quinta-feira, abril 12

Deu no Correio

Vale apena ser lido!
Senador sem voto te representa?







Senadores biônicos
Ivan Santos
12/04/2007

Em 1990, o então governador Hélio Garcia, que sucedera Tancredo Neves no Palácio da Liberdade, preparou-se para disputar o governo pelo PTB. Garcia convidou o ex-prefeito de Patos de Minas Arlindo Porto para vice. Arlindo, depois de consultar amigos, aceitou o convite e foi vice de Hélio. No governo cumpriu missão importante: representou o governo junto aos prefeitos do Estado. Nesta condição qualificou-se como potencial candidato a um cargo majoritário.

Em 1994, Hélio Garcia, que era cacique morubixaba no PTB, só indicou o candidato do Palácio ao Senado, no último minuto da última hora do último dia. Chamou Arlindo Porto e disse-lhe: "Nosso candidato ao Senado é o senhor". Arlindo não teve tempo de procurar um candidato à suplência. Indicou a secretária dele, a discreta professora Regina Maria d'Assumpção, que nunca pensou em disputar um mandato político. Arlindo Porto elegeu-se senador de Minas e, de 1996 a 1998, foi ministro da Agricultura. Nesse período, dona Regina Assumpção representou discretamente e com dignidade o tradicional Estado de Minas no Senado da República. Outro senador mineiro por acidente foi Aelton Freitas. Quando se candidatou ao Senado o empresário José Alencar (na ocasião, no PMDB), quis um suplente do Triângulo. Veio a Uberlândia e, numa reunião na Aciub, pediu um nome para suplente. Ninguém aceitou. Foi ao prefeito Zaire Rezende e pediu ajuda. Zaire indicou Eduardo Afonso, que também recusou.

Alencar recorreu ao deputado estadual Anderson Adauto (PMDB), em Uberaba, que indicou o ex-prefeito de Iturama Aelton Freitas. Este contou com o apoio do deputado federal Romel Anísio Jorge (PP). Em 2002, Alencar elegeu-se vice-presidente de Lula e Aelton Freitas ganhou, sem nenhum voto, um mandato de quatro anos no Senado.

Senador Aelton

O suplente Aelton Freitas, desde que assumiu o mandato em 2004, passou a atuar no Triângulo e no Alto Paranaíba como se deputado fosse. Compareceu a festas municipais, exposições de animais e foi a comemorações de casamentos ou de batizados. Foi desde o início do mandato no Senado, um pré- candidato a deputado federal. Invadiu as áreas eleitorais de Romel e ajudou a inviabilizar a reeleição deste. Hoje Aelton é deputado federal.

Biônicos

A presença de "senadores biônicos" no Congresso Nacional, conduzidos por um sistema esdrúxulo de escolha de suplentes, pelo qual os biônicos não precisam de voto para representar o Estado no Senado é uma aberração política. Trata-se de violação do princípio do sufrágio universal que impõe o voto direto para escolher representantes do povo em processos democráticos populares.

Reforma necessária

Na reforma política em discussão é preciso acabar com a figura do senador biônico. Com respeito aos suplentes que estão em ação, senador sem voto não representa o Estado nem o povo. Esta questão é fundamental e pode ser substituída por outro critério: em caso do impedimento de um senador, convocar para substituí-lo o segundo candidato mais votado, seja ele de que partido for. Este terá respaldo popular e legitimidade.

Jornal Correio
opiniao@correiodeuberlandia.com.br

Nenhum comentário: