sexta-feira, março 11

Arroubos a toa I

Abstinência de poesia me traz tremores e delírios,
me socorrem as tão forte insignificâncias , meu gardenal da alma




quarta-feira, março 9

Grama agradece

Plantei grama São Carlos no quintal. Agradeceu a chuva que só. Vamos ver como se comporta na dura seca do cerrado

terça-feira, março 8

Do outro mundo



"Um aposentado de 52 anos foi preso na tarde de ontem (22) depois que o cachorro dele, sem raça definida, atacou uma vizinha e mordeu o lábio superior dela. (...) . “Meu cachorro é de Júpiter e estava apaixonado pela vizinha. Ela sorriu para ele e o cão tentou dar um beijo”, disse.” Cidade & Região - Jornal Correio - 23/02/2011




Tinha tudo para ser mais um dia normal e moroso como qualquer outro. Aos poucos a rotina das ruas tomava seu rumo. Os primeiros ônibus já se faziam ouvir e sentir. Cheiro forte de fumaça. Crianças em uniformes coloridos tagarelavam rua acima rumo à escola. O primeiro sinal já havia tocado, mas muitos, na verdade quase ninguém, havia se tocado disso.

Conversas de namoricos, último capítulo de novela, reality show, paredão.
— E a nova música do NX Zero e do Justin Bieber, alguém já baixou? No site oficial está liberada por uma semana. Você tem? Ah, me passa, por favor, me manda pelo MSN pelo menos o link! Deixa de ser "ridica", também você vai ver, tenho uma coisa para te contar, mas não conto por nada, nem sob tortura, nem se me proibirem de ver o show do Belo. Como se vê, só assuntos da mais alta relevância, passíveis de mudar os rumos da humanidade, os destinos de povos inteiros, impressionante a relevância e profundidade das prosas.

Logo a sirene da escola tocou pela segunda vez. Debandada geral das maritacas deixando para trás nuvens de papéis de bala e chicletes. Agora, como disciplinadas abelhas jataí, em organizada e silenciosa fila indiana, sérias, mas com sorriso maroto e troca de olhares de cumplicidade, adentravam uma a uma ao sagrado templo do saber. A escola e toda chatura que pode ela representar para um adolescente às turras com seus conflitos e pressa de viver, era uma gigantesca poita, uma âncora a prender o alçar vôo. Férias, com podem estar tão longe e durar tão pouco!

Tudo corria tranquilo e sossegado naquela manhã chuvosa. Não tinha mencionado. Mas uma fina garoa insistia em cair mansa e fria desde a madrugada e, pelo visto ia durar o dia inteiro. Pessoas encolhidas em seus capotes e casacos.

Na rua a vida já se encontrava totalmente acordada e se organizando dentro de seu caos habitual.

O que poucos, ou melhor, ninguém podia imaginar, era que na outra esquina, bem próxima à escola, um ser preparava para a mais importante missão de sua vida. Havia ficado em permanente vigília e em postura de observação por longos nove anos. Durante todo este tempo ficou a observar costumes e hábitos dos habitantes desse pequeno planeta, onde, depois de séculos de pesquisa, os seus mais brilhantes cientistas haviam detectado sinais de vida inteligente. Bom, este conceito de inteligência mudou um pouco, pois nove anos ouvindo as conversas que passavam todas as manhãs e tardes pela calçada de seu esconderijo provocaram uma mudança radical em sua maneira de ver os seres desse planeta. Personagens com nomes estranhos recheavam agora seus relatórios diários e eram vistos como potenciais ameaças à cultura e sobrevivência de seu povo.

Entravam na lista das coisas que jamais poderiam sair do planeta azul sob o risco de contaminar toda a galáxia: Luan Santana, Restart, muitos “sertanejos”, alguns autores de livros de auto ajuda e uma infinidade de ritmos (?) que eram chamados pelos terráqueos de funk, pagode, hip hop (soava soluço), sertanejo de laboratório, ao qual ousavam nome de universitário, além de inúmeros hinos de louvor sem o menor sentindo, compunham a lista. Tudo isso deveria ficar enterrado e esquecido para sempre e de preferência em cápsulas blindadas e envias para a longínqua e inacessível nuvem de Oort, uma espécie de aterro sanitário de seu planeta.

Para azar seu os pesquisadores de seu planeta haviam observado um canil aqui na terra e, portanto, deram-lhe corpo de cachorro para se misturar aos nativos. Só quando chegou se deu conta do erro e teve que adaptar-se ligeiro. Além do andar de quatro, não fora avisado que seria meio de transporte e alimentação para seres minúsculos porém ávidos, que logo descobriu chamarem-se pulgas e carrapatos.

Arrumou um dono pouco chegado às atenções, que gostava de se embriagar logo cedo e só parava com a branquinha à noite, afundado em profundo sono. Assim ficava fácil, se por acaso cometia a perigosa falha de falar ou agir como ser de outro mundo e seu dono percebia, aliás aconteceu com freqüência nos primeiros anos de vida por essas bandas, e saía aos berros a contar para todos que seu cachorro era um ET, isso não passava, para os outros, de delírio de bêbado e felizmente não era levado a sério.O lugar e o terráqueo eram perfeitos para seu disfarce.

Mas era chegada a hora de realizar sua missão. Tinha que fazer contato com os líderes desse lugar. Mais aí pairava a maior de suas dúvidas quem nem todos esses amos conseguiram aplacar.

Nove anos de observação só o fizeram ficar mais e mais confuso. Quem era o verdadeiro representante dessa estranha raça? Era aquele senhor barbudo de estranho falar e que por anos e anos pouco depois de sua chegada aqui, freqüentava os noticiários sem dar trégua? Mas ele sumiu de repente... Seria aquela senhora loira que todas as manhãs conversava com um papagaio e tinha estranha e gutural risada? Seria aquele outro com plástico sorriso que toda semana jogava aviõezinhos de dinheiro para povo? Ah, isso sem contar aquele casal bem afeiçoado que falava do mundo e do tempo e ninguém dormia antes de ouvir o seu sonoro e inconfundível “Boa noite”? Povinho estranho e confuso esse da terra.

Cansado de ficar só em seu posto de observação e morrendo de saudades de casa tomou decisão. A única pessoa lúcida que ele conhecia era uma moça muito bonita e educada que morava ali perto e que, volta e meia, afagava-lhe a cabeça através das grades do portão. Era a ela que iria perguntar.

Tomou grande impulso, saltou o muro e sem pestanejar seguiu direto para a casa da tal. Lá chegando, e alguns latidos depois, eis que surge o potencial contato com essa tão confusa raça. Sorridente ela aproximou o rosto de se seu focinho e, sorridente, com a mão em seu queixo perguntou-lhe o que o lindo cão queria. Achando que sabia falar balbuciou entre roncos, rugidos e sons inteligíveis:
— Por favor, leve me ao seu líder.
Só que no enorme esforço ao falar, coisa que não fazia nunca, acidentalmente mordeu os lábios da moça que, numa mistura de espanto e terror, pois conseguira entender alguns sons humanos saírem daquela boca canina, pôs-se a gritar ao sentir o calor do sangue a correr-lhe pelo queixo. Também assustado desapareceu no mundo e buscou refúgio em local ermo, de onde, após contato com a nave mãe, suplicou resgate e se foi em desgraça, sem cumprir a missão para qual fora designado, mas com o firme propósito, com mais das absolutas certezas, de que jamais voltaria a este louco e esquisito planeta.

Enquanto cruzava linha espacial em traçado rumo, conseguiu captar uma última transmissão de seu antigo dono. Este, cercado de homens fardados bradava aos quatro ventos:
— Não falei, não falei, “Meu cachorro é de Júpiter e estava apaixonado pela vizinha. Ela sorriu para ele e o cão tentou dar um beijo”, era isso, eu sabia o tempo todo e ninguém acreditou! Agora quero ver quem vai me dar outro cachorro do outro mundo.










Publicado no Jornal Correio em 8 de março 2011
Versão para Jornal está AQUI

sábado, março 5

O Encantador de palavras

A poesia está guardada nas palavras - é tudo que
eu sei.
Meu fado é o de não entender quase tudo.
Prepondero a sandeu.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não cultivo conexões com o real.
Para mim, poderoso não é aquele que descobre ouro,
Poderoso para mim é aquele que descobre as insignificâncias:
(do mundo e nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei muito emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.

Manoel de Barros
do livro "O Encantador de Palavras", ediçõesQuasi, 2000

segunda-feira, fevereiro 28

Oscar 2011

Deu a lógica. Surpresa zero. É a "acadêmia" fazendo das delas.



Quer saber mais? Vai até o Portal G1

E daí? Eu adoro voar!


"Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade...

Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo.

Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram...

Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!"

Clarice Lispector

Canarinho

Não eram nem seis horas. Na rotina do amanhecer dessa segunda no quintal, sou brindado por canarinho da terra, ou chapinha para muitos a cantar nas grimpas de um oiti. O sol a incandescer mais ainda sua plumagem como holofote matutino. Palco. Pássaro de fogo. Anda raro a voar por essas bandas.
Encostei para não perder o concerto. Quase perdi foi a hora, mas ganhei inesquecível presente. Lembrei dos do Prata. Lembra Clara Clarice?


terça-feira, fevereiro 22

Repassando

Por um mundo melhor, mais tranquilo, mais humano, menos azedo. Menos inveja, menos rancor, mais solidário e claro, mais AMOR !

domingo, fevereiro 20

Podocarpo


Acabo de plantar seis Pinheiros-de-buda em meu quintal. Não é todo domingo que pode-se acordar plantando abençoadas árvores. Agora são 12 ao todo, quero chegar a 30. A foto ao lado não é minha, achei na web. Em breve as nossas ficam assim

quinta-feira, fevereiro 17

Férias - Parte 1




Pronto. Enfim, férias. Curtas é fato, apenas alguns dias,mas férias são férias. Tudo planejado, família reunida e rumo ao litoral em busca de sol, de um refresco diante de tanta chuva. E não é que lá choveu todo dia como nunca se viu antes para época? Plantações de jerimum a boiar, estradas destruídas, açudes rompendo-se. Para sorte nossa e do Estado, a chuva se fazia ver à noite e mais mansa. Durante o dia, calor e praia à vontade, verdadeiramente dignos do título de cidade do sol conferida a
este acolhedor município.

Absolutamente nada a reclamar dos horários de avião. Parecia coisa de britânico em céu de brigadeiro. Nem na ida nem na volta, nem um segundo de atraso sequer. Do caos aéreo escapamos; já do caos do serviço de bordo nem tanto. Na ida, bolachinhas salgadas, na volta, pacotinhos de amendoim. Isso sem contar um saquinho de batatas fritas quase que atirado ao nosso colo em função de uma turbulência brava que se aproximava. Fora isto, tudo normal e calmo nos céus desse gigantesco país. Mas bateu uma saudade de tenra infância de quando se serviam refeições de verdade em pratos de porcelana e talheres de prata. Tempos de quando os Constellations reinavam quase absolutos, disputando pistas de pouso apenas com o pé-de-boi do ar, o Douglas DC-3.

Tá certo, fui longe demais? Então tá. Me deu saudades das refeições servidas em bandejas de plástico e até do sanduíche quente de micro-ondas. Tudo em nome de diminuir custos. Mas se a medida serve para facilitar acesso a tão fantástico meio de transporte, que seja bem-vinda, a azia de fim de percurso sempre valerá a pena. Nunca se voou tanto. É bonito ver tanta gente marinheiro de primeira viagem. Marinheiro? Democratizou-se o “formoso céu, risonho e límpido”, maravilha, mesmo que incomode alguns mais arrogantes bem chegados aos pináculos. Mas, de verdade? Nada melhor do que voltar para casa, para nosso cantinho, para nossos cheiros, travesseiros, problemas e alegrias que só a rotina diária pode oferecer e que, em casa ou no trabalho, sempre nos espera. Ainda bem, pois cada desafio é crescimento. E avançar é preciso.

Um friozinho na boca do estômago e um aperto na garganta sempre acontecem quando se avista Uberlândia. Seja de cima, ao se ver imensa constelação de luzes, com nuances várias, a piscar. Seja de carro, quando no horizonte surge assim do nada, coisas do cerrado, uma linha iluminada que se estende majestosa e imponente.

Viajar é bom, não, viajar é perfeito! Mas nada, nada mesmo como voltar para nossa Uberlândia, que, parece, só é valorizada pela maioria das pessoas quando vista de longe, retornando.

No mais, é desfrutar as belas lembranças e começar a planejar as próximas férias. Aquelas, as lembranças de viagens, por menor que seja a distância percorrida, é que fazem da aventura um bálsamo para a alma. É como carregador de celular. Você sai e se deixa encher de energia pulsante, volta novo, revigorado. Aí vem outro período de batalhas, leões diários a matar. A bateria vital retoma seu ciclo de desgaste permanente. Mas assim que chega ao vermelho, começa a piscar e emitir sonoros sinais de alerta. Hora outra vez de pôr o pé na estrada. As lembranças da última saída já não são combustível suficiente. Hora de reabastecer. Afinal, caro amigo, a vida é curta e ninguém é de ferro.




No Ponto de Vista do Jornal Correio veja AQUI

terça-feira, fevereiro 15

A história se repete

Recebi de Júlio

A história se repete... e se repete, repete, repete...
Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV:



Colbert:

— Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar (o contribuinte) já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar, quando já se está endividado até ao pescoço...

Mazarino:

- Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!

Colbert:

— Ah sim? O Senhor acha isso mesmo ? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?

Mazarino:

— Criam-se outros.

Colbert:

— Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino:

— Sim, é impossível.

Colbert:

— E então os ricos?

Mazarino:

— Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert:

— Então como havemos de fazer?

Mazarino:

— Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente situada entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais,sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tiramos. É um reservatório inesgotável!


Extraído de “Diálogos de estado”

Van Gogh

Como Van Gogh perdeu o brilho

Cientistas descobrem reação química responsável pela deterioração de algumas das grandes obras artísticas da história, como a série 'Os girassóis'

Leia aqui

segunda-feira, fevereiro 14

Prosas de domingo

Então Bia assim me disse: Goethe respondeu quando estranharam sua
diposição para brigar por aquilo em que acreditava bela
alternativa:

"Querias, por acaso,
...Que eu odiasse a vida
E fosse para o deserto
Porque nem todos os sonhos
Em flor deram certo?"
...
KONDER, Leandro. Sobre o amor. São
Paulo: Boitempo, 2007).

Poetas del Mundo

"A poesia como instrumento de Paz"



Saiba + clique aqui

domingo, fevereiro 13

8 armas espirituais

Recebi do Ir.'. Murilo, compartilho

“Dentro de você há 8 armas espirituais. Conforme a situação, escolha a arma apropriada e use-a no momento certo. Experimente e veja como seus limites se ampliam.

(1) Interiorizar-se: busque o que você é realmente, não se perca no que você não é.

(2) Desprender-se: sinta que o passado é uma mochila pesada e desconfortável, solte-a.

(3) Tolerar: deixe de lutar contra o vento e passe a amá-lo.

(4) Ajustar-se: veja que a vida é elástica e seja elástico também.

(5) Discernir: escute sua consciência e entenda que tudo que vem é para o seu bem.

(6) Julgar: seja juiz de si e advogado dos outros, não o contrário.

(7) Enfrentar: faça as coisas pelas quais tem medo e o medo desaparecerá.

(8) Cooperar: trabalhe com outros e transforme o difícil em fácil.”

(autor desconhecido)

quinta-feira, fevereiro 10

Vida dura



"Que vida, que duro. De dia casco claro, de noite casco escuro"
Pena que acabou rápido demais.






segunda-feira, fevereiro 7

Carta a frei Betto

Republico

Prezado frei Betto

sei que não devia usar texto seu, aliás texto algum, sem autorização prévia. Mas fala sério, como te reencontrar para pedir permissão?
Desde os tempos da rua Gonçalves Dias com Ceará, pertinho da praça da ABC, lá em Belo Horizonte que não te vejo!

Lembra das prosas gostosas de Seu Aristides seu tio avô? As histórias que nos contava sobre as expedições pelas matas do Acre nos idos, e como idos anos de 1919-1920?

Lembra do enorme quintal, das jabuticabeiras, do bananal, da horta gigantesca? Lembra do galo que corria atrás da gente, esporas em riste, por ciúmes de seu harém galináceo?

Você era bem mais velho do que a gente, nada contra os mais velhos que fique bem entendido apenas uma constatação biográfica, chamemos assim, para situar algum leitor mais desavisado.

Admirávamos seu jeito de falar e, sempre que estava por perto nós, crianças, nos calávamos atentos.
O tempo, sempre ele, se encarrega de aproximar as idades e estreitar laços e convívio.
Explico: dá para imaginar um jovem de vinte anos proseando, discutindo Kant ou Nietzsche de igual para igual com um menino de dez? Difícil. Porém esta mesma pessoa aos quarenta nem percebe que o outro agora tem trinta.
Pois é o tempo nivela, democratiza as relações humanas. Até os amores e as paixões.

Tenho muita vontade de voltar a te encontrar, com certeza iremos discordar de muitas coisas, comungar da mesma opinião outras tantas vezes vezes, mas o que importa é que mesmo nas diferenças, mesmo que pequenas, sempre existirá o mesmo respeito a admiração que havia quando a criança erguia alto os olhos para enxergar os seus.

Fica aqui um sincero e saudoso abraço frei Betto, quem sabe este mesmo tempo que nos aparta das gentes, um dia nos surpreende e nos aproxima novamente?
Continua a ser o que é, sempre.
Publico seu texto, se por acaso aqui o encontrar e não gostar, me avisa, tiro na hora.
Todo meu respeito e admiração

William h. Stutz



INDAGAÇÕES A BENTO XVI
por Frei Betto


Vossa Santidade ressuscitou o que o Concílio Vaticano II havia enterrado: a missa em latim. Uma exigência de monsenhor Lefebvre, arcebispo francês excomungado em 1988 por se recusar a aceitar as inovações conciliares.

Criança, assisti a muitas missas em latim, com o celebrante de costas para os fiéis, segundo o rito tridentino de meu confrade, o papa Pio V, que foi dominicano. Por que permitir a volta do latim? Quantos fiéis dominam este idioma? Jesus não falava latim. Falava aramaico. Talvez um pouco de hebraico. E por viver numa região dominada por Roma, com certeza conhecia alguns vocábulos latinos, como a saudação romana Ave, que se introduziu na oração mais popular do catolicismo, a Ave Maria.

Assim como o grego universalizou-se pelo Mediterrâneo graças às campanhas de Alexandre, o latim estendeu-se na proporção das conquistas do Império Romano. Por esta lógica, não seria mais adequado adotar, hoje, o inglês? Ora, a grande maioria dos fiéis católicos encontra-se, hoje, na América Latina. E não entende grego, latim ou inglês. Exceto poucas palavras, como paróquia, pedra e futebol. Não é bom que participem da missa em língua vernácula?

Considerado o empenho de inculturação da Igreja, não é contraditório voltar o latim à missa? Tenho um amigo, ateu até a medula, que adora freqüentar missas em latim. Para ele, a liturgia reduz-se a um espetáculo. É uma questão de estética, não a ponte comunitária entre o nosso coração sedento e o Transcendente.

Inquieta-me a sua afirmação de que é "uma praga" casar pela segunda vez e proibir os católicos que o fazem de acesso à eucaristia. Os evangelhos revelam que Jesus comungou com pessoas que, vistas de hoje, andavam distantes da moral vaticana. Ele defendeu uma mulher adúltera prestes a ser apedrejada pelos moralistas da época. Curou o fluxo de sangue de uma mulher fenícia sem, antes, exigir dela adesão à fé que ele propagava. Curou também o servo do centurião romano sem primeiro impor-lhe a condição de repudiar a seus deuses pagãos. Jesus fez o bem sem olhar a quem.

Tenho amigos e amigas que contraíram segundas núpcias. Todos por razões muito sérias, que seriam melhor entendidas por padres e bispos se eles, como na Igreja primitiva, tivessem mulher e filhos. (Convém lembrar que Jesus escolheu homens casados para apóstolos, pois curou a sogra de Pedro).

Contrair matrimônio é algo tão transcendente que a Igreja fez disso um sacramento. Ocorre que, antes de ser uma instituição, o casamento é um ato de amor. E há uniões que fracassam, pois somos todos frágeis e pecadores, e nossas opções, sujeitas a chuvas e trovoadas, deveriam merecer também a misericórdia da Igreja.

Tenho amigos e a amigas divorciados que reconstruíram suas relações afetivas e se recusam a aceitar a proibição de comungar. Minha amiga D., três meses após o casamento, sofreu com o marido um grave acidente de trânsito. Ele ficou tetraplégico. Dois anos depois, com a anuência dele, ela contraiu uma nova relação, pois ouviu do homem com quem se casou na Igreja: "Por te amar, quero-te plenamente realizada como mulher e mãe." Ela e o novo marido visitavam periodicamente o homem acidentado, que sobreviveu por sete anos e torno-se padrinho do primeiro filho do casal. Devo dizer a essa amiga que Deus, que é Amor, não está em comunhão com ela e, portanto, trate de manter distância da mesa eucarística, pois a Igreja a considera "uma praga"?

Certa noite eu me encontrava em Boca do Acre, em plena selva amazônica, numa celebração de Comunidade Eclesial de Base. Dona Raimunda, mãe de seis filhos, cujo marido havia partido para a Transamazônica em busca de trabalho - onde ficou quatro anos sem dar notícias (e ela soube que, lá, ela constituíra outra família) -, disse na missa, no momento da Oração dos Fiéis: "Quero agradecer a Deus por me ter dado um outro marido que é um pai bondoso para os meus filhos."

Dona Raimunda se uniu a outro homem que a ajudava na sobrevivência e na educação dos filhos numa situação de extrema penúria. Eu deveria dizer a ela para não se aproximar da mesa eucarística? Naquele momento, o papa João Paulo II, em visita ao Chile, dava comunhão ao general Pinochet.

Querido papa: leio na Primeira Carta de João que "Deus é Amor: aquele que permanece no amor, permanece em Deus e Deus permanece nele" (I João 4, 16). Essas pessoas que citei, e tantas outras que conheço, amam e, portanto, Deus permanece nelas. Devo adverti-las que não são amadas pela Igreja e, portanto, estão proibidas de receber o pão e o vinho transubstanciados no corpo e no sangue de Jesus, o Senhor da compaixão e da misericórdia?

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Leonardo Boff,
de "Mística e Espiritualidade" (Garamond), entre outros livros.





Mar

E já quero mais.

sexta-feira, fevereiro 4

Dúvida cruel


De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, uma lauda equivale a 1.400 caracteres com espaços, li aqui ó.

Se um alqueire paulista tem 24.200 m² ou 2,42 ha e o alqueire mineiro tem 48.400 m² mineiro ou 4,84 ha. Quantos caracteres com espaços teria uma lauda em Minas Gerais ? Pela lógica dos números 2.800 caracteres com espaços, ou não!

Receita de saúde

Via Mana Lilly - clique na imagem para melhor ver