domingo, dezembro 14

Bom de Morar

Foto do FB de Miryan Lucy Rezende





Em um domingo de novembro, o leitor João Vendramini publicou o seguinte comentário sobre as “melhores cidades para se viver”, conforme ranking BCI100, produzido pelo escritório britânico Delta Economics & Finance para a publicação “América Economia Brasil”, que avalia um conjunto de 77 atributos das cidades do país – publicado em 31 de outubro aqui em nosso CORREIO: “Moro em São Paulo e trabalho em São Caetano do Sul. Mauá em oitavo e Diadema em 15º lugares? Minha opinião: esse ranking é pífio e patético. Pobreza e violência não permitem que essas cidades possam ser qualificadas como “melhores cidades para se viver”. Sinto muito, mas eu não usaria esse ranking para nada.”

Não tem como não concordar com o senhor Vendramini. Só de imaginar a cidade de Santos em fins de semana onde falta até ar para se respirar como a campeã da lista, e Belo Horizonte com seu trânsito agarrado em terceiro, me ponho a imaginar se a turma que elaborou a pesquisa se arriscaria a morar em algumas das cidades que ali aparecem muito acima de Uberlândia, 19ª colocação.

Acho que a pergunta que temos de fazer para estes caras é: “O que vocês consideram qualidade de vida?” Como eles jamais vão me responder, resolvi elaborar a minha lista das 10 melhores cidades para se viver, de acordo com meu gosto particular. Adianto que não vou usar o manjado Índice de Desenvolvimento Humano Municipal no Brasil (IDHM) nem outro indicador oficial. Vou usar o recém-criado IGPW, ou seja, “Índice de Gosto Pessoal de William” que talvez, quem sabe, seja aprovado pela ONU algum dia. Não vou citar nossa cidade, pois posso parecer tendencioso. Uberlândia é hors concours.

À lista: Morro da Garça (MG), Mansidão (BA), Gameleira de Goiás (GO), Onça de Pitangui (MG), Campo Azul (MG), Vila Flor (RN), Harmonia (RS), Nova Esperança do Sul (RS), Peixe-Boi (PA) e Sossego (PB).Sabem, queridos amigos, o que estas cidades têm em comum? Além de nomes extremamente poéticos, belos e sonoros? Nenhuma delas tem mais do que 25 mil habitantes.

E o mais importante: em nenhuma delas foi registrado nem um homicídio nos últimos três anos segundo o “Mapa da Violência 2013 – Homicídios e Juventude no Brasil”, do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, que tem entre seus fundadores expoentes do naipe de Antônio Houaiss, Darcy Ribeiro, Jorge Werthein, Herbert José de Souza, Elizabeth Fox, Gabriel Cohn e Paulo Bonavides, para citar alguns. Bom de morar é onde se tem paz completa. Onde a porta do alpendre fica aberta dia e noite e todos se chamam pelo nome. É lugar assim que quero para mim, onde o belo vence a cobiça, onde o amor e as amizades valem mais do que o “ter”.

Onde podemos parar as vistas e olhar longe, felizes de poder viver nossos mais profundos sonhos. Descansar a cabeça no ombro da pessoa amada, ternura e paz sem ganância ou competição. Instituto algum, com suas metodologias complicadas, equações e planilhas vai saber escolher lugar verdadeiramente bom de viver. Emprestado de Caetano: “E é por isso que eu gosto lá de fora… Porque sei que a falsidade não vigora”.








Publicado Jornal Correio em 14/12/2014





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