quarta-feira, maio 8

Ouro velho

Outro dia em passar d’olhos em jornal de circulação nacional, me deparei com anúncio no mínimo estranho para meu pensar. Era algo assim: “Troque sua joia velha por uma novinha em folha, pagamos mais pelo valor de mercado do ouro”. O “velha” é que deixou-me intrigado. Cheirava a má-fé ou, no mínimo, truque para fisgar incautos.

De pronto, me lembrei da época em que morávamos em um ainda distante São Sebastião do Pontal, sem estrada de asfalto, sem ponte para o Mato Grosso. Tempo da balsa. Hoje São Sebastião está logo ali, rápido chegar em estrada bem conservada e, para cruzar o rio Paranaíba, a imponente ponte do Porto Alencastro, maravilhosa obra de arte da arquitetura do “estradas construir”.

Hora ou outra chegavam à nossa vila caminhões, principalmente de São Paulo, com o esperto propósito de trocar móveis novos por “velhos”. Jamais usavam a palavra antigos. Relíquias, então, nem pensar. Estratégia mascate. Visitavam fazendas, porteira a porteira, oferecendo seus produtos à base do escambo. Certa feita, ao chegar a um sítio para acudir vaca em parto, o proprietário me contou prosa: “Lembra daquela mesa imensa de jacarandá que era de meu bisavó e que você tanto gostava? Pois vem comigo, despachei a bruta e tenho certeza de que você vai gostar mais do que arranjei”. Quase caí de costas quando entrei naquela cozinha bem cuidada, de piso de cimento em nata, fogão a lenha com seus tijolos bem curtidos e pintura vermelhão sempre renovada. A imponente mesa de rara e secular madeira de lei, repleta de histórias e testemunha de tantas passagens, dava agora lugar a uma infeliz e sem vida mesa de fórmica vermelha e quatro raquíticas cadeiras

“O vermelho foi para combinar com a cor do fogão”, me disse o amigo em imenso abrir sorriso.
“Mas e os longos bancos também da mesma negra madeira da mesa?”, perguntei atordoado
“Ara! Dei de presente para o pessoal da troca, iam ficar sem serventia agora.”

Saí de lá triste, talvez por mim em sentimento egoísta, não pelo amigo que, levando manta ou não, estava feliz. Não voltei mais lá, mudamos de volta para Uberlândia. Não sei dizer se aquela alegria sitiante dura até hoje. Mas imagino a mesa se desfazendo em empenos e as cadeiras de pés de alumínio jogadas à horta.

E essa agora das joias? Anéis e brincos em coco e ouro, delicadamente trabalhados por mestre ourives. Escapulários esculpidos em Espanha no puro metal arrancado de nossas terras ainda bruto e retornando em caro adorno, passando de geração em geração. Terços que, como as capitanias, também eram hereditários. Se somadas e esticadas as Ave-marias, os Pais-nossos, as Glórias e os Creios e Salve-rainhas, que em fé ali se fizeram ouvir, várias vezes poder-se-ia, talvez, ir e voltar ao paraíso. Prestes a serem trocados por peças feitas em série, sem graça, falso brilho.

O mundo é dos espertos, dizem os de má-fé. Abusam das gentes simples, não apenas de nossos roçados e rincões. Basta pôr atenção em propagandas de televisão em que vendedores alucinados e aos gritos conseguem persuadir os que menos ganham a comprometer seus parcos salários em eternas prestações. Para comprar o quê? Frágeis mesas vermelhas em fórmica. Vermelho brilhante e quatro cadeiras com pés condenados, assim como a mesa, a durar tão pouco, que jamais tempo terão de guardar histórias e lembranças.




Publicado em Jornal Correio

segunda-feira, maio 6

Zoológico das virtudes





Ponto final. Concordo em plenitude com o jornalista Ivan Santos. Que se fechem os campos de concentração animal em todo o mundo. Sem discussão. Não falo mais disso. Sou contra, contra sou. Proponho um novo tipo de zoológico.

Adulto pega criança pela mão, compra pipoca, algodão doce e, em solene silêncio, segue rumo às jaulas. Na primeira, como se em exposição de arte estivesse, o adulto põe a mão no queixo, entorta a cabeça para um lado, dá dois passos para trás em visível admiração. Após alguns segundos começa em voz alta a detalhar para a criança sua impressão: “Observe a leveza, os contornos, o brilho. É uma pena que esteja tão ameaçada. Felizmente conseguiram capturar esse espécime para que possamos admirar e mostrar para vocês, crianças”. A criança, espantada em ansiedade, devorava pipoca sobre pipoca em ato contínuo.

Seguem para a segunda jaula. Outra vez, o adulto em postura séria, se põe a descrever o que vê, termina em suspiro: esse também está na lista dos ameaçados. O passeio prossegue. Outro recinto, este mais amplo, muito bem cuidado, ao centro um lago de azul indescritível cercado por árvores frondosas e carregadas de frutos que, de longe pareciam saborosamente doces. Aqui o adulto teve mais trabalho, não localizava o morador de cativeiro de luxo. Por fim abriu sorriso: “Viu só! É ligeiro, por esse motivo merece jaula especial, com lagos, cachoeiras e grama verde. Consegue notar a leveza de seus movimentos? Tímido que só, dizem que é o último. Andam a procurar outros dos seus para tentar resgatar a espécie”.

Criança, entediada desde o primeiro cárcere visitado, achou forma de se distrair. Ia anotando os dizeres das placas de cada jaula. Estas se referiam à origem de cada morador aprisionado. Depois os procuraria em enciclopédia e dicionários.

Manhã já se ia alta, hora de ir embora, para alegria da enfadada criança. Um passeio de trenzinho e um cachorro-quente? Sugeriu o adulto em bater de palmas. Como recusar? Finalmente um sorriso se fez presente no até então taciturno semblante infantil.

Acomodado e ao sabor do agradável sacolejar do amplo e aberto vagão, o pequeno não resistiu: “Não entendi uma coisa, todas as jaulas estavam vazias!”.

O adulto não resistiu, olhos baixos envergonhados, umedecidos em lágrima, passou o braço sobre os ombros da criança: “Verdade, pequeno, o rei está nu”. Em profunda tristeza lembrou conto de Christian Andersen. Apenas os puros assim percebem.

O garoto aconchegou-se ao abraço do pai. A caderneta, agora solta, permitiu o vento folhear, expondo anotações das placas das jaulas em rabiscos infantis: “Ética (latim ethica, -ae) s. f. Parte da Filosofia que estuda os fundamentos da moral. Conjunto de regras de conduta”.

Além dos conceitos, a criança copiou das plaquinhas em frente às jaulas distribuição geográfica, endemicidade e mais particularidades. A brisa, em mudar ligeiro de páginas, permitiu ainda vislumbrar outras anotações: “Vaidade, honestidade, justiça, fraternidade, amizade, tolerância, generosidade, paciência, também em vazias jaulas se faziam ali presentes”. Classificação do risco de cada um sempre em destaque: “Extinto entre os humanos, em perigo crítico, vulnerável, dependente de conservação, baixo risco”.

Para sua infelicidade, predominava sempre o perigo crítico e a extinção abaixo da linha do Equador. Adulto copiosamente chorou.











Publicado no Jornal Correio em 06/05/2013

sexta-feira, abril 19

Zoológicos ilógicos

Foto de Are zoos good or bad for animals?

Estranhos os humanos. Não bastasse a ira com que se digladiam por riquezas materiais e crenças, não bastasse o ódio genético que nutrem por aqueles que discordam de seus deuses, em Jihads pessoais, chegam ao ponto de se tornar homens-bomba, armarem armadilhas para que explosões e estilhaços esquartejem inocentes em mais um inimaginável atentado como o da maratona de Boston.

Estranhos os humanos. Houve um tempo em que faziam muito sucesso os circos de horrores como “The Sideshow”, de P.T. Barnum. Segundo Alan Seaburg, do Universalist Historical Library, Barnum era dono de circo no século 19 e viajou por toda a América levando pessoas estranhas com doenças bizarras. O circo se chamava Ringling Bros and Barnum & Bailey Circus e apresentava ao público, ávido por estranhezas, figuras como Joseph Merrick, o homem-elefante; Myrtle Corbin, a mulher de quatro pernas; Mary Ann Bevan, a mulher mais feia do mundo; Mademoiselle Gabrielle, a mulher pela metade, e tantos outros humanos repletos de sentimentos e muito sofrimento, que, só como atrações grotescas, conseguiam sobreviver e, miseravelmente, obter sustento graças às suas deformidades. Sempre haverá gente a se deleitar com o sofrimento alheio.
Para essas pessoas, suas doenças raras eram seu único ganha-pão. Em século ainda sob o manto da escuridão científica, nada mais restava a elas senão a humilhação pública. Se eram voluntários ou não, impossível saber.

Hoje, a ciência explica a maioria dessas anomalias de ordem genética: doença do homem-árvore, mal de arlequim, doença dos vampiros, a família azul de Troublesome Creek. Uma lista imensa poderia ser aqui apresentada.

Estranhos os humanos. Dos circos de pessoas para os circos com animais e zoológicos foi um pulo. Na verdade antecedem os circos dos horrores. Mas Barnum, esperto que só, logo percebeu que quanto mais horror mais dinheiro. Os bichos deram lugar às deformidades e ao padecer alheio.

Os circos contemporâneos já não se atrevem a utilizar animais. As bem-sucedidas campanhas pelos circos sem bichos deram resultado positivo mundo a fora.

Sobraram os zoológicos. O debate é acirrado e não vai acabar tão cedo. O jornalista Ivan Santos, muito oportunamente, levantou o assunto e sabemos bem que vai render pano para manga. Sou visceralmente contra zoológicos desde criança. O que para a maioria era entretenimento para mim era suplício.

Pedro Ynterian, presidente internacional do “Great Ape Project” defende este ponto de vista com clareza especial: “Exibir publicamente uma galinha não é o mesmo que um primata ou um elefante, animais com inteligência superior. Um chimpanzé tem 99,4% do nosso DNA, se relaciona com as pessoas, odeia algumas e ama outras. É tortura colocá-lo num recinto fechado. Em pouco tempo fica louco.”

Deixo bem claro que, particularmente, acho que nem galinha deveria ser assim exposta. Pego carona e bandeira de Ynterian e do jornalista Gregório José: “Os zoológicos poderiam virar centros de resgate e cuidado, mas sem visitação”.

O buraco é mais embaixo, a briga é outra. A luta é pela preservação de nossos biomas e batalha pelo fim de traficantes de animais.

Rever conceitos é sempre importante para crescer. Ou assim fazemos, ou acabamos afundados no admirável mundo novo de Aldous Huxley, sem ética, sem amor, sem sentido.

Muito estranhos nós, humanos.
Muito estranhos nós, humanos. "Pobre de mim, pobre de nós"  canta  Flávio Venturini em sua "Linda Juventude".










Publicado no Jornal Correio em 19/04/2013

quarta-feira, abril 17

Pelo fim dos zoológicos

Foto da web


Jornalista

Levantamos, na última segunda-feira, o tema da extinção dos zoológicos no Brasil porque o assunto está em discussão no mundo civilizado. No mês passado, milhares de cidadãos independentes desfilaram por ruas de grandes cidades brasileiras e, especialmente, nos Estados Unidos da América do Norte com denúncias contra o cruel confinamento de animais em zoológicos. O slogan da campanha foi Crueldade nunca mais! A essência da ação proclama que “nenhum animal, doméstico ou selvagem pode ser eticamente torturado por decisão humana”.

Aqui perto de nós, no Parque do Sabiá, há um zoológico, onde animais que nasceram livres foram capturados violentamente, confinados e condenados a viver numa prisão suja até a morte. Isto é crueldade inaceitável nos dias atuais. Um leitor deste espaço escreveu-me dizendo ser contra o confinamento em jaulas, mas a favor do “aprisionamento de animais em buracos confortáveis”. Maravilha! No Zoológico do Parque do Sabiá, a crueldade é praticada abertamente contra bichos da selva que lá sofrem confinados para serem exibidos ao público que os trata como objetos de divertimento. Isto é “sadismo humanitário”. Não encontramos outra expressão para classificar tamanha barbaridade.

O prefeito Gilmar Machado, que é um educador respeitado, pode aproveitar a ocasião para dar um bom exemplo ao Brasil se decidir fechar definitivamente o confinamento de animais no Parque do Sabiá. Em vários zoológicos do Brasil, a sádica crueldade praticada contra animais, especialmente primatas, é irracional. Como vivem, se alimentam, adoecem e morrem os bichos no Parque do Sabiá? Poucos sabem e a maioria das pessoas não se interessa pelo destino deles.

Que razão há hoje em manter animais confinados para entretenimento, lazer ou educação ambiental? Hoje há outras formas de divertimento e de conhecimento da vida animal. Zoológico é equipamento de lazer medieval que não tem mais razão de existir numa sociedade civilizada. O médico-veterinário William Stutz, respeitado cientista-pesquisador da fauna, sobre o assunto escreveu: “Quer mostrar, quer ensinar? Que transformem essas penitenciárias da fauna em salas de projeções bem equipadas onde um público bem acomodado poderia conhecer toda a exuberância da vida animal, em filmes sobre vida selvagem livre em seu ambiente natural”. Fica esta sábia sugestão para o prefeito Gilmar Machado refletir.

Jornal Correio em 17/04/2013

sábado, abril 13

Sábado e chuva

Fez se noite às 9:20 da manhã, minha caminhada/corrida diária via ter que esperar. Os bichos estão quietos, espero o canto de Bem-ti-vi e o grito da curicaca anunciando a estiada


terça-feira, abril 9

Outdoors






A aplicação de uma lei um pouco antiga, mas nunca efetivamente usada, derrubou os painéis publicitários do “hipercentro”. Megalomaníacos somos ou importadores de modismos?

O que de tão hiper temos por lá? Miúdo em tamanho se comparado a cidades maiores. De hiper temos, hiperbarulho de dia e à noite, hiper tumulto de carros trafegando em vias estreitas, hiperfalta de educação de motoristas e pedestres que inundam as ruas com papéis e tocos de cigarro. E óbvio, hiper-engarrafamentos. Em certas horas, impossível passar por lá e não ficar agarrado. Temos ainda hiperfalta de estacionamento. Enfim, saímos de lá geralmente com uma hiper dor de cabeça, hipermau-humor ou hipertensos.

Só sendo zen para enfrentar aquele pedaço de Uberlândia que, se revigorado poderia transformar-se em um dos melhores pontos da nossa cidade para lazer e convivência. Basta proibir entrada de carros e instituir calçadões, arborizar à exaustão, que logo teremos cantos de passarinho e barulho de criança brincando. Eu disse “basta isso?”, estou sendo ao extremo simplista. Retiro, pois. Bem sabemos que ninguém em tempo algum se disporá enfrentar a fúria de lojistas, a ganância de bancos e a preguiça nossa de cada dia. Andar dois quarteirões para pagar uma conta? Nem pensar, queremos é parar bem à frente do comércio ou serviço, com ou sem zona azul. Por falar nisso é no que se transformou o “hipercentro”, numa zona; antes de atirar-me pedras pela denominação, sugiro uma visita ao “Aurélio”, 12º significado do vocábulo “zona”.

Todos nós só temos a felicitar o poder público pela aplicação da tal lei contra poluição visual naquela área. Mas não podemos nos furtar a registrar os efeitos colaterais graves de tal medida.

Tal qual bando de periquitos em roça de milho quando espantados, os painéis em revoada migratória alçaram voo de escurecer os céus, e da noite para o dia, foram pousar nos bairros. Saíram de canto para, com sua feiura agressiva, fincar pés em outros. Metastaticamente disseminaram-se como câncer incontrolável, que, após cirurgia retorna atacando outras partes do corpo urbano e com muito mais ferocidade.

Basta uma volta pelas principais vias de acesso aos bairros para notar o ataque de tão horroroso meio de comunicação/publicidade. Não bastasse a fealdade destas armações com suas tortas pernas de pau, o péssimo gosto do anunciado também contribui para piorar tudo.

Já perdemos o horizonte para construções que descaradamente desrespeitam as leis de uso e ocupação do solo, já perdemos o nascer do sol para muros de condomínios horizontais.

Roubam-nos agora a brisa, o correr solto do vento, criando verdadeiros corredores de horror, trens-fantasma de parques de diversão. Sobram sustos e feiura, vão se os horizontes em uma terra plana e bela por natureza. A lei é maravilhosa e deve ser aplicada, mas para todos e em todos os locais. Viver já anda tão complicado que não merecemos tamanha agressão visual, às vezes bem à nossa porta. A criação de áreas específicas para a colocação destes painéis deveria passar por consulta pública também. Podemos democratizar a beleza? A escolha pode ser nossa? Quem acha que sim levante a mão. Faço minhas as palavras de Eduardo Afonso, secretário de Serviços Urbanos: “Queremos (Todos) uma cidade limpa, sem poluição visual e sonora”. Todos.



Publicado no Jornal Correio em 9 de Abril de 2013

segunda-feira, abril 8

30 anos de SMS

Mais fotos em breve. Parabésns a todos nós !!!!!

Clica na foto que amplia !



terça-feira, abril 2

Bicho perigoso



Maria Sibylla Merian

Google homenageia 366º Aniversário da naturalista Maria Sibylla Merian

 


Maria Sibylla Merian, naturalista pioneira

Escrito por Atila Iamarino,  biólogo e doutor em microbiologia

Metamorfose da Thysania agrippina por Merian.

Maria Sibylla Merian (1647-1717) foi uma naturalista alemã bastante dedicada ao estudo de insetos. Filha de pai artista e criada pelo padrasto que era pintor, Maria Sibylla foi estimulada a desenvolver seu talento artístico, que usou para publicar seu primeiro livro, com pinturas de flores em 1675.

Numa época em que os insetos eram considerados animais demoníacos e por isso desprezados, Maria Sibylla se dedicou a estudá-los, atividade predominantemente masculina na época. Seu segundo livro, A maravilhosa transformação e a estranha nutrição vegetal das lagartas, publicado em 1678, traz desenhos completos do ciclo de vida das borboletas e, com isso, apresenta um processo desconhecido pela maioria da população: a metamorfose.

Depois de se separar do marido, outra atitude bastante incomum na época, Maria Sibylla foi morar em Amsterdã, capital da Holanda. Lá, conheceu os animais tropicais vindos do Suriname, que era então colônia açucareira holandesa, tal como o Brasil foi de Portugal. Deslumbrada com os animais e animada por estudá-los na natureza, partiu para outra realização até o momento feita apenas por homens: uma expedição naturalista aos trópicos.

No Suriname, ela estudou e pintou diversos tipos de planta (como a bananeira e o abacaxi) em seus ambientes naturais. Em 1705, de volta à Holanda, publicou seu último livro, Metamorfose dos insetos do Suriname.

Na época em que Maria Sibylla viveu, travava-se uma disputa entre os cientistas sobre a origem dos animais. Alguns pensavam que os insetos se originavam da lama e da sujeira, de acordo com a ideia da geração espontânea da vida. Outros cientistas acreditavam que a vida somente poderia se originar de outra vida. Como os trabalhos de Maria Sibylla mostravam que as borboletas eram geradas por outras borboletas, seus estudos reforçavam a segunda ideia.

Como não redigia seus livros em latim, língua usada pelos cientistas da época para comunicar suas descobertas, seu trabalho completo, com descrição de mais de 186 espécies, e seu pionerismo permaneceram desconhecidos da comunidade científica por muito tempo.

Se seu trabalho tivesse sido divulgado em latim na época em que foi realizado, poderia ter influenciado os rumos da ciência ao fortalecer ideias contrárias à geração espontânea da vida a partir da matéria bruta, ideias que também haviam sido exploradas e questionadas por outros cientistas, como Francesco Redi (1626–1698), por volta de 1668.

Fonte: Science blogs - Rainha Vermelha

Um pouco  do trabalho de Maria Sibylla 

segunda-feira, abril 1

Dedo em martelo





Foto da radiografia  de meu dedo pós cirurgia

Existem coisas que acreditamos só acontecer com os outros. Alguns meses atrás estava eu a limpar azulejos de banheiro em dia de faxina.

Em janeiro completaram-se 6 anos que não temos ajudante em casa. Enquanto nossos filhos eram pequenos era simplesmente impossível ficar sem alguém para nos dar apoio, mas, hoje, crescidos, cada um faz a sua parte e, assim, conseguimos juntos tocar as tarefas domésticas.

Com divisão de afazeres tudo fica fácil. Além do mais, as despesas geradas com ajudante são altas, se você for correto, o que sempre fomos. Carteira assinada, férias, licença-maternidade, tudo à risca como determina não apenas a lei, mas a nossa consciência pouco dada à escravidão alheia. Sai caro.

Eu a limpar azulejo, quando em descuido, dedo escorrega e bate firme no piso. A primeira falange do dedo médio, no popular, a ponta do dedo, simplesmente entortou, formando um ângulo reto quase perfeito. Tentei colocar no lugar sem sucesso. Não havia dor alguma.

Hospital lá fui eu. Atendido por competente ortopedista, com um simples apalpar, depois confirmação radiológica, o diagnóstico: dedo em martelo. Nunca tinha ouvido falar disso. Vivendo, aprontando e aprendendo. A solução deu frio na boca do estômago: cirurgia. Introduz-se um pino na ponta do dedo que atravessa os ossos e fica o pendoado e sofrido pedaço de mim em posição normal. Ali ficaria por seis semanas. Um pequeno gancho do lado de fora, broto de Wolverine do interior das Minas.

Medo natural de sala de cirurgia; tinha passado por poucas e boas recentemente. O sentimento de impotência e fragilidade companheiro de outras intervenções. Mas como não havia outra solução lá fomos nós.

Mais uma vez faço questão de citar a competência do ortopedista que, com destreza e agilidade, em poucos minutos colocou o gancho, lá estava, mas sem patente de capitão.

Semanas estranhamente cômicas. Não faltou dia sem engarranchar em algo. Toalhas, roupas ao vestir, suplício. Aos enroscos e trapalhadas passaram-se os dias sem que eu pudesse fazer o que mais gosto: sair em expedições de captura e estudo de escorpiões e morcegos. Suportei valentemente.

Chegado o dia marcado, lá fomos nós para retirar o metal. Com segurança e mão firme em mais uma demonstração onde se misturam saber e prática, com simples alicate, lá se foi o pino imobilizador. Passou alguns exercícios e pediu retorno.
Observou-se que o dedo não tinha voltado totalmente para o lugar. Manteve ligeiro entortar, coisa pouca. Outra cirurgia foi recomendação.

Muito serviço, viagem marcada, ficou para depois.

Meses se passaram e vou eu postergando essa nova passagem por tratamento. Além do que, me acostumei com a ponta agora ligeiramente caída. Por incrível que pareça, vem até facilitando minha vida em algumas atividades. Digitar é uma delas, o dedo já está virado para o teclado, ficou simples alcançar algumas teclas como o “cê-cedilha” e os acentos.

Ficou também fácil manusear minhas pinças, tanto no campo quanto em laboratório na lida diária com meus bichos. Até abrir lata de cerveja ficou mais fácil.

Desconheço as consequências em longo prazo de não restaurar a funcionalidade normal desse meu ex-quase-dedo em martelo.
Mas vou levando assim mesmo, virou marca registrada. Só não posso, nem devo usá-lo como conhecido gesto obsceno. Fica virado para mim, pega mal.




Publicado Jornal Correio em 1º de abril de 2013


sexta-feira, março 22

Catarse

Reunião técnica da Divisão de Vigilância em Saúde. Aqui se programa, avalia e se faz saúde  coletiva.
Local onde literalmente é Proibido Calar Catarses.

A reunião aconteceu nas instalações da Imunização onde fomos acolhidos com a característica fidalguia da  colega e amiga Cida com um belo café da manhã. Um despertar em cheiros e sabores em manhã de muita chuva que contribuiu sobremaneira para o bem andar da reunião, frutífero trocar de idéias e criação.

Clique nas fotos que elas aumentam

 Foto -  Urbanogramas


Fotos Paulo - Colega motorista da Imunização


quarta-feira, março 20

Parque Bons Olhos

2ª AÇÃO SOCIAL E CULTURAL E 5ª CAMINHADA PELA IMPLANTAÇÃO DO PARQUE ECOLÓGICO DO CÓRREGO BONS OLHOS

Acontecerá no domingo, dia 24/03/2013, às 08h30m, a 2ª Ação Social pela Implantação do Parque Ecológico do Córrego Bons, na Rua Nelson Grama, bairro Nova Uberlândia. Mas, antes desse grande evento, você deve participar da 5ª Caminhada Ecológica pelo mesmo objetivo, que sai da Rua dos Jasmins, esquina com a Rua das Juritis, indo até a Rua Nelson Grama. Os novos participantes ganharão uma camiseta personalizada do Movimento pelo parque.

Além de apresentações culturais, como a Orquestra de Viola Caipira e o Grupo Manos do Hip-Hop, temos uma série de serviços comunitários para oferecer à comunidade. A Tenda da Saúde estará presente aferindo a pressão arterial e fazendo teste de glicemia, bem como, orientação nutricional.

Haverá cama elástica, barraca de orientações contra às drogas, Polícia Militar, Bombeiros, orientação jurídica, sorteios, segurança do trabalho, matrículas em cursos profissionalizante, ouvidoria, solicitações, oficinas de reciclagem.

O evento é uma realização do Movimento Cidade Futura, do Instituto de Geografia, da Proex/UFU, do Gabinete da Vereadora Michele Bretas e da Associação de Moradores do Bairro Cidade Jardim.

Maiores informações no site: www.bonsolhos.org.br/

segunda-feira, março 18

Genro

Putz meu genro é pagodeiro, bicheiro, breganejo universitário ou jogador de futebol !?

( Na verdade fantasiado para "Festa na laje" da turma de formandos em ADM - UFU  detalhe, pouco visível, da barba descolorida. É o mano! )

Clica na foto para ampliar

segunda-feira, março 4

Cana



Com grandes ressalvas ouço e leio sobre o gigantesco investimento de R$ 2,4 bi, com vistas a concretizar a produção sucroalcooleira em nossa região. Se por um lado a geração de milhares de empregos diretos e indiretos é notícia alvissareira – é esperar para ver – por outro fico mais uma vez preocupado com nosso escamoteado meio ambiente. Posso parecer um ecochato, não sou. Com propriedade disse Guto Requena em artigo publicado recentemente na “Folha de S. Paulo”: “Para ser moderno e descolado, hoje, é preciso ter uma mesa com selo verde, uma almofadinha feita de PET reciclado ou uma bolsa com tampinhas de refrigerante, tudo ao estilo “hippie-chique”.

E continua “Ao contrário: o ato de consumo sem necessidade já é, a priori, insustentável”.
Não, nada disso. Prefiro me sentir apenas como alguém simplesmente consciente, preocupado com o futuro, nada mais.

Está certo, concordo que “o biocombustível vem sendo encarado como um dos métodos preferenciais de reduzir as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa, geradas pela queima de combustíveis fósseis, e assim reduzir o aquecimento global causado pelas atividades humanas”. (Kelly Hearn na National Geographic News e isso dito em 2007).

A expansão da produção agrícola em larga escala a fim de cultivar mais cana, dizem os críticos, agravará a perda de diversidade de espécies, as questões de qualidade da água e a fragmentação de habitats em algumas das regiões mais diversificadas biologicamente em todo o mundo. “A preocupação primária é que o esforço de produção de biocombustíveis amplie direta ou indiretamente as perdas nas áreas de alta diversidade biológica remanescentes no Brasil, tais como o Cerrado”, diz John Buchanan, diretor sênior da Conservation International, uma organização norte-americana sem fins lucrativos. A região do Cerrado, “com 1,9 milhão de quilômetros, representa a maior savana da América do Sul e uma das mais ricas do mundo em termos de espécies de pássaros, répteis, peixes e insetos”, completa Hearn.

Nosso Cerrado, antes da expansão agrícola que, com técnicas apropriadas conseguiu tornar-se farto em produção, ia muito bem obrigado. Rico em vida e saúde.

Terras antes consideradas impróprias economicamente hoje são negociadas a preço de ouro. Basta uma voltinha nos arredores de Uberlândia para ver o estrago irreparável causado ao nosso frágil ecossistema. Não, não precisa ser nenhum Augusto Ruschi ou um Jacques Cousteau nem militante de carteirinha do Greenpeace para perceber o enorme impacto que causamos em nosso entorno. As loucas estações do ano com suas mudanças sentidas na pele são uma pequena demonstração do nosso poder de destruição e inconsequência.
Cana só dá em terra boa. Imagine você o que será necessário para que os verdes campos sejam corrigidos para receber essa cultura exógena.

A cana-de-açúcar veio para ficar, até aí nenhuma novidade. Mas seguramente não veio para adoçar nossas vidas e muito menos a de nossas plantas e nossos bichos. O preço de tanto doce poderá, um dia, ser a causa de nossa diabetes existencial e do envenenamento irreversível do solo, onde todos nós um dia gostaríamos de descansar em paz. Não haverá insulina nem antídotos em quantidade suficiente para salvar o que ainda resta de magnífico e já condenado cerrado. Morte anunciada. A culpa? Ganância.




Publicado no Jornal Correio em 04/03/2013




terça-feira, fevereiro 26

Para boi dormir

Um caboclo do interior tinha um touro que era o melhor da região. O touro era seu único patrimônio. Os fazendeiros da redondeza descobriram que o tal touro era o melhor animal reprodutor e começaram a alugar o bicho para cobrir suas vacas. Conseguiam sempre o nascimento dos melhores bezerros. Era só colocar uma vaca perto dele e o touro não perdoava uma. O caboclo começou a ganhar muito dinheiro com isso, que era sua única forma de sustento.

Os fazendeiros se reuniram e decidiram comprar o touro. Um representante deles foi até a casa do caboclo e foi logo falando:

- Põe preço no seu bicho que queremos comprá- lo.

O caboclo, aproveitando-se da situação, falou um preço absurdo. Os fazendeiros não aceitando a proposta foram se queixar com o prefeito da cidade. Este, sensibilizado com o problema, decidiu comprar o animal com o dinheiro da prefeitura e o registrou como patrimônio da cidade. Também resolveu fazer uma festa para apresentar o touro para a cidade.

No dia da festa, os fazendeiros trouxeram suas vacas para o touro cobrir e tudo sairia de graça. Logo que trouxeram a primeira vaca, o touro esbravejou, pulou, cheirou a vaca e nada.

- Deve ser culpa da vaca, disse um fazendeiro.
- Ela é muito magra.

Trouxeram uma vaca holandesa, a mais bonita da região. O touro esbravejou, pulou, cheirou a vaca e nada. O prefeito, p... da vida, chamou o ex-dono do animal e lhe perguntou o que estava acontecendo.

- Não sei... - disse o caboclo.
- Ele nunca fez isso antes! Deixa que eu vou conversar com o touro.

E o caboclo, aproximando-se do bicho, foi logo perguntando:

- O que há com você? Não tá mais a fim de trabalhar?

E o touro, dando uma espreguiçada, respondeu:

- Vê se não me amola. Agora eu sou funcionário público concursado.


História de domínio público

Gotas poéticas


Clique na imagem abaixo para ampliar o convite





Amados (povo da Cultura brasileira),

O Sarau Gotas Poéticas abre o 2013 em 28/02/2013, última quinta-feira, às 19h, na Assis Editora.
Temáticas "Coragem" e "Saber". Visualizem convite em anexo. Repassem a seus contatos.

Abraços poéticos,
Lucilaine de Fátima e Ivone de Assis
Coordenadoras do projeto Sarau Gotas Poéticas


segunda-feira, fevereiro 18

Papagaio

Semana de verão invernada, tempo borrascoso. Mas se verão é, como pode ser invernada? Mas assim se diz. Seca ou chuva, as duas estações aqui no cerrado. O resto é Europa. Temos, é claro, a época das flores, das jabuticabas, da filhotada de passarinho. Tem época de folha cair e gramado secar, aí os astutos ateiam fogo em tudo, mergulhando o céu em fumaça.

Moda outono-inverno, primavera-verão, tem apelo comercial, mas no dia a dia, acho não. Deveríamos ter apenas moda seca-chuva e depois chuva-seca. Os armazéns de secos e molhados é que estão certos. Esse nome, além de grupo musical, para nossa tristeza dissolvido, poderia bem ser de grife chic. Consultemos Glória Kalil e Danuza Leão. Mas o assunto não é moda nem meteorologia, é papagaio, o louro famoso por dar o pé.
Toró sem precedentes caía dia desses. Prazer de ficar à janela acompanhando água e vento me vem de criança.

Fazíamos corrida de pingos d’água na janela. Cada um escolhia sua gota e gritávamos com infantil alegria. Criança cria brincadeira mesmo em dia de chuva. Não tinha televisão nem internet. Restava-nos, prazerosamente, ler e criar. Pena, não consigo mais ver corridas em gotas. Apreciava feliz chuva e vento. A copa do imenso jambolão misturava-se em tranças de amores com frondoso ipê vizinho. Talvez um “quer namorar comigo”? Sacudi a cabeça com força para espantar pensamentos, tão companheiros meus, daquela infância na janela.

Entre uivos fortes do vento e da água, me pareceu ouvir sussurro, lamento longe. Pensei: imaginação minha não para, inventa um monte de um nada. O vento amainou, a chuva, chuvisco. Outra vez um som, agora risada. Tinha coisa lá fora.

Sai à cata. Muito procurar e dei com o dono das vozes. Um belo e bem zelado papagaio boiadeiro empoleirado em galho de sete-copas. Balançando o corpo e a cabeça em feliz algazarra. Chamei, pedi pé, mas nada dele descer. Me remedou com graça e desenvoltura. Deve ter fugido de alguém. Crime ambiental e dilema a ser tratado com cuidado, pois envolve animal silvestre acostumado com retraimento e apego amor mesmo de quem cria. Se pudesse sugerir, diria que seja fiel depositário quem bem trata e já não pode soltar. Animal fica sob bons cuidados e dono protegido. Mais rigor na fiscalização dos que assaltam ninhos para vender filhotes. Esses sim, criminosos.

Pois esse papagaio passou grande temporada pelas árvores de casa. Fartou-se de jambolão, pitanga, jabuticaba e goiaba. Fez amizade com maritacas e tucanos, sabiás, canários, moradores livres do verde ambiente. E, claro, aprontava com todos que por lá passavam. Chamava gente, imitava cachorro. Povo passava, procurava e nada via. Camuflado moleque Arlequim. Deixou-me apurado certa feita. Saí calmo para recolher jornal. Manhã fresca, sol manso e azul gostoso de respirar.

Cheiro de sábado. Moça fazia caminhada na rua. Quando passou bem de fronte nossa casa. Gelei pressentindo o que estava por acontecer. Não deu outra. Com toda força dos pulmões lá do alto veio um forte e humano “fiu-fiu”. A moça parou, me deu uma olhada. Foi o papagaio, arrisquei. Olhar rápido para as árvores. Óbvio, nada viu. Se foi pisando duro. Fiquei com a fama. Assim como chegou, foi embora. Aprontando em outros quintais. Tristeza e alívio. Via-me hora envolvido em briga por conta do bicho. Brigar? Respiro fundo, conto até dez.





Publicado no Jornal Correio em 16/02/2013


segunda-feira, fevereiro 4

Esperando quem?





Walmor chagas e Cacilda Becker em montagem
de Esperando Godot dirigida por Flávio Rangel
Foto: UOL






“Estamos sempre achando alguma coisa, não é, Didi, para dar a impressão de que existimos?”

Acho simplesmente geniais as constantes referências à instigante peça de Samuel Beckett “Esperando Godot” por parte do jornalista Ivan Santos. O que me intriga é quantos leitores de sua coluna sabem realmente do que e de quem se trata. Muitos têm o costume nada sadio de (literaturalmente, sei que essa palavra não existe), simplesmente, seguir adiante sem se preocupar em descobrir o significado de termo ou palavra desconhecida. Uma pena. Considerando que os dicionários não conseguem acompanhar em ritmo adequado o evoluir da língua, me valho da liberal e salvadora licença poética para usá-la. Retornando, pergunto-me e aos leitores de Ivan, quantos conhecem de fato a trama que envolve Godot?

Tomo a liberdade de avançar sobre o tema em uma colcha de pensamentos e análises alheias, sempre citando as autorias, como determina a ética, a educação e a lei dos direitos autorais, tão violada e agredida como a Geni de Chico.

Não custa lembrar que Samuel Beckett é considerado um dos principais nomes do chamado teatro do absurdo, em 1969 recebeu o prêmio Nobel de literatura. A Godot, pois.

“A obra artística mais importante de Beckett é um espelho da condição humana. Por meio de um diálogo cômico, o autor expressa a tragédia e a angústia de dois mendigos, Vladimir e Estragon, que se encontram diariamente para esperar pelo misterioso e sempre ausente, Godot.” (Mari Santoro)

Por acreditar que não se pode expressar racionalmente aquilo que é ilógico, o autor não faz uso do discurso racional e vale-se da expressão corporal de suas personagens para expressar a intenção de seu texto.

“Godot é uma parábola expressa como grande tributo ao poder do teatro, das artes cênicas. O texto é um exercício metafísico de reflexão sobre o ser, empreendido por personagens que têm séculos de saudável irresponsabilidade: os palhaços de circo, com suas duplas de clown – Didio e Gogô, Pozzo e Lucky -, Beckett remete o espectador ao mesmo tempo para a filosofia e para o antigo teatro de variedades europeu, o circo, o teatro de revista. Sem a inclusão desse humor, a peça seria mais que pessimista, intolerável”. (Alberto Guzik)

Enfim: “O tema é a espera por Godot; a espera da morte e do nada. Para o autor, a espera é o nosso estado natural, pois já nascemos condenados a morrer. A obra é uma reflexão sobre a condição humana e trata de assuntos como o abandono, a solidão e o medo da extinção”.

São aqui apresentados apenas fragmentos de “uma obra estreada pela primeira vez no Théâtre de Babylone, em Paris, Godot foi uma espécie de divisor de águas da história da dramaturgia”. Conhecê-la é quase imprescindível.

Dizem que conselho se fosse bom não seria dado, mas vendido. Segue, pois, uma sugestão. Leiam a peça. Ela pode ser baixada no site “Oficina de Teatro”. É um arquivo pequeno de apenas 1,61 MB, mas gigante e intrigante em conteúdo.

Oportunidade garantida de ótima leitura e cultural entretenimento e de, principalmente, agregar conhecimento e, quem sabe, momento de um despertar para uma nova de linguagem e expressão.

Nada a perder, pois, de uma forma ou outra, estamos todos, alegres ou tristes, palhaços ou equilibristas, esperando Godot.







Publicado Jornal Correio em 3/01/2013







quinta-feira, janeiro 31

Desmatamento Zero







"Cada vez que vamos para o campo à procura de crimes ambientais, voltamos com uma certeza: o desmatamento está caindo ano a ano, mas continua bem vivo. As imagens de satélite confirmam. Segundo o Imazon, as derrubadas no último mês aumentaram em 107%, se comparadas com o mesmo mês do ano anterior.
Se pegarmos todo o segundo semestre de 2012, veremos um crescimento ainda maior: 127% a mais que o mesmo período de 2011. Isso significa um balde de 66,5 milhões de CO2 na atmosfera.
É contra esse cenário – que leva violência e injustiça às populações locais – que nasceu a aliança por um projeto de lei popular do desmatamento zero. Nós, do Greenpeace, nos unimos a várias organizações e movimentos sociais e ambientais, para exigir o fim dessa devastação.


Continue compartilhando essa ideia com seus amigos, familiares e conhecidos. A luta contra o desmatamento só vai chegar ao fim com o esforço de cada um de nós. Continue nessa corrente e junte-se a nós."
Um abraço,
Marcio Astrini
Coordenador da Campanha da Amazônia
Greenpeace