quarta-feira, janeiro 31

Para Sarah


Saudosa de casa


Amiga
até as aves migram quando em vez. Faz isso. Quando bater saudade insana, migra para os trópicos em pensamento e alma.

Toma um suco que açai, belisca uma jaboticaba, mordisca um peroá fritinho. Um chopp gelado, um caldo de cana.
Deixa o calor de nosso sol brincar em sua pele. Sente, sente o carinho. Morno e bom.
Risonho e lindo.

Fecha os olhos. Sinta a brisa fresca do mar cor de esmeralda de Búzios ou de Maragogi, o respingar das ondas quebrando alegres em alva praia. Ouça o grito alegre das gaivotas a rodear os barcos, pairando livres em azul moldura. Gritam/piam esfomeadas e saqueadoras.

Mata a vontade, mata a saudade. Quando perceber, nem se dá conta.

Pronto, está preparada para mais uns dias em estranhas terras, frias e vazias.
Tenta, dá certo, comigo sempre funciona.

Procura-se



Procura-se amores antigos, daqueles primeiros de tão jovens.
Moças louras, meninas morenas. Daquelas pelas quais tudo valia a pena.

Procura-se companhias antigas por quem forte um dia bateu coração. Nada se pede em troca, pode ser companhia em silêncio, quietinhos apenas cumplicidade, nem carece toque, apenas fim de solidão.

Procura-se um sentimento perdido, algo solto na memória,
um cheiro, um gosto, algo que, como num passe de mágica nos remeta lá trás bem longe em nossa história.

Procura-se, não importa aparência, jeito ou estilo, peço apenas, olhar de sereno brilho e tolerância e paciência pois ainda preservo, contra tudo e todos, jeito e juízo de menino.

william h. stutz
janeiro 2007

sexta-feira, janeiro 26

Resposta a Danuza Leão


e amigas do coração
(a rima não foi proposital, juro)


(em resposta a artigo Prazeres Femininos
Revista Cláudia/ Edição de agosto/2006.)



Perigosa generalização, Dona Danuza Leão e algumas especiais amigas.
Nem todos os homens são assim como descritos, aliás acho sinceramente que a proporção de machos que assumem, dividem papéis domésticos aumenta a cada dia. Puxando a brasa para minha sardinha, ou o contrário, sardinha para minha brasa — fatores alterados mas o produto é o mesmo, garanto.

Em minha casa, tivemos uma secretária, ajudante ou empregada — qual é o jeito politicamente correto de chamá-la? Caraca, é empregada mesmo, sem menosprezo ou diminuir o ser humano ali dentro e seu dignificante trabalho.

Confidente e solidária, era a paciência em pessoa, sempre sorrindo, nunca a vi de mau humor, essa era ela. “De confiança” — como costumam, grotescamente quase sempre, serem classificadas as domésticas por seus patrões em conversas de salão ou butique. Em tempo: nada contra salões e butiques, as conversas sim essas me arrepiam. Tive uma namorada alguns séculos atrás dona de luxuoso e famoso salão de beleza, sei bem do que estou falando, pois era lá que cortava cabelo, era de graça e carinhosamente bem cortado. Mas sem devaneios, de volta ao assunto em pauta.

Retomando: tivemos uma empregada que ficou conosco por longos 11 anos — uma graça de pessoa, saiu para casar — e esse marido a proibiu de trabalhar: olha eles aí para confirmar a regra ou a exceção?

Todas as outras tentativas de substituir aquela pérola foram frustrantes. Só arrumamos malas sem alça, daquelas que faltavam sem avisar quando você mais precisava, inventavam mil doenças e apareciam com atestados com CIDs (Código Internacional de Doenças) absurdos. Matavam parentes geralmente numa sexta ou segunda feira. Houve casos da mesma tia morrer três vezes em dois meses. Haja! Algumas chegaram a ficar mais da metade de seu tempo de trabalho a receber pelo INSS por “doenças temporariamente incapacitantes”.

Por essas e outras tomamos decisão decidida, e como caras pintadas do lar em passeata de protesto pela sala e quintal e depois de assembléia familiar, radicalizamos o movimento.

Empregada nunca mais! Bradamos portando cartazes alusivos ao fim da dependência e à liberdade de andar como quisermos em nossa própria casa. Libertas quae sera tamen. Fizemos até camisetas e panfletos para distribuir entre nós quatro. No começo, é claro, passamos por crises homéricas de abstinência, ataques de preguiça e de “ah não outra vez!?”. Mas como tudo na vida, passa — nova e original expressão essa não é mesmo? A angústia da falta, o velório do ócio também se foi — admito, temos recaídas até hoje, mas cada vez menos freqüentes, e a nicotina escravagista aos poucos vai sendo eliminada de nossos corpos e mentes, herança essa que esperamos não seja transmitida geneticamente aos nossos descendentes.
Aos poucos os sintomas da química e visceral dependência de empregada foram passando, os tremores diminuindo, e nova rotina se instalou.
Hoje as atividades domésticas estão devidamente equacionadas, como temos flexibilidade de horários de trabalho, um faz almoço outro faxina casa, ambos cuidam das louças e panelas e dos jardins. Quando o assunto é roupa aqui tem um problema, lavo todos os tipos de peças cama, mesa, banho e roupas de uso da família toda, mas passar não dou conta, fracasso total, talvez o passar roupa para mim seja como apêndice dos humanos, um resquício evolutivo, que não serve para nada a não ser para infeccionar e levar a uma urgência médica. Eureca! É isso o passar roupa é a minha herança evolutiva da cultura do macho brasileiro antigo, pré-histórico.

Nada que não se resolva, fui anistiado dessa empreita.
Resumo da ópera: Lá se vai mais de um ano e nós estamos agüentando firmes e felizes. As tarefas domésticas quando encaradas com satisfação e não obrigação podem, pasme, até se tornarem prazerosas, a sensação de terminar uma geral na casa, daquelas em que se perfuma dos banheiros até a varanda do quintal, o terreiro, que não mais é de terra, aliás sempre foi grama e pedras, varridinho, grama bem cortada e cheirando a verde, bancos encerados e móveis lustrosos de óleos de jasmim. Posso garantir, não tem cerveja mais saborosa do que essa tomada depois de tudo pronto. Tem mais, o gasto energético é tamanho que ficamos permanentemente em forma, claro a pequena e cultivada barriguinha faz parte e até dá certo charme — olha a história da sardinha e da brasa outra vez. Nossa casa pode também ser nossa academia, malha-se pra caramba.

Hoje posso lhe garantir, entendo tanto de produtos de limpeza e ferramentas de trabalho, leia-se rodo, vassoura, escovas, quanto qualquer dona de casa formada na Sorbonne ou Harvard. Tenho minha lista pessoal de sabões em pó, de detergentes, de desinfetantes, de tipos de panos de chão que secam de verdade, sabão em barra que rendem mais, tapetes mais práticos para serem usados e facilmente lavados.
Desenvolvi técnicas de uso dessas ferramentas que me permitem exercitar os mais diversos músculos do corpo, os transformei em aparelhos de ginástica sofisticados, seja para aumentar massa muscular através de impacto ou localizados, ou para alongamentos e relaxamento. Aprimorei técnicas transcendentais, zen mesmo de meditação em movimento, além de exercícios mentais de adivinhação e de rotina, excelentes na prevenção de doenças como Alzheimer.
Tenho, claro, que ressaltar que a meditação e a mente aberta durante o trabalho “do lar” são altamente produtivos para se ter idéias mirabolantes, como esse texto por exemplo.

O uso freqüente de camiseta cavada e bermudas permitem um contato seguro com o sol, saudável prática e, andar descalço ajuda a descarregar energia em contato com a terra mãe. Ecologicamente correto e confortador.

Enfim posso me considerar um consultor doméstico — um verdadeiro dono de casa. Viu, dona Danuza e queridas céticas amigas, existe vida produtiva e masculina aqui fora, e em Minas Gerais viu!
Ah! Posso garantir, este trabalho não afetou em nada minha virilidade, acho eu.

Só para terminar, se algum dia minha companheira resolver mudar de cidade em função de seu trabalho, tenha certeza serei o primeiro a ir até o novo destino e de pronto fazer uma pesquisa nos supermercados e vendas do local para conferir variedade e qualidade dos produtos.

Mas uma coisa tenho que confessar, se amanhã aparecer em nossas vidas outra jóia rara como aquela que tantos anos nos mimou, com certeza será como o primeiro gole para o ex-alcoólatra ou o primeiro trago para o ex-fumante, me entrego de corpo e alma, se puder ela fica o resto da vida conosco.
Como diria o grande Saramago em seu primoroso Ensaio contra a cegueira:
”Se podes olhar vê. Se podes ver repara.”

Com um grande abraço me despeço
Atenciosamente um homo sapiens masculino dono de casa.

William Henrique Stutz
Uberlândia – Minas Gerais
whstutz@gmail.com

quarta-feira, janeiro 24

Flor de Pitanga - o livro

(Clique no título acima para ir até todos os livros)





Título:
Flor de Pitanga
Autor: William Henrique Stutz





"(...) São
poucos os autores com habilidades para soltar suas histórias assim, de
mansinho, acompanhadas dessa voz meio felina, meio preguiçosa, que vai se
enroscando no imaginário e pousando de mansinho na mente. William é raro,
é mestre(...)" (Beto Muniz)

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flordepitanga.exe
ou

formato.html

terça-feira, janeiro 23

O gringo


Branco, muito branco. Sanguíneo. O calor sufocante dos trópicos quase o matava. O suor descia torrencialmente por sua gola tal qual as chuvas que, quando menos se esperava desabavam momentaneamente refrescando tudo, mas que em segundos se transformavam em ondas insuportáveis de mormaço e vapor úmido.

Tinha sido marinheiro e navegara águas geladas nos longínquos mares do Pacífico.

Após a guerra, como recompensa pôde cursar uma universidade às expensas de seu governo, qualquer curso, escolheu filosofia, sabe-se Deus o motivo. Talvez pelo fato de ser mais fácil, menos cansativo.

Durante o curso conheceu uma moça no elevador da universidade, pequena, desajeitada, meio diferente.

Puxou assunto. Era brasileira e que ali estava cursando mestrado. Conta que foi paixão à primeira vista. Ou quem sabe vislumbre de um passaporte para outra vida, longe das pressões de um país quase em reconstrução pós-guerra e à beira de outra depressão econômica.

Ainda durante a "viagem" de elevador convidou-a para jantar. Ela aceitou de pronto, talvez surpresa com o porte atlético do moço, resultado de muita física e trabalho duro à bordo de sua fragata de guerra.

Namoro rápido, literalmente rápido e uma semana depois, diante de um juiz de paz ou um representante legal da prefeitura, não sei ao certo, se casaram.

A lua de mel foi na realidade a volta dela, agora acompanhada, para o Brasil. De navio. Santo Padre, a moça quase morreu de tanto passar mal, passou a sopa e remédio contra enjôo toda a viagem. Ele acostumando, passava os dias jogando bocha no convés e relaxando na piscina.

O desembarque foi em Salvador, para espanto dele.
Ao observar o movimento do porto chegou a jurar que a nau errara o caminho, e como em outra história, só que ao contrário, viera dar nas costas da África.

Estivadores de puro ébano movimentavam-se numa bagunça organizada, carregando e descarregando navios das mais variadas bandeiras. Cores e cheiros, principalmente cheiros novos, exóticos o confundiam e o encantavam. Cacau em abundância, sacas e mais sacas de café, fardos de fumo em rolo. Frituras, dendê.

E os sons, como lhe soavam estranhos aos ouvidos, linguagem gutural aquela, seria Chiwemba? Afinal bem que poderia estar em Zâmbia. Não, lembrava mais o Bamanakan ou bambará do Senegal. Era puro baianês, explicava a moça, só isso. Não estava de todo convencido, mas vá lá, a terra é dela.

O calor era mitologicamente inacreditável para ele.

Após curta estadia em terras baianas, rumaram de jardineira para Minas Gerais, interior, terra da família da moça. Estrada de terra, infinitamente longa, solavancada, buracos e areais sem fim.

Amarrotada viagem, foi a vez do gringo passar mal. Vingança da moça, por causa do navio? Pode ser, pode ser...

Na pequena cidade o primeiro dia foi de apresentações. Afinal o casamento tinha se realizado a contragosto da família dela. Até chantagem de deserdo e morte por desgosto teve que ouvir, e enfrentar.

Mas afinal estava casada e presente para mostrar que o noivo era de verdade.

Programou-se um grande almoço de boas-vindas para o jovem casal. A família veio toda. Tanto os da cidade quanto os das fazendas e vilas, um povão.

Todos queriam ver, tocar e falar com o noivo, que a certa altura tinha entregado o corpo e alma pois já não mais sabia o que fazer. Apenas colou um sorriso idiota no rosto e pronto.

- For God's Sake this won't, this cant't last forever - pensava ele, dentes trincados, à beira de um ataque de pânico.

Lá pelas tantas e depois de se ver obrigado a provar algumas doses de cachaça, um tio da moça, roceiro de tudo, de punhal de prata na larga cinta de couro e botas até o joelho, se pôs a puxar conversa com o moço do sorriso duro. Aos brados, em tom capaz de assustar passarinho no ninho e gesticulando muito, com o rosto rubro de embriaguez quase colado no do marinheiro, agora de primeira viagem por terras tupiniquins, gritava e cuspia, um horror:

- ESTÁ GOSTANDO DA TERRINHA? JÁ PROVOU DA FEIJOADA DA COMADRE?

E assim a coisa já ia longe. O gringo sentia a cabeça zumbir, efeito dos gritos e do álcool da maldita aguardente. Calor e moscas em frenesi pareciam rondar todo seu corpo.

O acontecido estava prestes a adquirir proporções gigantescas, quando depois de muito tentar se desvencilhar das primas, e das amigas de infância a noiva correu em socorro do moço.

- Tio pelo amor de Deus fala mais baixo! Não adianta gritar! O moço não é surdo, ele só não entende.
E esta relação estava fadada a durar longos anos.

william h. stutz
janeiro 2007

Sexo,

relações humanas e paciência




As relações pessoais andam cada vez mais complicadas, distantes e superficiais. Realmente não sei se isso é fruto de uma vida cada vez mais ensimesmada ou se a capacidade de procurar ouvir, entender, preocupar-se de verdade com o outro está simplesmente embotando dada a quantidade de estímulos e estilos da vida moderna. A arte de ouvir anda esquecida. E olha que este distanciamento não se restringe apenas às relações profissionais ou de amizade, chega à galope também às famílias.

Caso recentemente contado por minha especial companheira e homônima daquela que a Virgílio conduziu por tortuosos e depois suaves caminhos no relato de Dante em sua Divina Comédia, por tutatis, esse grande e primoroso Aligehri da mágica Florença dos Médicis, Michelangelo e Maquiavel. Devaneio interrompido.
O caso com certeza nos dá muito o que pensar. A ele.

Contam que um menino ao chegar em casa da escola, encontra o pai frente a televisão e apressado o aborda:
- Pai o que que é sexo?
O pai demora a tirar os olhos da tela hipnotizadora, respira impaciente e passa a dar longa e confusa explicação sobre relacionamento homem e mulher, devaneia pela teoria da evolução, cita Darwin, mutações e combinações genéticas, migrações e isolamentos. Engasga ao tentar a posição da igreja sobre o assunto, mas acredita que não pode deixar de mencionar o criacionismo, dá pois versão própria do Gênesis, nem se lembra quando leu pela última vez o primeiro livro do Velho Testamento: "No princípio, Deus criou o céu e a terra. Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, um vento de Deus pairava sobre as águas" – relembrou nostálgico, distanciando-se momentaneamente de seu discurso " orientador".

Claro, mudando tom e postura fala de doenças sexualmente transmissíveis, de AIDS e de métodos de prevenção, da importância do uso da camisinha – sexo seguro ora pois. Exaustivas explicações depois, encara finalmente o filho, como a saber se estaria satisfeito. O menino que se manteve calado todo esse tempo num misto de espanto e tédio, retruca:

- Está certo pai, muito legal isso tudo, mas só não entendi uma coisa. A professora passou um questionário para a classe responder e entregar amanhã, e aqui onde está escrito SEXO marco o quadradinho do M ou do F ?


William Henrique Stutz
janeiro 2007

quarta-feira, janeiro 10

Longe de ti

Me pego a perguntar se valeu a pena, tanta chama tanta paixão,
chego a duvidar que te conheci.
Vivo melhor sozinho, perdido, louco com meus sonhos e apegos
vivo melhor longe de ti?
Me pergunto mil vezes — foi puro e simples amor?
Por que carrego tão pesado fardo, eternas marcas de profunda, alucinante e contínua dor?

Me pego a perguntar — será possível assim seguir peito aberto tentando sempre sorrir;
longe de ti, longe de ti
teu fantasma, teu espectro sempre, sempre a me perseguir.
Valeu a pena, doce figura, respondas em sussurro, valeu a pena?

william h. stutz
janeiro - 2007

sábado, janeiro 6

Hoje - dia de Reis


(enviado por Marília)

Após terem visto a estrela de Belém, Gaspar (cujo nome significa
"aquele que vai inspecionar"), Melquior ou Belquior ("meu rei é Luz")
e Baltazar ("Deus manifesta o rei") se dirigiram para a manjedoura
onde Maria amamentava Cristo.

Ali os três Reis Magos entregaram
presentes ao Salvador. Os três representam a paz, a sorte e a
prosperidade e deram ao Menino Jesus incenso, ouro e mirra, que
simbolizam as riquezas e os perfumes de seus reinos.

Em Paris, no dia de Reis, é comum preparar um bolo em que se esconde a
imagem de um reizinho de louça. Esse bolo é dividido entre grande
número de pessoas, que mastigam as fatias com todo o cuidado. Quem
tiver o rei em seu pedaço, terá sorte durante o ano. No interior do
Brasil, realizam-se as folias de Reis, com cantorias que inspiram
nossos compositores populares.

Para pedir 3 graças:
No dia 6 de janeiro, os Reis Magos concedem três graças. Para
consegui-las, pegue três sementes de romã e uma nota de dinheiro.
Chupe um dos caroços da romã e diga em voz alta:
"Eu te saúdo, rei Gaspar, e peço que me dês para ter e para dar".

Depois, faça o primeiro pedido. Repita a mesma frase mais duas vezes, trocando o nome
dois reis, fazendo os dois outros pedidos e sempre chupando um caroço de romã.

Enrole os três caroços na nota e guarde o embrulho dentro de
sua carteira. No ano seguinte, jogue a nota com os carocinhos no mar,
ou no córrego, ou no rio.
Os pedidos têm de estar ligados ao progresso
e a uma vida melhor.

quarta-feira, janeiro 3

Dedilhando


Fogão de lenha,
cheiro de roça e mato,
tudo fica perfeito
por mais simples o prato.


william h. stutz

domingo, dezembro 31

Feliz cheiros novos


(para a amiga Lia Falcão)

Amiga, para o ano que finda e para o que se inicia
desejo-lhe cheiros. Sim cheiros.
Cheiro de mato, cheiro de cachoeira, fogão de lenha.
Chuva.
Cheiro de grama molhada, de vento de praia - maresia.
Jasmim em flor, parreira exuberante linda, uva.
Cheiro de pão de queijo, conserva de pimenta, vinho tinto.
Feijoada.
Cheiro de riso, de boa prosa de amizade nascente.
Perfume preferido, colorida florada.
Deixo cheiro e mais cheiros, um ano novo assim: cheiroso que só.
Repleto de alegria amiga Lia
Feliz cheiros novos manacá-de-cheiro, ano todo.
E claro um voô suave e seguro
de graciosa e doce harpia.

quarta-feira, dezembro 27

Tsunami

Pela manhã abri torneira da pia.
Cozinha do quintal.
Tinha um monte de formiguinhas, daquelas miudinhas se deleitando com
um pingo de sobra doce.

Tsunami doméstico. Agacharam-se todas em pânico grudadas em inox sem graça, puro brilho. Morte iminente.
Desespero/apego à vida.
Tive dó, fechei ligeiro a cachoeira.
Pelo que vi, salvaram-se todas.

william h. stutz
Uberlândia num finzinho de dezembro , o ano ainda é 2006

Menino D'us


Tarde da noite em lombo de carinhoso burrico, tenro olha para José santo.
Menino Deus encantado balbucia precoce/milagroso primeiras palavras:
_ Pa.. pa... pa...Paz

william h. stutz
dezembro/2006

domingo, dezembro 24

segunda-feira, dezembro 18

O hospital e o bailarino

No afã de registrar a inédita participação do poder público municipal no aperfeiçoamento do talentoso Igor, deixei de mencionar a imprescindível e mecenata participação do conceituado Hospital Santa Catarina na formação artística do bailarino de nosso cerrado junto escola Bolshoi.

Registra-se pois, que mesmo de maneira informal é possível um rico pas-de-deux cultural entre o público e o privado, viabilizando assim, a promissora carreira de um jovem que, de outra maneira com certeza não se alavancaria.

Quantos e quantos talentos estarão ai a espera de chance como esta para alçar vôo solo.
Parabéns Hospital Santa Catarina por cuidar e investir também na saúde cultural de nossa gente.

William Henrique Stutz
dezembro/2006

sábado, dezembro 16

Namastê !


Uma noite inesquecível no London, revelando curiosidades, desvelando o fascínio pela cultura e mística Indiana.

A Índia é realmente um pais maravilhoso e misterioso, uma das civilizações mais antigas e místicas do nosso planeta, cheio de contrastes com uma grande diversidade de línguas, hábitos, arte, música, culinária , rituais e praticas espiritualistas. Quem foi a este Pais se lembra de sentir um aroma constante de incenso e de seus condimentos e especiarias diluídos no ar, é uma constante também ver guirlandas de flores, usadas em oferendas , casamentos e datas especiais, tecidas por mulheres nas feiras sempre muito coloridas, encontrar sábios, acetas e sadhus vagando pelas ruas.

O indiano cultua uma grande quantidade de deuses (deidades) como: Brhaman, Ganecha, Rama, Shiva, Sarashvati, Lashimi, Krishna, Rhada,Sita, Ranuman e muitos outros, sendo que cada deidade é uma faceta de um só Deus. Utilizam símbolos como: o Om que representa o poder de Deus, o som primordial da criação, o princípio universal, é entoado no começo de todos os mantras e cerimônias; a Flor de lótus ,cresce na água pantanosa e não é afetada, representa que devemos ficar acima do mundo material apesar de viver nele, suas pétalas representam a "unidade na diversidade". A principal mensagem dessa cultura é a aquisição de conhecimento e a remoção da ignorância. Enquanto a ignorância é como a escuridão, o conhecimento é como a luz.

Venha vivenciar conosco esta noite auspiciosa e aconchegante , com Mostra Indiana de músicas, sabores, aromas, roupas, decoração e Yoga .


Dia 20 de Dezembro – Quarta feira
Local: London Pub
Abertura às 20:00h

A MÍSTICA-Cultura de Paz fará apresentações de práticas de Yoga às 20h30
Show Musical com o Grupo Nytiananda as 21h30


Folder com programação detalhada Clique AQUI

quarta-feira, dezembro 13

O prefeito e o bailarino


Em um momento em que artistas e desportistas deploravelmente se digladiam por recursos a nível nacional, nossa Uberlândia amanheceu recentemente mais especial e mais uma vez dando raro e belo exemplo.

Pouco se falou sobre o fato além de pequenas notas aqui e acolá, justiça seja feita, nosso Jornal Correio noticiou e bem o fantástico projeto de lei de nosso prefeito Odelmo Leão liberando recursos para a manutenção do jovem bailarino Igor Renato Silva em curso de um ano de duração junto à tradicionalíssima escola do Balé Bolshoi em Santa Catariana, única do gênero fora da Rússia.

Mais importante ainda se torna o projeto de nosso prefeito se levarmos em conta que investir em arte, notadamente dança, é coisa rara por nossas paragens.

Se patrocinar esportes como futebol, basquete, que são digamos, mais "palatáveis" já é pouco comum, imaginem então apoiar atividades culturais, em particular o balé.

Parabéns prefeito Odelmo pelo projeto, que seu exemplo seja seguido pela iniciativa privada afinal a lei federal de incentivo à cultura (Lei nº 8.313/91), ou Lei Rouanet como é conhecida está ai já debutante e parece que, pelo menos aqui é pouco acionada.

Parabéns professora Idelma Pereira de Almeida idealizadora e coordenadora do Projeto Dança na escola, decobridora de talentos. Parabéns ao Núcleo de Estudos da Dança, da Oficina Cultural. Parabéns Câmara Municipal que de pronto aprovou louvável projeto. Parabéns Uberlândia. Temos muito de que nos orgulharmos.


William Henrique Stutz
dezembro 2006

segunda-feira, dezembro 11

Boicote ao filme "Turistas"

(ufanismo ou vergonha na cara?)


Esta é uma campanha em massa para BOICOTAR integralmente o filme americano TURISTAS, que estréia lá em 1o de Dezembro e aqui em Janeiro ou Fevereiro, distribuido pela Paris Filmes. Para quem não sabe, o filme conta a história de 6 jovens americanos que vêm ao Brasil de férias.

Chegando aqui tomam uma caipirinha com 'boa noite cinderela', são assaltados, sequestrados, torturados e por fim têm os órgãos roubados por traficantes da industria negra dos transplantes.

Alguns morrem e mesmo os que sobrevivem não têm um final feliz. O filme é classificado como TERROR, comparado ao filme 'O Alberge', e a EMBRATUR já está tão preocupada com a péssima repercussão do filme lá fora que, temendo uma queda brusca na receita do país vinda do turismo internacional, já está preparando campanhas intensas para serem veiculadas lá fora e tentar minimizar os estragos.

Façamos então a nossa parte. Vamos fazer deste absurdo, pelo menos aqui no Brasil, um fracasso total de bilheteria. NÃO ASSISTAM, NÃO DÊEM $$$ A UMA PRODUÇÃO QUE SÓ VISA DENEGRIR NOSSA IMAGEM. Só pra se ter uma idéia, o trailer começa com a frase: 'Num país onde vale tudo, tudo pode acontecer!!!'

Passem essa mensagem para o maior número de pessoas, pois eu considero que seja nossa obrigação não passar nem na porta dos cinemas que estejam exibindo esse filme.

O trecho – quarto ato


São Sebastião não tinha padre, assim fixado, morando. Vez ou outra aparecia um na vila, coisa de espaço grande. Quando vinha fazia tudo no atacado, casamento, batizado, crisma, confissão: perdoava uns, penitenciava outros. Se o pecado era grande demais e a procuração de Deus não cobria, ai era aguardar o destino.
Até extrema-unção atrasada o padre dava.
Sem presença do moribundo, esse havia a tempos partido, mas a alma mesmo tarde era encomendada.

Morando lá apenas três irmãs missionárias, cuidando das coisas das coisas do espírito.
Certa feita teve festa. Fartura de comida e bebida, uns mataram tatu atropelado e fizeram farofa outro trouxe carneiro para assar.
As irmãs comeram enganadas achando que era frango e vaca.
No dia seguinte mesmo depois de elogiar a comida passaram mal ao saberem da procedência. Coisa da cabeça, guia em tudo até no gosto.

O padre por nome Dázio, este sim, gostava de carne de caça.
Dia daqueles ganhamos um rabo de jacaré, de tanta dó do bicho, cozinhou mal, ficou com gosto de couro, de baixeiro velho até Tupã o cão das caçadas fez pouco, quis não.
Jogar fora nem pensar. Veio a lembrança, toca a oferecer para Padre Dázio, ele estava na vila. Que maldade, será pecado?

Cobrimos a tigela com o mais alvo dos panos de prato da casa, linho branco com pequenas flores bordadas em azul e rosa, um primor de beleza. Chegamos à tardinha na casa paroquial, já escurecendo, o padre nos recebeu com um sorriso maroto, sentiu o cheiro do tempero – pouco via era ruim das vistas, pois não é que comer com os olhos não podia, nossa salvação.
O padre comeu ao enfaro – lambeu até osso, fazia gosto de ver.
E nós, livre ficamos do jacaré de má sina, pelo menos morreu por causa uma – alimentou padre. Cruzamos olhar cúmplice, sorrindo para dentro, de mãos dadas tomamos o caminho de volta, Futrica e Tupã a correr conosco rolando no pó – alegria de bicho.

As tardes e as noitinhas na vila não eram de passar. O vento ficava quieto, ofegante e cansado. O sol teimava em aquietar-se na distância, mas não sumia de todo rápido, era manso o seu sumir. Carregava de tinta e cor o céu, as matas e os pastos. Dava uma vontade e de não-sei-o-que-dava-de-vontade, era uma meia tristeza longe, amarro de boca de estomago – triste tristeza que vinha com a tarde finzinha. Doía. De certo era portanto que as gentes se matavam nessa hora. Choro preso.
Depois o breu. A noite enfeitada, já contei, estrelas adoeciam o céu de tantas que tinham. Nas noites sem lua então, dava sombra na terra-pó. Sombra de estrela.

Era nessas noites que nos vinham as luzes.
Eu mais Bia gostávamos de ir até fora da vila – em estrada que seguia rumo ao posto de leite, laticínio resfriador, um ermo.

Tinha um mata burro. Ficava no tope do trecho que rumava para o rio lá longe. Sentávamos lá quase sempre no silêncio. Namoro de respiração, carecia muito falar não. Contávamos sonhos, criávamos um mundo nosso, nossinho de fantasia, belo/lindo, puro sonho de tão bem sonhado.

Na calma dos contos ela devagar se anunciava. Tímida, primeiro brilhava rente ao chão quase sempre no meio da estrada. Parecia se oferecer. Candura. Flutuava com ainda pouco brilho prata-vermelho-azul palmo ou dois do chão. Como a buscar atenção aumentava o brilho, bailava em curvas rápidas para bem alto.

Sumia. No repente aparecia a poucos passos de nós já grande e agitada corria em rapidez de passarinho pela estrada, veloz. Sem aviso se atirava ao céu em frenética dança: rodopiava, parava se fazia vir/ir. Parava, parava. Apagava um pouco e outra vez vinha devagar para nós. Sem medo, sem som, sem vento. Só luz e movimento. Sumia. Cansou da gente sussurrávamos. Quando apercebíamos seu brilho em nossas costas na entrada da vila antes do limite criado, que era a sombra, a iluminação vermelha da lâmpada do primeiro poste. De lá ainda não tinha passado. Ainda.

Movimento rápido outra vez, sem ser brusco voltava a sumir para agora brilhar no meio do pasto. Riscava um oito imenso e com rastro no alto céu e sumia, agora só amanhã. Hora era uma sozinha, hora eram muitas. Ficavam perto, muitas ficavam longe muito longe lá no contorno do vale. Luz de carro dizia uns – mas como se lá nem estrada tinha, nem atalho, e até hoje não tem.
Uma feita eu mais Vilson Gato – nome de batismo mesmo Gato, não era por assim chamado apelido não – coisa de Padre Dázio? Ninguém afirma – resolvemos correr atrás delas.
Brincou conosco, corremos mais de quilometro e ela arteira na frente. Sumiu outra vez, zombeteira, já estava lá junto de Bia, e ela não via, só Vilson e eu cá de longe.

Carece sei eu de falar mais da aparência das luzes, difícil contar. Um diamante com luz dentro. Pronto descrevi, era assim. Ou quase, tem coisa sem jeito de contar, palavras faltam, estão aqui as lembranças não saem recontadas – difícil.
Tento: acende luz dentro do puro cristal, vai ver o que víamos toda noite no céu, na estrada, no pasto no mato – um brilho sem calor – suave e vivo. Era assim. Maravilhoso.

Gente estudada por lá esteve observando, vieram da capital. Aparelhamentos e muito observar. Ficaram uma semana – a luz só deu o ar da graça duas vezes – e rapidinho, acho que não gostou da cátedra – os professores se foram frustrados mas crédulos pois viram e filmaram, não contaram mais nada para nós da vila. Arrogância de doutor de papel, só, conhecedor nada da vida das gentes. Levou muito, nada, as luzes ficaram nossas.

Um dia, nem te conto, mas tenho que contar. Era um sábado – tarde da noite para nossa vila já dormindo. Fomos buscar a companhia mágica de nossas luzes. Nossas sim, todo mundo via, conhecia, mas não punham o reparo merecedor. Acostumaram e pronto – as luzes? Ah as luzes, sei estão lá fim de prosa, virou cerca, virou cobra, virou árvore, mas novidade não, nem te ligo. Perdeu o encanto para os quase todos.
Seguimos a acompanhar o bailado de luz por hora ou pouco. Depois nos colocamos a ir – surpresa – uma acompanhou o batido. Seguiu de longe. Entrou na vila desconfiada. Passou rente a farmácia fechada a anos, desceu a rua. Cruzou a outra rua. Na esquina o bar do Jorginho japonês, meia dúzia com as cabeças presas no dominó. Não adiantou gritar por nome, ninguém olhava.

Cruzou conosco, a meio trote a frente da escola e da igreja, à esquerda desceu rumo ao campo onde o circo ficava. A direita no fim do campo, a esquerda no corredor de gado onde morávamos. Não seguiu mais. Parou no moirão da cerca. Brilhava-brilhava. Descemos até o portão – e ela lá a vigiar. Não sabemos até quando ali ficou.
Sentimos estranha proteção.
Por muito passar de tempo com as luzes compartilhamos. Segredos e mágica.
Mudamos para cidade, as luzes, minhas luzes, as luzes de São Sebastião do Pontal. Se continuam lá não sei. Talvez falte platéia, talvez falte companhia. Hora vou lá de visita. Depois conto. O trecho ainda é longo, tem muita história, acabou não.

william h. stutz
dezembro 2006

quinta-feira, dezembro 7

Reconto de Natal - prosa

Reconto de Natal

Mais um Natal se aproxima e nas ruas vemos as vitrines com suas luzes multicoloridas, num pisca-pisca sem fim. Vozes afinadas e coros ensaiados entoam canções evocando a paz, cores e cheiros, confeitos e panetones exalam de todas as esquinas.

As ruas novamente cheias – gente aflita, em suas expressões a esperança de um novo tempo, falsas alvíssaras.
Acentuadas diferenças, a orgia do consumo desenfreado fazendo contraste com a miséria escancarada/escondida. Avareza?

Em nome Dele – banquetes são preparados, aves são abatidas, gordurosas carnes compõem o cardápio. E vinho, muito vinho puro néctar. Gula?

Nos locais de trabalho o tradicional amigo oculto, secretamente sorteado. Confraternização geral – em muitos casos o que se vê são trocas de beijos de Judas entre inimigos afáveis de cordialidade curta. Ira? Inveja?
Mais uma vez em nome Dele observamos falsa alegria.
Para poucos luxo, consumismo e desperdício. Soberba?

Mas um olhar mais atento para nossas sarjetas, para as marquises à nossa volta e poderemos perceber que elas escondem o horror da farsa/festa. Enquanto que em ambientes requintados banham-se em caras fragrâncias. Luxúria?

E imaginar que em manjedoura distante um Menino pode, envergonhado, estar chorando tristes lágrimas pela insensibilidade humana.

Não sei não, às vezes me pego a pensar: "Será que mais uma vez não esquecemos de convidar O homenageado para Sua grande festa de aniversário?" Preguiça?

William H. Stutz
dezembro 2006

quarta-feira, dezembro 6

Estamira: a salvação no lixo



CONVITE

Primeira exibição do Cine Club Rosebud com o filme

Estamira
de Marcos Prado

Dia 10 de dezembro às 17:00 no Palco de Arte, (Uai Q Dança)
Rua Manoel Alves, 22, Fundinho.
Entrada franca.

Será realizada uma discussão com a participação dos Prof.(s)
Paulo Buenoz ( Arte-UFU),
Maria Lúcia Castilho Romera (Psicologia-UFU) e
Iara Magalhães (Cinema- UNITRI).


Estamira conta a história de uma mulher de 63 anos que sofre de surtos esquizofrênicos e trabalha há mais de 20 anos no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro.

Carismática e maternal, Estamira convive e lidera uma pequena comunidade de velhos que habitam o lixão. Filmado desde 2000, quando começou a se tratar num centro psiquiátrico público, o filme mostra seu cotidiano ao longo de 3 anos, a sua transformação e os efeitos dos remédios que se obriga a tomar.

Não percam!

segunda-feira, dezembro 4

Reconto do Natal - verso


Luzes multicoloridas
vozes afinadas, cores e cheiros.
Panetone.

Ruas cheias, falsas alvíssaras.
Acentuadas diferenças
Orgia, consumo, miséria escancarada/escondida.
Avareza

Em Seu nome comer e beber à larga
Aves abatidas, gordurosas carnes,
Vinho, puro néctar.
Gula

Beijos de Judas,amigos sorteados secretamente.
Inimigos afáveis, cordialidade curta.
Ira

Pequenos papéis em caixa de recados - bilhetes
anonimato, perjúrio, maldade.
Inveja

Em nome Dele falsa alegria
Renascimento e luxo - poucos.
Soberba.

A sarjeta, os andaimes, as marquises
a esconder horror da farsa/festa.
Em salões requintados banham-se em caras fragrâncias.
Luxúria.

Em manjedoura distante
Menino chora envergonhado: insensibilidade humana.
Preguiça.

william h. Stutz
dezembro/ 2006


Ilustração:

Hieronymus Bosch
Os Sete pecados capitais, 1480, óleo sobre madeira (mesa), 120 x 150 cm.
Museu do Prado – Espanha:

http://museoprado.mcu.es/home.html


Mais sobre esta obra de Bosch:

http://www.casthalia.com.br/a_mansao/obras/bosch_mesa.htm

quinta-feira, novembro 30

VagaMundo


Quarteto VagaMundo em novo Show
Imperdível "Dá Aqui"

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quarta-feira, novembro 29

Voar


William h. Stutz

Em vôo cego me pego
rasante ao vento sobre águas
apaixonantemente cálidas

Em vôo cego me pego
perdido
Pouso forçado magoado
Sofrido

Em vôo me pego cego sem razão
Não vejo luz só breu
Escuridão.

Em vôo me pego, decepcionantemente
Cego.

Novembro/2006

segunda-feira, novembro 27

Religião nas escolas



Mais uma polêmica à vista. Ensino religioso deve ou não ser curricular em nossas escolas públicas. Particularmente fico preocupado quando se propõe tal obrigatoriedade.

Nosso Brasil é um país com as mais diversas influências de crenças, uma verdadeira salada de religiões, repleto de belos exemplos de sincretismo, alguns criados por força das amargas circunstâncias do momento como a dos sofridos escravos obrigados a renomear suas divindades com nomes dos santos católicos para poderem referenciá-los sem o risco de severas punições. Outros criados com objetivos um tanto quanto pouco explicados.

Fico na minha leiguice a imaginar como seria a grade currilcular de tal matéria...

— Crianças, hoje vamos falar sobre a religião Judaica, amanhã abordaremos o Cristianismo em suas multifacetadas formas de manifestação: um período dedicado ao Catolicismo, outro muito, mas muito longo e mutável,dedicado às várias formas de manifestações evangélicas.

Semana que vem Islamismo, e não esqueçam de estudar para o exame final a doutrina Espírita, o Budismo, o Hinduísmo, o Zoroatrismo e suas dezessete Gathas, e o Taoísmo. No semestre que vem abordaremos apenas as religiões não monoteístas.

Fico, repito na minha leiguice, preocupado. Particularmente não acho que cabe à escola este papel e sim ao convívio familiar, cada um exercendo seu livre direito de crença, de demonstrar seu amor a Deus ou às suas divindades da melhor e mais pura forma que achar justo e perfeito, orientado por sua fé e na eterna benevolência divina e, isso sem a ingerência do Estado que, constitucionalmente é e deve ser laico, pois como bem disse o professor e jornalista Daubi Piccoli:

"Justiça à multiplicidade de etnias e à diversidade religiosa seria feita respeitando-se a lei, vide constituição Federal/88 - Art. 19".

Agora, se o ensino religioso nas nossas escolas públicas tivesse o escopo de mostrar a ampla diversidade de crenças e suas formas de manifestação, se viesse com o objetivo de se promover a tolerância, o respeito às diferenças, a possibilidade de convivência harmônica entre os povos e jamais vir acompanhado de caráter doutrinário e tendencioso, bom, aí, na minha leiguice, ponderaria.



William H. Stutz
Médico Veterinário Sanitarista
Uberlândia – Minas Gerais
whstutz@gmail.com


No Jornal Correio AQUI

segunda-feira, novembro 20

Coração encantado

sua sombra seu entorno,
seu contorno,
seu ir, seu retorno

William H. Stutz
novembro - 2006