro e nele tivemos a força do grande Mário Prata. Infelizmente este site está temporariamente parado, sem atualizações, mas continua no ar e merece visita.

Os Blogs foram consequência. É um espaço fantástico. O "Blog da Saúde" www.saudeuberlandia.blogspot.com é uma declaração de paixão ao meu trabalho na prefeitura, o "Cerrado de Minas" http://cerradodeminas.blogspot.com, uma ode à vida e a minha Uberlândia. Ambos estão sempre em constante mutação.

@uberlandia Há cerca de 1 mês twittei sobre o plágio de um dos seus textos... Lendo um de seus blogs, verifiquei que não é a primeira vez que você é vítima desse tipo de crime. É um crime. Você já "processou" alguém por isso?

@williamhstutz Pois é, infelizmente existe muita gente que vive das criações alheias. Falei sobre isso em recente crônica no Jornal Correio. Este cidadão em particular, que se diz jornalista , me surpreendeu. Daria roteiro de filme. Ele simplesmente copiou dezenas de textos de vários autores que publicam no Jornal Correio e os tomou como dele. De raiva à dó, do infeliz deficiente de intelecto e ética, foi um pulo. Estou municiado para uma eventual ação judicial caso me veja usurpado novamente. Mas no fundo fica apenas... pena.

@uberlandia Qual a sensação de se ter um texto roubado? É igual, parecido ou pior do que ter uma casa arrombada?

@williamhstutz As criações , sejam literárias ou outra forma de expressão, custam algum sofrimento para quem as produz. Pode parecer mentira, mas criar muitas vezes dói, machuca. Porém, depois de prontas vem um porre de endorfina. Relaxante sensação de prazer absoluto. Quando te roubam um texto te roubam mais do que palavras, roubam um pouco de sua vida, e isso incomoda pra caramba.
Ao final das contas um texto roubado é uma casa violada.

@uberlandia Por que acha que as pessoas plagiam? É ingenuidade? Desconhecem a lei ou sabem que não há efetiva punição? Há casos de má fé mesmo? As pessoas confundem liberdade de expressão e internet livre com o roubo de conteúdo?

@williamhstutz Se uma criança ou um adolescente copia um texto meu e coloca no perfil no Orkut, e já achei vários, isso não me incomoda em nada. Sinto-me até orgulhoso e rejuvenescido. Mas quando um cara velho, barbado e que ainda se diz jornalista, que trabalha ou trabalhava em importante veículo de comunicação de expressão nacional, faz uma coisa dessas, é cara de pau, falta de vergonha e ética, desonestidade pura mesmo e isso me tira do sério.

@uberlandia A lei de direitos autorais brasileira existe (Lei 9610 de 19/02/1998), contempla os direitos autorais na internet, mas talvez por ser rigorosa demais chega a ser ultrapassada e difícil de ser gerida. Concorda?

@williamhstutz Concordo sim, penso que nossos juristas junto com artistas, intelectuais, pesquisadores , enfim, com quem publica na web, poderiam trabalhar juntos para que a legislação fosse adequada, não menos rigorosa, mas mais ágil e que verdadeiramente punisse quem usasse desse expediente baixo e vulgar. Não estou falando de indenizações milionárias. Falo de retratação pública. Dói mais no infeliz parasita de idéias do que simplesmente pagar uma multa.

@uberlandia O que euzinha não poderia deixar de te perguntar antes de terminar a #uberEntrevista? E qual é a resposta pra essa pergunta?

@williamhstutz Uai !? De todas, essa é a pergunta mais complicada. Passo ! Pode ser? Rssss, Eu tenho sete de copas e par de três, você certamente tem zap, sete de ouros, 3 e é pé. Entendeu? Rsss

@uberlandia Tudo bem! Dou a cartada final... Mas antes de você se ver livre de mim... escolha o próximo uber entrevistado da semana que vem! Precisa ter twitter, tááá?

@williamhstutz Quero agradecer o prazer de participar dessa entrevista e me desculpar por prolongar tanto na maioria das respostas. Foi uma prazerosa catarse, digna de divã de algum renomado psicanalista. Mais uma vez quero agradecer ao nosso prefeito pela indicação e espero ter sido merecedor.

Aproveito ainda pra desejar a todos boas festas e um 2011 maravilhoso. Paz e harmonia para todos, sejam felizes.

Olha só, tem muitas pessoas fantásticas no twitter que poderia indicar, mas tenho de escolher uma, então vou sugerir uma pessoa que está sempre em prosa e verso que, carinhosamente, chamarei de retratista: o fotógrafo @georgethomaz. Ele sim, uma "figurinha carimbada" das artes em Uberlândia.

@uberlandia Obrigada, obrigada, obrigada! :)