quinta-feira, setembro 8

Bené da flauta

Foto de Dimas Guedes, pinçada do FB de Marília Gama



Bené da flauta, com seus bichinhos esculpidos com pequeno canivete em pedra sabão.
Dando vida a elefantes africanos/indianos, vaquinhas, e muitos, muitos outros que existiram apenas em sua imaginação
Se houve certo dia a arca de Noé,
Para sempre lembrança da lata de Bené

Pouco falar, mais a comunicar com sorrisos gestos e sons da alma, sempre calma
Foi-se em cortejo de anjos barrocos, às portas do céu bateu.
— Entra Bené, a casa é sua, pois como santo em terra sempre viveu.
Rôta roupa em iluminado manto luz se transformou.

Abrindo sorriso imenso Bené da flauta quase de alegria a chorar,soltou seu bichinhos mundo a fora agora a puro cantar.
Nem no céu Bené quis falar. Tomou da flauta, sua voz, e ao vento semeou cantigas de passarinhos, que até hoje se espalham no tempo em carinho
Eternizados em lembranças das gentis gentes que o conheceram e dele guardam até hoje suas criações
Sensíveis e raras que são, transmutam vaquinhas, ursos, leões em sonhos, lembranças, alegria/harmonia em corações.

Onde Bené passava, ficava leveza. Pés descalços na pedra lavrada. Íngremes ladeiras, seus corredores, morada.
Lá vem o Bené da Flauta, lá vem, escoltado por cortejo de anjos e querubins
Bené da lata, a arca de Bené
Pureza sua, viva um pouco que seja, me mim.





Setembro 2011

3 comentários:

Maria disse...

Eu não conhecia a história de Bené da flauta até o ano passado quando a escola que meu filho frequenta indicou a leitura do livro "Boca de Chafariz" de Rui Mourão.
Como sempre faço, li junto. Achei o livro maravilhoso e a história de Bené fantástica.

Ando aprendendo muito por essas bandas de Minas...

w h stutz disse...

Felizmente tive a honra de conhecê-lo pessoalmente e ainda ter comigo alguns bichinhos mágicos saídos de sua lata.
Bené, Dona Olímpia, como tantos outros compõem a alma de um Ouro Preto perfeito e passeiam eternamente por minha memória.


Muitas vezes sumidos mas, é só alguém com palavras ou fotos mencioná-los que ligeiros batem à minha porta e sorrindo sempre, dizem um olá e contam uma nova história.

Maria disse...

Que privilégio!

Ouro Preto é mesmo uma riqueza e o ouro, propriamente dito, é a menor delas...