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sexta-feira, abril 25

Passarinhos


Pois não é de ver que quando criança, lá em Belo Horizonte, eu criava passarinho preso em gaiola! Não existia lei que proibisse nem educação ou informação sobre o mal que fazíamos. Eram muitos, de várias espécies e cores. Sabiás com seu triste cantar matutino, canários-da-terra sempre sozinhos, juntos a outros, briga certa. Luta até a morte, gladiadores em armaduras de puro ouro, um horror em sangue.
Papa-capins, coleiras, sanhaços multicoloridos que no seu esbanjar de frutas sujavam tudo. Nas paredes, ficavam quadros de respingos de laranja, mamão, goiaba, banana, melancia em pintura multicor, dignos de grandes mestres abstracionistas selvagens, se é que este movimento existiu.

Curiós e bicudos, nobres em posse e clássico canto.
Bicos-de-lacre miúdos em gaiolinhas que mais pareciam caixinhas para gafanhotos chineses. Certa feita, no mercado central, comprei uma araponga. Durou dois dias. Um para acostumar com o ambiente, outro para “cantar”. Na tarde do segundo dia, lá fui eu devolver a bela ave. Rebelião de todos da casa contra o ferreiro emplumado. Perdi.

Não criava passarinho por gosto, mas por imitação. Todos criavam. Então, para ser aceito, eu tinha os meus. Moleque, criado na rua, tinha limitações. Não sabia jogar bola na “graminha”. Só era escalado quando a bola era minha. Mesmo assim no gol. Nunca usei bodoque. Minha natureza não permitia matar bicho.
O único peão que tentei jogar me custou oito pontos na testa no Pronto Socorro da Bernardo Monteiro.
Era muito bom em Bentialtas, variação do beti daqui.

Gostava muito de ler. Coleção toda de Júlio Verne, Monteiro Lobato e todos os Tarzans de Edgar Rice Burroughs. Viajava longe lendo Delta Larousse e Britânica. Ficava meio deslocado das crianças de minha idade. Também não sabia namorar. Já adolescente, passei aos clássicos. Sem cronologia: Homero, Virgílio, Dante, Platão, Sun Tzu, Maquiavel, Tomás de Aquino, Cervantes, Joice, Thomaz Mann, Fernando Pessoa e tantos outros. Lembrança especial dos escritos de Mark Twain e Oscar Wilde. Claro que nossos imortais – oficiais ou não – não faltaram. Machado, Guimarães Rosa e Quintana, meus preferidos.
Fiquei mais esquisito ainda.

Meu gosto musical também destoava. Meu olhar já se desviava para os pequenos mundos. Acompanhava carreira de formiga por horas. Dias vendo tanajura cavar buraco. Colecionava casca de cigarras rompidas em muda final. Caçava vaga-lumes. Deitava no quintal para ver estrelas, ver nuvens se transformado em índios e elefantes. Inventava e contava para mim mesmo histórias imensas. Irrequietos pensamentos sempre a fervilhar. Em resumo, era um menino no mínimo estranho. Adquiri certa normalidade quando adolescente. Mesmo assim, quem me conhece sabe desta “normalidade”. Antes preocupado com as esquisitices, com o jeito diferente de ver as gentes e o mundo. Hoje, acostumado, sigo murmurando histórias e olhando estrelas.
Os passarinhos. Um dia, coloquei-os em duas imensas gaiolas, subi a até perto da torre da TV Itacolomy no alto da Serra do Curral, cortando caminho pela favela “Cabeça de Porco”, lá do alto, perto do céu, abri as portinholas. Foi, acredito eu, a mais linda e colorida revoada que Belo Horizonte já viu sem notar. Desci chorando alegria e, desde então, não prendi nem pensamento. Como os meus bichos, ganhei liberdade.




Publicado Jornal Correio em 25 /04/2013


https://drive.google.com/file/d/0B3a7BJIdLwOhVUYzZUZKUmphXzg/edit?usp=sharing

quinta-feira, setembro 9

Abaeté dos Mendes

Quando foi a última vez que você olhou para o céu à noite? Não para procurar avião, não para ver foguetório em festa de ano novo, não apenas pra ver se vai chover para poder escolher roupa. Quando foi a última vez que você admirou estrelas, um pôr-do-sol de tirar o fôlego, um arco-íris, um barulhento bando de maritacas, o vôo silencioso de garças ou para observar, com atenção absoluta, gavião a caçar, e às vezes, ainda a fugir em disparada de mãe beija-flor ou Bem-te-vi atrevido? Me conta, quando foi?

Por essas e outras, apesar de olhar sempre para o alto, é que procuro o silêncio, o encanto e a paz de um lugar onde o tempo é o que menos importa e o céu reina absoluto, dono de todas as atenções. É lugar assim que quero para mim quando puder dar um tempo, quando criar coragem de deixar meus bichos de lado por um prazo e cuidar da vida, da minha vida.

Busco calma de uma varanda onde as portas não têm tramela, casa aberta para praça sombreada e calma onde reina o ócio de bancos vazios, sempre a esperar gente que não vem. É para lugar assim que quero ir. Onde possa escutar tropel de cavalos, o tilintar de arreios e adornos de arreata, em passo compassado e firme.

Onde, embalado ao som dos galos da madrugada, possa deixar memória solta e, em mesa bem talhada, repleta de histórias, bem de frente a ampla janela a respirar vento, poder tranquilo tamborilar os dedos por teclado e me dedicar em contar o que vi, o que pensei que vi e o que gostaria de ter visto. Poetar sem ser incomodado, criar histórias longas e repletas de detalhes, cópias de vida vivida, observador do passar na janela, dando rumo incerto a tanta coisa certa.

Ouvir cão latir longe e poder imaginar motivo. Bem dizer pios de coruja perdida, sem pouso. Tornar-me capitão das letras agrupadas em trincheiras e campos abertos, escondidas em matas fechadas repletas de sacis e caiporas. Dono do próprio nariz e relógio, fazendo minha hora, ao ponto, mal passada, cheirando tempero e lenha de fogão.

Nunca perder concorrido jogo na quadra pública para o qual vem gente de toda banda, jogo esse anunciado em rádio e comentado por todos. Amigos, parentes, agregados ou não, se juntam em algazarra de passarinho para futebol perneta, em desfile de feliz falta absoluta de preparo físico. Em sábado antes do almoço, vencer é aguentar dois tempos sem que os bofes venham ao chão, sem ataques ou refluxos. Queimação. O importante é ali se deixar ficar e, após o suador da peleja a melhor parte: encontro no boteco para desespero das companheiras, que de pirraça, ameaçam apagar churrasqueira e em silencioso protesto se juntam aos suados maridos como a mostrar-lhes culpa que não existe.

Onde é esse canto? Pode ser aqui encostado, pode ser uma Martinésia, um Prata, um sonho. Uma praia em Prado às margens do rio Caravelas. Pode se a ilha da Cassumba onde a observação dos bichos da restinga nunca cansa. Pode ser beira mar, beira rio ou pé de serra, mas nesse exato momento, mesmo sem conhecer de corpo presente, mas viajando em narrativas de amigos, hoje meu paraíso pensado tem endereço, tem nome, tem história e se chama Abaeté dos Mendes, lá pelas bandas de Rio Paranaíba.Um lugar abençoado e protegido de nossa imensa e variada Minas, uma catedral viva em harmonia plena com o bem viver. Ainda vou lá, me aguardem.





Em um dia de agosto de 2010

sábado, setembro 25

Olhar para o céu





Quando foi a última vez que você olhou para o céu à noite? Não para procurar avião, não para ver foguetório em festa de ano novo, não apenas para ver se vai chover para
poder escolher a roupa. Quando foi a última vez que você admirou estrelas, um por do sol de tirar o fôlego, um arco-íris, um barulhento bando de maritacas, o voo silencioso de garças ou para observar, com atenção absoluta, gavião a caçar e, às vezes, ainda a fugir em disparada de mãe beija-flor ou bem-te-vi atrevido? Me conta, quando foi?

Por essas e outras, apesar de olhar sempre para o alto, é que procuro o silêncio, o encanto e a paz de um lugar onde o tempo é o que menos importa e o céu reina absoluto, dono de todas as atenções.

É lugar assim que quero para mim quando puder dar um tempo, quando criar coragem de deixar meus bichos de lado por um prazo e cuidar da vida, da minha vida. Busco calma de uma varanda onde as portas não têm tramela, casa aberta para praça sombreada e calma onde reina o ócio de bancos vazios sempre a esperar gente que não vem. É para um lugar assim que quero ir. Onde possa escutar tropel de cavalos, o tilintar de arreios e adornos de arreata em passo compassado e firme.

Onde, embalado ao som dos galos da madrugada, possa deixar a memória solta e, em mesa bem talhada, repleta de histórias, bem de frente à ampla janela a respirar vento, poder tranquilo tamborilar os dedos por teclado e me dedicar em contar o que vi, o que pensei que vi e o que gostaria de ter visto. Poetar sem ser incomodado, criar histórias longas e repletas de detalhes, cópias de vida vivida, observador do passar na janela, dando rumo incerto a tanta coisa certa.

Ouvir cão latir longe e poder imaginar motivo. Bem dizer pios de coruja perdida, sem pouso. Tornar-me capitão das letras agrupadas em trincheiras e campos abertos, escondidas em matas fechadas repletas de sacis e caiporas. Dono do próprio nariz e relógio, fazendo minha hora, ao ponto, mal passada, cheirando tempero e lenha de fogão.

Nunca perder concorrido jogo na quadra pública para o qual vem gente de toda banda, jogo esse anunciado em rádio e comentado por todos. Amigos, parentes, agregados ou não, se juntam em algazarra de passarinho para futebol perneta em desfile de feliz falta absoluta de preparo físico. Em sábado antes do almoço, vencer é aguentar dois tempos sem que os bofes venham ao chão, sem ataques ou refluxos. Queimação. O importante é ali se deixar ficar e, após o suador da peleja a melhor parte: encontro no boteco para desespero das companheiras, que de pirraça, ameaçam apagar churrasqueira e em silencioso protesto se juntam aos suados maridos como a mostrar-lhes culpa que não existe.

Onde é esse canto? Pode ser aqui encostado, pode ser uma Martinésia, um Prata, um sonho. Uma praia em Prado às margens do rio Caravelas. Pode ser a ilha da Cassumba onde a observação dos bichos da restinga nunca cansa. Pode ser beira-mar, beira-rio ou pé de serra, mas nesse exato momento, mesmo sem conhecer de corpo presente, mas viajando em narrativas de amigos, hoje meu paraíso pensado tem endereço, tem nome, tem história e se chama Abaeté dos Mendes, lá pelas bandas de rio Paranaíba. Um lugar abençoado e protegido de nossa imensa e variada Minas, uma catedral viva em harmonia plena com o bem viver. Ainda vou lá, me aguardem.


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segunda-feira, junho 17

Gente estranha I e II





Esta não é uma crônica política nem ideológica. Ė uma constatação nefasta.

A vida vai levando nossas emoções, paciência, tolerância e mais algumas coisas em banho-maria, em quentura de fogo baixinho. Braseiro de fogão de lenha em amanhecer. Parece só cinza, um calorzinho vai saindo leve que nem a chapa esquenta. Mas bastam alguns gravetos, uma palha de milho e um sopro ligeiro de quem mal acordou, para que as brasas virem fogo e logo, no calor de manhã fria, água entre em fervura para café coar.

Andava eu assim, em cinza morna, observando, observando.

Quando criança, filho de oficial da marinha americana, morávamos em uma das cidades mais frias dos EUA, na divisa com o Canadá, às margens dos Grandes lagos. Próximo à nossa casa havia um pequeno pântano que, claro, éramos proibidos de cruzar, embora fosse um atalho dos bons para chegarmos à escola. Como toda criança normal seguíamos nosso irmão mais velho pelo short cut, Ele pra variar sempre nos xingava e nos ameaçava de afogamentos, areia movediça e pé-grande ferozes. E adiantavam as ameaças? Eu e minha irmã mais nova o seguíamos à distância e ele fingia não nos ver. Numa dessas consegui, à custa de uma boa surra posterior, capturar uma linda rãnzinha verde, de olhos imensos e coraçãozinho disparado na palma de minha mão.

A tunda valeu, pois minha mãe me deixou ficar com o bichinho, contanto que cuidasse dele com carinho e o soltasse junto à sua família uma semana depois. Mesmo com todo o zelo que tive dois dias depois a rãnzinha morreu. Entrei em choque devido à culpa que senti. Copiosamente chorei e fiz seu enterro em nosso jardim. Coloquei até cruzinha na sepultura, apesar de minha família judia. Foi a única cara feia que vi meu pai fazer e não era pela morte do bicho. Até hoje sonho com isso.

Por motivos de doença de meus avós maternos tivemos que voltar para o Brasil. Minha mãe era mineira de Teófilo Otoni. Como conheceu e se casou com meu pai já é outra deliciosa história. Hora conto.
Chegamos nas asas da PANAIR em um reluzente Constellation, depois de mil escalas, incluindo uma em Havana. Opa, já sei! Vão me chamar de comunista, pois pisei em solo cubano. Contudo, aviso que não almocei com Fidel. Ah, para aqueles que detestam história, a época era a do ditador sanguinário Fulgêncio Batista.
Já no Galeão, mais uma demonstração de que os bichos seriam minha vida. Enquanto todos passavam pela alfândega e migração, eu corria de um lado para outro com uma caixinha pegando moscas. Nunca tinha visto aqueles “passarinhozinhos” na vida!

Assim, fui cuidar da vida, reaprender português, criar passarinho de pena e canto, galinha e pato, como era moda entre os meninos em Belo Horizonte, onde nasci e retornava para morar. Ah, meu querido Manoel de Barros, o meu quintal era maior do que o mundo!
Possuía uma infinidade de espécies de saíras coloridas, canarinhos, bicos-de-lacre, sabiás e outras tantas espéciestodosem gaiolas.

Cuidava deles com carinho e admiração. Cores e cantos, minhas jóias. Enquanto outros meninos usavam estilingues e bodoques, eu os criava e não admitia matar bicho em meu reino/quintal.

Um domingo de brilho indescritível amanheceu naquele céu de 1965. O entorno era cinzento e negro. Meu país sofria horrores.
A criança de nada sabia. Via mas não entendia.

Domingo de luz. Tinha acabado de tratar de todos os passarinhos. Sentei-me à sombra de frondosa goiabeira, minha morada preferida em meu pequeno domínio. Ouvia meus passarinhos em canto, que soava naquele dia mas pareciam clamores de tristeza como grito de sofrimento e morte. Um estalo! Em grande gaiola coloquei quase todos juntos e com ajuda de amigo subimos até as torres da TV Itacolomy, passando pela favela do Pindura-saia.

Às minhas costas Belo Horizonte, à minha frente a mata do Jambreiro. Naquele tempo era do povo, hoje uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), de ninguém menos do que a assassina Vale. Abri as portas das gaiolas, o céu se pintou em milhões de cores e pios, o bater asas a fazer vento em rosto de menino que, sem saber motivo, chorava. Contraditoriamente, foi um dos dias mais felizes da minha vida. Tinha descoberto meu fado. Cuidar de bicho e de planta, zelar pela vida por menor que fosse.

Desci a Serra do Curral correndo e chorando a rir. Sentia-me o mais feliz dos seres. Assumi essa missão, que tento a duras penas seguir. Passei décadas a defender os mais estigmatizados dos bichos, briguei por corte de árvore, plantei e vou plantar muito ainda. Salvei centenas de colméias de abelhinhas dos fornos de carvoeiras. Esparramei abelhas e sementes. Assim vou ser até o fim. Acredito nos bichos e nas plantas, em gente muito pouco.

Gente estranha II

Agora, nos últimos meses, fecho o tempo a contar, coração acelera em raiva, sangue nos olhos de tristeza e revolta.
Não dá mais. Sobre leve graveto ou palha de milho o fogo veio alto. Se não houver válvula de segurança vai explodir. Juro, nunca vi tanta besteira em tão pouco tempo. Sei que vai virar aquela polêmica chata, tipo Atlético versus Cruzeiro. Podem espernear, recitarem receitas de bolo pronto, culparem os anteriores e o escambau. Aviso que não terão resposta de minha parte. Dessa forma, podem ofender com gosto e com toda estupidez que lhes é particular. Minha intenção não é polarizar mais essa política nefasta que andamos a viver. Nada de direita versus esquerda. A discussão fica muito pequena. É reducionismo em excesso (podem chamar de circunlóquio ou até de pleonasmo, mas quem não sabe definir comunismo com imparcialidade não vai saber nem do que estou a falar). Eu não aguento mais!

O país está divido entre os defensores de Darth Vader, nascido Anakin Skywalker e o resto. Aliás, para aqueles o “resto” é comunista. Para mim nenhum conseguiu definir “comunismo” de maneira convincente e de fato nem sabem o que significa. Há também o socialista, cujos primeiros o consideram um perigo. Alimentam a ideia de que irão entrar em suas casas e “socializar” tudo que é seu. Misericórdia Divina, quanta ignorância!
Não dá mais para segurar a bronca. Entre as muitas besteiras vou naquelas que me diretamente me irritam com força, como se aquela criança lá do começo fosse atacada na alma e sóme refiro ás mais recentes, O espaço é pouco. Dá para aguentar? Logo de cara tentou-se acabar com o Ministério do Meio Ambiente, levando em conta quem lá está até que poderia se pensar nisso novamente.

Reproduzo aqui parte de texto de João Lara Mesquita de 24 de maio de 2019, publicado no Estadão sob o título “Cancun em Angra dos Reis, nova bobagem de Bolsonaro”. Disponível em https://marsemfim.com.br/cancun-em-angra-dos-reis-bolsonaro/:

Ele está no poder há apenas cinco meses. Cinco meses de confusões, bate- cabeça entre a cúpula do governo; discursos desconexos, trocas de ministros, etc. Na área ambiental não foi diferente. Exoneração do fiscal que flagrou Bolsonaro pescando na ESEC de Tamoios; abertura da área do banco de corais Abrolhos para prospecção de petróleo; ameaças infantis de abandonar o protocolo de Paris; de transformar o MMA em apêndice do ministério da Agricultura; acusação sem provas ao Fundo Amazônia cujos parceiros estranharam; ameaças de acabar com as multas do Ibama; creditar o aquecimento global a um plano orquestrado por comunistas e mais. Não por acaso, o desmatamento na Amazônia explodiu este ano. Agora vem a estapafúrdia ideia de importar a cafonice brega, criando uma Cancun em Angra dos Reis, justamente nos 5% da baía de Angra formada pela unidade de proteção integral, ESEC de Tamoios! Simplesmente, para um site especializado em meio ambiente marinho, não há como não repercutir mais esta idiotice.”

Gonzaguinha, onde estiver: “Não dá mais prá segurar, explode coração”.





Diário de Uberlândia dias 9 e 16 de junho 2019

quarta-feira, outubro 29

Pernas, pra que te quero?

Pernas, pra que te quero?
Se preciso correr, por favor não me falhe
deixe meus medos em poeira vermelha de terra massapé
Assim, saberei com certeza o quanto me vale.

Pernas, pra que te quero?
Em minhas andanças de vida não venha com manqueiras
conduz meus sonhos e desejos por estradas curvas e tortuosas
Me faça correr galope forte entre deliciosas e frondosas mangueiras

Pernas, pra que te quero?
permita que eu ande sempre descalço, carregue meus pés, me faça bom de bola
Em campo de várzea, grama, terra ou areia,
Dribles e fintas de craque que na vida, deita e rola

Pernas, pra que te quero?
Me faça por favor fiel aos meus princípios principalmente pessoa sem heróis
Que me bastem amigos verdadeiros, homens, mulheres ou bichos
Assim, em comunhão, viveremos em cores de perfeitas auroras boreais

Pernas, pra que te quero?
Para a vida agradecer

quarta-feira, julho 18

Ninguém merece!



Primeiro dia de curtas férias. Rompi os ligamentos do dedo médio e logo da mão direita. Rezando é que eu não estava.

Dedo em martelo disse o médico. Pareço venda de cidade pequena: Dedo em martelo, colédoco em ponta de lápis... Passei ontem por cirurgia. Estou agora sem poder fazer um monte. Seis semanas com fio de aço nos ossos. Seis semanas quase no estaleiro. Meus bichos, meus baculejos, minhas plantas, terra, água. Fico limitado em lidar com o que mais gosto.

É praga? Quebrando? E eu hein, cá a digitar com menos um dedo. Vou em busca de benzeção, Mãe de Santo forte para ajudar. Peço proteção aos Orixás.
Folha de arruda, erva-de-guiné ou mucuracaá, banho de sal grosso, defumadores.
E reza, muita reza

Aqueles que me tem apreço
Rezem por mim.
De coração agradeço


"Leva o que trouxeste!...
Deus me benza com sua santíssima Cruz!..
Deus me defenda dos maus olhos e maus olhados
e de todo o mal que me quiserem fazer...
Tu és o ferro e eu sou o aço;
tu és o demônio e eu sou o embaraço...
Padre, Filho, Espírito-Santo."











segunda-feira, setembro 28

Aprendendo a viver





Vivo falando de bichos, sei bem. Como não se deles absorvo energia e a esperança de vida. Tento retribuir de alguma maneira. Não, não os alimento, não faço cevas para o simples apreciar, nada contra, mas penso no dia em que não puder colocar a fruta fresca, a quirera, o miolo de pão. Não quero amor por dependência nem de bicho. Por muito tempo, servi água com néctar para beija-flores, eram dezenas, formatos e cores deslumbrantes, brigavam os grandes com os pequenos colibris que tinha que ser mais ligeiros. Depois vieram as cambacicas e abelhas arapuá.

Um conselho de amigo dos pequenos de penas. Não se aventure a alimentá-los sem orientação de quem conhece, pois a sua maravilhosa ação, repleta de carinho e gosto pelo belo pode ser remédio mortal a eles, se usar açúcar refinado, então, é sentença de morte, diarreias e inflamação de língua os levarão. Sem saber, estará dizimando joias da arca da natureza. Você não notará, pois sempre aparecerão outros no lugar dos perdidos. Prefiro plantar árvore e flores, deixar crescer e dar fruto/flor. Assim, eles virão por vontade própria e irão embora prometendo volta quando comer acabar.



Árvores que plantei muitos anos atrás, hoje são cenário de sinfonia de passarada, meus morcegos bailam em rasantes inofensivos em diários espetáculos noturnos. Uma alegria contagiante de viver. Como a Maude do Harold de “Ensina-me a viver”. Vi o filme em 1971 ou 72, não me lembro bem quando, a sala de cinema da Imprensa Oficial, em Belo Horizonte, se dava ao luxo de passar apenas filmes bons. Hoje, não sei, será que virou templo de igreja como o Cine Pathé na Savassi?

Semana passada, fui rever em adaptação para teatro com Glória Menezes e Arlindo Lopes e grande elenco, sempre quis escrever isso tipo – siga aquele carro! – nos papéis principais. Montagem impecável, dinâmica. Cheguei meio desconfiado, pois conhecendo do cinema queria ver como seria a adaptação para o palco. A tradução de Millôr Fernandes foi a base de tudo, pelo que sei. Pequena dificuldade para a última cena. No cinema, Harold desembesta estrada acima em seu carro fúnebre e o mesmo (o carro) voa em despenhadeiro. Pausa, silêncio, câmara fixa no alto da estrada, de lá me vem um Harold feliz, livre, tocando banjo/presente ao som de Cat Stevens. Aprendeu a viver. Direção e adaptação de João Falcão consegue o efeito com recursos visuais e sonoros. Valeu a pena! E muito.

Sorte dele que não mora no Brasil, pois teria comprado extintor ABC por medo de multa e que, como aquela caixinha de primeiros socorros, lembram, de obrigatório virou acessório. Acessório obrigatório? Como certa feita indagou um irmão meu ao ser abordado sem a tal caixinha na Rodovia dos Inconfidentes.

Ia falar de canto de passarinho, pois hoje, manhã toda, sabiá cantou sem trégua à janela de meu laboratório. Parece que até meus escorpiões estavam mais animados. Todos precisamos de uma Maude na vida, a minha me aparece em forma de bichos, plantas, nuvens, vento – insignificantes para a maioria – para mim? Ensinam-me a viver.






Em Jornal Correio de 27 de setembro de 2015



https://drive.google.com/file/d/0B3a7BJIdLwOhYW1IaTg4RmZxeHc/view?usp=sharing

sexta-feira, janeiro 12

Encomenda

Acordei às cinco da manhã assim do nada. Talvez o movimento dos bichos pois o dia anda a clarear cedo. Não pensei duas vezes, virei de lado, puxei a manta de tear e pensei lá com meus travesseiros – levantar que nada! O escuro do quarto e o ar-condicionado no 23 me compeliam a ficar quietinho a hibernar, os trovões e uma provável chuva acrescentavam um tempero de ali ficar. Sorri buscando o sonho não terminado. Queria saber o fim. Era de muita paz. Adormeci profundamente outra vez, não achei o sonho, mas vieram outros. Acho que sonhamos mais quando retomamos sono interrompido, assunto para especialistas em ritmo circadiano e coisas e tais. Acho. Não sei dizer quanto tempo passou quando em um susto o telefone tocou histérico.

 Assustado procurei do outro lado da cama, claro não achei nada. Tinha passado uma semana fora em viagem e o dormir em outra cama que não a minha descontrolou a rotina do levantar. Troquei a perna direita pela esquerda, o travesseiro escorregou pela falta de apoio. Dei uma guinada na cama como se estivesse abaixando para fugir de um rabo-de- arraia. Agarrei o celular a atender. Era da portaria. Um vizinho amigo ausente de sua casa solicitando se poderia pegar uma encomenda para ele. Claro que sim! Levantei-me de pronto, na afobação calcei apenas uma das velhas havaianas e, de pijama, isso mesmo que ouviu ou leu, pijamas, durmo assim, não consigo dormir pelado, me sinto nu, putz essa deveria ir para o concurso dos trocadilhos infames capitaneadas por Maurício Wincler, Flávio Pacheco, Edson Denisard e companhia - “a regra é clara” Não acho que seria desclassssifiiiicadaaaaaa!

 Levantei-me calçando apenas um pé das sandálias, olhos inchados de sonhos e o cabelo parecendo uma macega em terreiro mal carpido. Ah, e sem meus óculos displicentemente largados no criado mudo ou para ser politicamente correto no móvel servidor com carteira assinada incapaz de proferir palavra alguma (mundo ficando sem graça). Desci a passos largos para buscar o solicitado.

 

O rapaz da entrega me olhou de cima para baixo com estranhamento. Cabreiro, estendeu o pacote com as pontas dos dedos, olhos fixos no pé sem sandália, sei lá se “isso” vai me avançar, deve ter pensado. Ia quase indo embora quando de estalo se voltou a perguntar – será que poderia me dar número de um documento seu se não for incomodar muito? Quase uma súplica? Ainda meio tonto de sono e confuso pela claridade e pouco enxergando sem as lentes salvadoras, misturei CPF com RG. 

Ele, entregador, percebeu, mas acho que também pensou – vou cutucar esse doido mais não... Estava ele preste a subir em sua moto, falei eu: Pera aí! Ele gelou, percebi, pois tentava ligar a moto mas confundia com o pedal de partida. Por debaixo do capacete senti que ele empalideceu. Olhou com olhos quase a saltar da órbita. Perai, repeti, tá errado! Acho que ele pensou em largar até a CG 125 e sair na carreira... Não, tá tudo certo, deixa eu ir embora por tudo que há de sagrado! Ele não disse isso, mas a expressão corporal demostrada era como se tivesse dito. O número do RG não é esse. 

Ele quase chorou de alívio enquanto eu de cá ditava o número correto (acho que ele não anotou). Voltando, cruzei por moradores que pouco me relaciono. Me olharam com estranheza, dispensei o bom dia. Aqui já tenho uma fama de ser meio estranho, de ser o cara que conversa com bichos e plantas... Outro trovão e a chuva recomeçou mais grossa. Não entrei, à porta de casa me deixei ficar. A água lavou meu rosto, ajeitou meu cabelo e encharcou uma alma feliz e lógico o pijama. Depois disso, só banho e café quente. O dia mal começava. Abençoado dia! Que cheguem mil encomendas, se aqui estiver com prazer recolho.






Diário de Uberlândia 12/01/2024



quarta-feira, novembro 3

segunda-feira, abril 1

Dedo em martelo





Foto da radiografia  de meu dedo pós cirurgia

Existem coisas que acreditamos só acontecer com os outros. Alguns meses atrás estava eu a limpar azulejos de banheiro em dia de faxina.

Em janeiro completaram-se 6 anos que não temos ajudante em casa. Enquanto nossos filhos eram pequenos era simplesmente impossível ficar sem alguém para nos dar apoio, mas, hoje, crescidos, cada um faz a sua parte e, assim, conseguimos juntos tocar as tarefas domésticas.

Com divisão de afazeres tudo fica fácil. Além do mais, as despesas geradas com ajudante são altas, se você for correto, o que sempre fomos. Carteira assinada, férias, licença-maternidade, tudo à risca como determina não apenas a lei, mas a nossa consciência pouco dada à escravidão alheia. Sai caro.

Eu a limpar azulejo, quando em descuido, dedo escorrega e bate firme no piso. A primeira falange do dedo médio, no popular, a ponta do dedo, simplesmente entortou, formando um ângulo reto quase perfeito. Tentei colocar no lugar sem sucesso. Não havia dor alguma.

Hospital lá fui eu. Atendido por competente ortopedista, com um simples apalpar, depois confirmação radiológica, o diagnóstico: dedo em martelo. Nunca tinha ouvido falar disso. Vivendo, aprontando e aprendendo. A solução deu frio na boca do estômago: cirurgia. Introduz-se um pino na ponta do dedo que atravessa os ossos e fica o pendoado e sofrido pedaço de mim em posição normal. Ali ficaria por seis semanas. Um pequeno gancho do lado de fora, broto de Wolverine do interior das Minas.

Medo natural de sala de cirurgia; tinha passado por poucas e boas recentemente. O sentimento de impotência e fragilidade companheiro de outras intervenções. Mas como não havia outra solução lá fomos nós.

Mais uma vez faço questão de citar a competência do ortopedista que, com destreza e agilidade, em poucos minutos colocou o gancho, lá estava, mas sem patente de capitão.

Semanas estranhamente cômicas. Não faltou dia sem engarranchar em algo. Toalhas, roupas ao vestir, suplício. Aos enroscos e trapalhadas passaram-se os dias sem que eu pudesse fazer o que mais gosto: sair em expedições de captura e estudo de escorpiões e morcegos. Suportei valentemente.

Chegado o dia marcado, lá fomos nós para retirar o metal. Com segurança e mão firme em mais uma demonstração onde se misturam saber e prática, com simples alicate, lá se foi o pino imobilizador. Passou alguns exercícios e pediu retorno.
Observou-se que o dedo não tinha voltado totalmente para o lugar. Manteve ligeiro entortar, coisa pouca. Outra cirurgia foi recomendação.

Muito serviço, viagem marcada, ficou para depois.

Meses se passaram e vou eu postergando essa nova passagem por tratamento. Além do que, me acostumei com a ponta agora ligeiramente caída. Por incrível que pareça, vem até facilitando minha vida em algumas atividades. Digitar é uma delas, o dedo já está virado para o teclado, ficou simples alcançar algumas teclas como o “cê-cedilha” e os acentos.

Ficou também fácil manusear minhas pinças, tanto no campo quanto em laboratório na lida diária com meus bichos. Até abrir lata de cerveja ficou mais fácil.

Desconheço as consequências em longo prazo de não restaurar a funcionalidade normal desse meu ex-quase-dedo em martelo.
Mas vou levando assim mesmo, virou marca registrada. Só não posso, nem devo usá-lo como conhecido gesto obsceno. Fica virado para mim, pega mal.




Publicado Jornal Correio em 1º de abril de 2013


domingo, fevereiro 9

Dias loucos

As grandes janelas de vidro estão cobertas de espuma. Paro e fico a observar as bolhas pela nesga de sol, que nos concede o privilégio de capturar, nem que seja por breves segundos, um belo arco-íris por leas capturadas, carro alegórico do instante. Como ser vivente elas, as bolhas, escorregam calmas pela superfície translúcida e se deixam ir. Algumas dão de encontro a outras maiores e se fundem em uma só, levando consigo seu colorido arco de sete cores. Mesclados, parecem se abrir em sorrisos. Seguem. Mais alguns momentos se abrem como frutos a espalhar sementes e devolvem ao sol e ao céu adorno tomado emprestado. E eu, testemunha e jurado do deslumbrante desfile, grito em silêncio só meu: Dez, nota dez!

Que semana doida. Combinado, prometi não falar mais de joaninhas. Não que o assunto esteja esgotado, mas acho que já deu para você meu amigo, minha amiga. Se alguém ainda tem alguma dúvida sobre a importância das pequenas fique à vontade para fazer contato. Podemos conversar horas sobre o assunto. Aliás, conto outra vez o encontro que tive em um destes acasos do viver, com um senhor na fila da padaria. Cenhoso, em voz alta e me apontando sua bengala como espada:

─ Você encheu minha casa de bichos! Claro, todos os olhares da renque matinal se dirigiram a mim. Fiquei sem ação. Paralisado em quase súplica consegui um hesitante e baixo “mas o que é que eu fiz?” Abrindo-se em sorriso largo e matreiro, também em tom de trovão, respondeu: Uai, quase só tem bicho em suas crônicas de domingo! Chegou mais perto sussurando:

─ Contínua, me faz lembrar minha infância.

Olha, vou te contar, foi o maior elogio que recebi em toda minha vida. Nem em premiações em concursos literários ou títulos a mim conferidos ao longo da vida, como o de cidadão honorário de nossa Uberlândia e Veterinário do Ano pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária, CRMV MG. Cara, ando pouco modesto hoje, me perdoe. Esse senhor conseguiu prolongar minha vontade patológica de escrever por tempo indefinido. Queria muito agradecê-lo. O que não consegui fazer no momento do “ah, é”. Voltei várias vezes àquela padaria em diferentes horários, mas ele simplesmente desapareceu como outro senhor que tratava das rolinhas todas as manhãs, hora falo dele.

Do nada um forte jato d’água derreteu todas as bolas e os seus adornos coloridos de sol escorreram com pressa no vidro, acelerando na avenida para finalmente sumirem na área de dispersão, empurradas por um imenso rodo. Ficou o vidro/passarela translúcido, à espera de novo desfile.

Que janeiro doido! Um nosso (ex) Secretário Especial da Cultura encenou personagem espúrio? Eu disse nosso? Deus me livre e guarde. Nosso não, deles! Como bem definiu o UOL Notícias: “O Goebbels caipira...”–– e arremata com maestria (…) a degradação da democracia é uma ameaça à democracia...

Lá nas estranjas um embate de proporções inimagináveis entre EUA e a Pérsia, ops Irã, quase descamba ladeira abaixo arrastando o mundo junto. Também a UOL e outros tantos veículos de comunicação nos contam: “China tem 9ª morte provocada pelo coronavírus; já são mais de 400 casos.Transmissão entre humanos causa pneumonia. EUA, Japão, Tailândia, Taiwan e Coréia do Sul também confirmaram casos da doença.”

Outra do mês: Sabe-se lá o motivo REAL, oferecem denúncia contra o jornalista Glenn Greenwald e recebem críticas contundentes do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a OAB e de entidades de imprensa com justa razão.

O UEC empata com o Galo no Sabiá, mas jogou muito bem. Se fosse contra o Cruzeiro seria vitória fácil do Verdão. Vai estar nas quartas de final. Pode escrever.

E para completar, aqui em Uberlândia uma do SOS Uberlândia: “Caminhão Tapa-buracos é engolido - por quem?- Por um buraco(!) declaração de Guerra de guerrrilha Vietcongs no asfalto.

E os escorpiões continuam matando…

Meus amigos, minhas amigas, afirmo, prefiro falar de bichos a abordar tanta coisa estranha. Entre a benignidade e a malvadez, fico sempre com a primeira. Daí falar tanto de plantas, bichos, anjos, estrelas e sonhos. Mas, como sempre digo: Tem dia que de noite é assim!

Bom domingo.


William H Stutz
Diário de Uberlândia em 02/02/2020 - Belo palíndromo

segunda-feira, setembro 29

Meus bichos

Parição dela acabou agorinha. Clique nas fotos para ampliar e observar a beleza dos detalhes.
Tityus bahiensis - perpetuação maravilhosa.





Bothriurus araguayae - mascotinha, será solta hoje, foi salva!

quarta-feira, abril 22

Ciência

Explorar, tatear, investigar.
Como afiado trado a penetrar terra de cultura faço furos nos mistérios de meus bichos.
Acordei hoje disposto a desvendar mais alguns. Vamos ver, vamos ver...

quinta-feira, março 11

Viagem

Turminha sai agora mesmo com destino a Belo Horizonte: missão salvar vidas, produção de soro. Sempre sinto um aperto quando despacho um lote de meus bichos

Clica que aumenta




segunda-feira, outubro 30

Escorpiões




Acreditem, existem muitos humanos bem mais perigosos, traiçoeiros e bem mais "peçonhentos" do que meus bichos.

Fotos: Manoel Serafim - Jornal Correio de Uberlândia

sexta-feira, agosto 25

Animal




Ando meio esquisito, sem paciência.
Caso cumprido conto mais não,
Perco o fôlego, suspiro sem tristeza.
Corto frase no meio, espero entendimento,
Quase nunca vem, sobra desacordo, desavenças.

Ando de prosa curta
Estou ficando monossilábico.
De tanta lida passo a parecer com eles.
Meus bichos.Todos silenciosamente barulhentos, noturnos.
Escorpiões e morcegos, minha vida, minha rotina.

Ando meio esquisito, monossilábico.
Paina ao vento; assim deveriam ser as prosas,leves ligeiras, rumo? Incerto.
Bicho fala pouco, observa.

Ando de prosa curta.
Monossilábico. Velhice?

William H. Stutz
Agosto/setembro 2006

segunda-feira, outubro 10

Trem bom




Imagem coletada na web

Esse tempo está mais para trem bala do que para maria-fumaça. Ligeiro que só, às vezes, não permite nem paisagem. Da janela apenas mistura de cores, riscos azuis, prováveis rios e córregos da infância. Hora ou outra um rosto. Quem será meus Deus? Puxo da memória. A viagem continua em compasso de xote, nossa polca patropi. Não, o ritmo é zumba, de tão ligeiro. Havia um tempo de toada de maria-fumaça, um tango, um bolero manso. Um arrastar gostoso das horas. Ficou longe. “Maria-fumaça não canta mais/ Para moças, flores, janelas e quintais”, cantou Bituca.

Pois sim, lá se vão quase dois anos a morar só. Totalmente adaptado a nova vida. Já não ocorrem os desperdícios de tudo. Não acontece mais o horror de ter que jogar coisas fora por estragarem ou por validade perdida. Achei o equilíbrio. Já assovio sem razão, canto no banheiro, dou risada sozinho. Outro dia pela manhã acordei com um zumbido forte. Será o quê? Pensei. Pernilongos, isso mesmo. Os danados estavam em turma. Parecia festa e o cardápio certamente seria eu. O “seria” é que, já sabendo dos visitantes noturnos (diurnos também para dar com pau), durmo de cortinado. Isto mesmo. Devo ter sangue tipo gourmet, pelo menos para o paladar voraz dos meus alados visitantes.

Se eu estiver no Mineirão lotado até a tampa, em uma final onde jogam Atlético Mineiro, meu Galo de coração, contra o Cruzeiro, seguramente aparecerá um pernilongo. Um só, desavisado, vindo da lagoa da Pampulha, trazido pelo vento direto para o gramado. Ele vai se recompor, aprumar as asas, dar uma olhada na massa alvinegra, obviamente maioria no estádio, e com seu olhar culicídeo vai me achar. Bem lá no meio, com a nossa tradicional charanga, há “mil anos”, entra na arquibancada tocando “Mamãe eu quero” e pimba! Logo estarei coçando. Ele me acha. Acha mesmo!

Certo dia, frente àquela infantaria pernilongal, saquei de minha já famosa raquete eletrônica e, depois de vários sets de luta, estalos e cheiro de mosquito queimado, postei-me no centro do campo de batalha. Centenas de corpos alados se espalhavam pelo chão. Senti-me o próprio Leônidas durante a Batalha de Termópilas. Não lembra? Tem o filme por nome “300: Rise of an Empire”.

Aquela batalha fora minha, mas a guerra, só rindo, nasceu perdida. Enquanto nós humanos continuarmos a criar esses bichos, não tem jeito, pois, para todos eles, fornecemos em fartura casa, comida e roupa lavada. Quem não quer tamanho aconchego? Leila Diniz: — “Cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco”.

O mundo é, e será sempre, dos sôfregos pequeninos.

A vida ligeira que só, me põe a pensar na maria-fumaça e nas estações que à frente estão. Não carece perder tempo em contar quantas ainda temos, mas a velocidade nos trilhos poderia bem reduzir para trote manso, deixando a paisagem passar sonolenta e bela. Um cochilo, vento de serra e perfume de terra molhada. Cada um aperta o maquinista de sua via como quer. Prefiro e assim. Sigo querendo amigo, que seja desse jeito. Mesmo com fornalha em ouro brasa, o resfolegar poderia ser manso, o ranger musical e a viagem bem demorada.






Jornal Correio em 09 de outubro de 2016

quarta-feira, novembro 20

Fábula com PH




Esopo contava como se fosse sapo, mas se assim tranquilo fosse, o sapo iria comer o escorpião, pois é um de seus grandes predadores. Aliás, esse era o motivo do bicho querer atravessar o rio. Ficou sabendo que do lado de lá tinha muita cobra e onde tem cobra sapo não canta, pois vira janta. Já de cá era uma saparia danada e ele vivia andando pelos cantos a se esconder. Assim, lá foi ele buscar recurso para atravessar aquela imensidão de água. Se fosse nos dias de hoje seria fácil, bastaria se misturar a alguma mudança que iria tranquilamente parar do outro lado, sem maiores problemas.

Aí veio La Fontaine e misturou tudo. Sabem como é, quem conta um conto acrescenta um ponto e assim vai. Fica do jeito que cada um quer. A travessia aconteceu de fato, mas foi feita por uma tartaruga que, velhaca que só, também veio com aquele papo de não levar o escorpião, pois temia ser picado no meio do rio e assim morreriam os dois.

O escorpião retrucou. Como vou te picar cara! Primeiro, seu casco é duro como pedra e, mesmo que eu quisesse, apenas o arranharia. Não estou a fim de virar comida de peixe, caso você se sentisse ameaçado. Segundo, se estou fugindo de sapo não vou querer parar dentro d’água.

Além do mais, como vou saber se você não vai me sacanear, mergulhando atrás de um casco de saia ou de algum peixe apetitoso?
Tem lógica, pensou o quelônio. Se lento no andar, era veloz em pensar. Durante a travessia a conversa foi nascendo. Lembraram da história da cigarra e da formiga, que se matou de trabalhar, mas que, com as reformas na previdência, não conseguiu se aposentar. Por conta disto ficou a ver navios e viver de trocados como agente da cigarra. Esta, mesmo com os cortes na área da cultura e com um ministro sem noção, conseguia pontas em novelas e talk shows. Assim, logrou comprar casinha nos estertores do projeto Minha Casa Minha Vida. Com isto ainda cedeu um quartinho nos fundos para a formiga descansar os ossos e o corpo, todo doído de tanto carregar peso vida afora e nunca conseguir uma consulta no SUS para se tratar.

Falaram do sapo que queria ficar do tamanho de um boi e que se lascou de tanta bomba, pensa, anabolizantes de todo tipo. Até de cavalo tomou. Resultado? Também está na fila do SUS no aguardo de um transplante de fígado. Depois de muito falar da vida alheia, lá pelo meio do rio…. Não, não houve a sacanagem da ferroada. Rolou foi a ideia de montarem um negócio de travessia com o nome TartaEscorpion Transportes Náuticos and Rescue. Nome em inglês dava mais moral e já que o presidente humano era obcecado por tio Sam, poderiam até pedir um adiantamento no BNDES. Ficariam ricos, já que o bicho homem estava de sacanice com a natureza, com total vista grossa ao fogo e represas. O empreendimento poderia ser tipo um SAMU de bichos, nas horas de sufoco. E, quando tivesse tranquilo, fariam passeios turísticos ou de guerrilha, levando bichos para atormentar as gentes.

A tartaruga balançou a cabeça várias vezes, molhou a boca e retrucou: Meu, você é bom de negócios! Numa simples travessia criamos uma parceria. Qual o segredo de tanta imaginação? Ah, cara! Quatrocentos milhões de anos aqui no planeta, você tem que ver a negociação que meus ancestrais fizeram com um meteoro. Convenceram a figura a bater na terra bem no meio da península de Yucatán, no México, originando a cratera de Chicxulub e acabar com tudo, menos com os de minha espécie e as baratas que eram e são até hoje nossa mais saborosa comida. Foi um período bem legal, sem concorrência, gente ou políticos. Pena que durou pouco, apenas alguns milhões de anos. Tínhamos acabado de sair da água, mas a bicharada em terra era imensa e feia que doía. Então, nasceu a ideia de termos o planeta só pra nós. Bons tempos, bons tempos.

Cara, vocês eram fera para negócio desde Cretáceo! Na verdade, era o início do Paleógeno, corrigiu o escorpião. Imagina que bom pra nós, pois no começo foram dois anos de total escuridão. Bom demais! Ai, além de tudo, um monstro de conhecimentos essenciais! Sua ideia é simplesmente genial! Tô dentro! Começamos quando? Animou-se a tartaruga.

Que nada, minha amiga cascuda! Nosso negócio será apenas uma startup, “essa é a minha natureza e nada poderia ser feito para mudar o destino.” Vamos rachar de ganhar grana mano!







Publicado em Diário de Uberlândia  em 13/10/2019

quarta-feira, julho 2

O contador de casos











Foto Paulo Augusto - Jornal Correio

Prezado Clarimundo Campos, me tornei íntimo, não vou chamá-lo de “senhor” nem “doutor”, pois esta intimidade nasceu da companhia domingueira de suas crônicas. Podia sentir formas e cheiros em seus escritos. Sua ironia sutil me fascina. Assim dito, peço: Caro Clarimundo, puxe um banquinho e vamos levar um dedo de prosa. É claro que você notou que algumas mangueiras estão floridas em pleno junho. Deu a louca no mundo. As paineiras e os ipês conseguiram misturar suas flores a formar tapetes daqueles feitos para dias santos. Sei que grandes jornalistas, escritores, mestres e afins saberão muito melhor do que eu contar de você. Mas, se me permite, deixa esse simples veterinário criador de sacis, aprendiz de escriba, com meus arremedos de crônicas, prestar tributo a quem merece.

Nunca vou me esquecer do dia em que me telefonou para falar de escorpiões e morcegos. Foi conversa longa e saborosa. Depois nossos contatos se deram por meio de palavras escritas. Você, generoso, me citou por algumas vezes concedendo-me títulos maiores do que o de monarcas e grão-duques. Os recebi com justas e explicadas ressalvas. Nunca fui merecedor de tanto. Contudo, o simples fato de ser lembrado teve o peso de medalha de honra ao mérito. As carrego invisíveis no peito para que todos vejam pelo resto de minha vida.

Talvez, meu caro Clarimundo, o motivo da florada temporã das mangueiras, junto com os ipês e primaveras, tenha sido proposital. Acontecido a mando de anjos e santos, colorindo assim, os caminhos para sua passagem até as portas de grande jardim metafórico, onde tudo são cantos de passarinhos, sol suave, cachoeiras imensas despencando das rochas maciças de um Espírito Santo majestoso. Onde também, a Mata Atlântica com seus bichos e orquídeas ainda existe intocável como você sempre sonhou. Segue feliz o trilheiro Clarimundo. Sua presença está por essas bandas perpetuada em seus casos e saborosos escritos.
Os domingos ficarão menos aprazíveis sem suas prosas, jornal em luto. Literatura perde um desenhista de pensamentos da mais elevada linhagem. A pena se deita, o tinteiro pelo meio se aquietada sem leves cutucadas. Fica um vazio.

Mas alegremo-nos, também há motivos de sobra para tal. Retorna você às estrelas, pois, como elas, somos feitos do mesmo pó, da mesma matéria. Aproveita a viagem. A jornada por esses rincões foi boa, repleta de carinho e amor. Aproveita Clarimundo, meu amigo, para perguntar a idade de São Tomé. Assim, quando sabido em noite de muita estrela e lua escondida, me sopra em sonhos esse segredo. Juro, não conto para mais ninguém. Vá feliz e em paz sabendo que seu clamor permanente em defesa dos bichos e das matas deu muitos frutos.

Fico triste em perder a companhia certa de seus casos, sua crônica inteligentemente republicada nos alertou que nada é para sempre, só acreditamos quando o sempre acontece. Até algum dia mestre Clarimundo Campos. Chegará a hora de novo encontro ao pé de uma serra, com cheiro de mata e chuvisco de cachoeira. Aí, nesse paraíso, baterá a palma da mão na curva da perna e daremos risadas daquelas de dar lágrimas de espremidos olhos e que ecoarão infinitas, atingindo lonjuras. Então, caro amigo, todos saberão de verdade que, em suas palavras, “Tudo é eterno…”






Publicado Jornal Correio em 2 de Junho de 2014



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domingo, fevereiro 9

Naftalina

Tem certas coisas que se eu contar podem até parecer mentira, conversa inventada ou coisa parecida. Mas estas estranhezas levam jeito de só acontecerem comigo. Mesmo assim insisto no falar sobre, depois não me crucifiquem quanto ao fato da maioria dos meus escritos terem bicho no meio, quase sempre como protagonistas. É sina. Fazer o quê?

Chego de treino anoitecendo. Raro isto, pois gosto de minhas corridas no bem cedo da manhã, ar orvalhado, dia querendo nascer. No trecho parece que vejo sonhos saindo sorrateiros de janelas, como a não querer serem lembrados por seus donos no despertar. Talvez aí more a razão de muitas vezes acordarmos com aquela sensação de algo esquecido. Observo os sonhos, lentos a flutuar deixando rastro de pequena lembrança para trás. Escondem-se em cantos calmos e talvez retornem na próxima noite ou hibernem entorpecidos para, só muito tempo depois, se manifestarem em um Déjà vu. Galicismo à parte, por favor. Sonhos fadas, deixemos as quimeras de nosso divagar de lado, se não nem história tem.

Pois sim, suado feito tampa de marmita pelas quase duas léguas entre trotes, tiros e rápido caminhar, nada melhor do que um belo banho, roupa velha desfiada e larga de em casa ficar. Um jantar leve e um esparralhar confortável, a buscar um bom filme para finalizar o abençoado dia.

Nesse zanzar pela casa, no sobe e desce escada, no vai daqui para ali, quem está juntinho ao meu calcanhar? Ora a Princesa, minha gata vira-latas. Aquela já citada aqui várias vezes e que até parece gente. Não, retiro o que escrevi, gente não, seria o estragar da felina. Arrumo: que até parece… gato.

Até quando ao chuveiro, ela fica deitada à porta a me esperar. Não sei se já contei que sempre procura algo meu para dormitar,camisa, mochila, cadeira, mas tem que ter meu cheiro.Torme com um olha aberto e outro fechado, tinhosa que só, Boba nada. Nós é que tentamos ficar com os dois olhos abertos, somos quase sempre pegos de surpresa, em ciladas vindas de tantos e menos esperados seres humanos. Muito a aprender com os bichos, felinos em particular.

Pronto. Já engatilhado um bom e velho filme me ponho a rever pela enésima vez, com prazer, o indescritível “Casablanca”. Humphrey Bogart como Rick Blaine, Paul Henreid, Ingrid Bergman e seu marcante e deslumbrante personagem, Ilsa Lund. Que doido. Não se faz mais tamanha beleza como aquela. Destaque também para Claude Rains, genial na pele do Capitão Renault. Não viu? Não sabe o que está perdendo.

Apenas a luz do abajur acesa, calma e morna. Casablanca rolando. Nada não. Ouço o triturar de ração. Penso, sem pensar, que Princesa come muito devagar e aos poucos. E lá isso é hora de lanchinho noturno? Continuo com olho pregado no filme. Mas não é que do nada olho para o lado e quem vejo? Princesa no maior dos sonos, chegando a ronronar. Talvez algum sonho voltou a visitá-la. Aqui um rápido à parte. Sentindo-se em segurança, bichos dormem profundamente e eu, como Hipnosera, o guardando seu sono. Que Morfeu, que nada! Este era irmão daquele e levou a fama. Típico, como algumas gentes que querem glória à custa do trabalho de outrem, até os deuses gregos podem ser traiçoeiros.

Uai! Se não era Princesa… Mal terminei o pensamento e levantei de manso. Descalço, sem fazer ruído, fui espiar. Só deu tempo de ver o pequeno corpo cinza puxando sua cauda pelada. Um filhotão de gambá! Entrou na mais falta de cerimônia e veio à ceia. Fui atrás para convidá-lo a sair. Sabia que iria me dar trabalho. Nunca mais poderia deixar fruta ou alimento que fosse, pois o danado iria lá. Tornar-se-ia o “Provador oficial” de tudo quanto há. Eu não queria isso.

E agora José? Como despejar o gambazinho sem machucá-lo? Princesa, indócil, já o procurava com o faro e me indicava o seu esconderijo. Mais um perigo. Se os dois se pegassem o confronto iria ser grave. Minha experiência em manejo de animais silvestres me ajudou, em termos. Capturávamos gambás juntos com o Corpo de Bombeiros e com auxílio de gaiola. Agora sei que a Zoonoses de Uberlândia faz cada vez menos, para capturar intrusos. Pois, por experiência própria e de muitos conhecidos que acabam pedindo orientação, a resposta de sempre é: “Não fazemos mais isso”.

Pensei cá comigo, se já conseguimos desalojar morcegos em pequenas colônias com naftalina. Quem sabe daria certo com o meu visitante? Pois fui à busca em plena noite, sem nem trocar de roupa, só percebendo que estava caseiramente mulambado quando notei olhares estranhos a mim dirigidos. Farmácias várias, sem chance. Supermercados seria a derradeira opção devido ao avançar da hora. Com muita busca consegui achar um que tinha naftalina. Sorte total.

Cheguei em casa com jeito de batalha vencida. Espalhei bolinhas pra toda banda. Debaixo da máquina de lavar, fogão e um mundo dentro do motor da geladeira, onde era o seu esconderijo. Resumo da ópera? A casa ficou cheirando caixa de enxoval, como me disse uma amiga. E mais. Princesa, eu, as lagartixas, as aranhas de teia, grandes companheiras, saímos todos. Todos menos quem? O gambá! Ninguém aguentava o cheiro forte daquilo. Aquilo não pode ser bento não. Cria do cão, só pode.

Assim ficou durante dois dias. O visitante saiu certa tarde por sua conta e risco. Acho que se mudou. Não foi a naftalina que correu com ele, foi a falta de comida, pois passei a guardar até fruta na geladeira. Acabou a mamata e ele foi garimpar rango em outras praias. Passei horas catando as bolinhas brancas. Casa ventilada, posso contar que até hoje o cheiro está impregnado.

Arrematando, depois da busca pela naftalina voltei ao meu filme. Esqueci e o deixei rolando. Mais uma vez não pude por atenção se Bogart disse para o ator Dooley Wilson, o Sam do Rick's Café ao piano, famosa frase: “Play it again Sam”. Acho que não.

William H Stutyz
Diário de Uberlândia em 09/02/2020