terça-feira, julho 30

Corrida de Revezamento

Atenção sempre ao perigo de estrada corredores e romeiros. Olha onde esse caminhão realizou ultrapassagem ! Isso com escolta da Polícia Rodoviária.
O cara é doido!


160 atletas participaram da Corrida de Revezamento até Romaria

A 8ª edição da Corrida de Revezamento Uberlândia/Romaria, realizada no último sábado (27), teve a participação de 160 atletas entre profissionais e amadores que fizeram o percurso Uberlândia/Romaria, na distância de 90km pela BR-365. A prova não tem caráter competitivo e os atletas percorrem em grupos e percursos pré-definidos.

“É a primeira vez que participo da corrida. Foi muito organizada, o pessoal mais experiente me deu algumas dicas durante o percurso da corrida. Muito bom mesmo”, disse Felipe Marques Borges, de Catalão, que participou da corrida pela primeira vez.

“Foi muito boa a corrida. A sensação de chegar em Romaria, cumprir o objetivo da corrida, é uma sensação maravilhosa, indescritível”, comentou Wyara Cristina Neves, que participou pela terceira vez da prova.

“Estamos muito satisfeitos de termos realizado mais uma edição da corrida de revezamento. Muito obrigado aos corredores, aos funcionários da Futel, a prefeitura de Romaria, e as polícias Militar e Rodoviária Federal, além da Secretaria de Trânsito e Transportes pelo apoio”, comentou Zezinho Mendonça, diretor geral da Futel.

A Corrida de Revezamento Uberlândia/Romaria é uma realização da Fundação Uberlandense de Turismo Esporte e Lazer e destinada aos praticantes da modalidade “Corrida de Rua”, amadores ou profissionais.


Fonte: Portal da Prefeitura de Uberlândia

sexta-feira, julho 26

Reunião





Não tem situação mais estranha do que participar de reunião onde não se conhece ninguém. Reunião esta que pode até ser festiva, mas que, curiosamente, são as mais constrangedoras. Você recebe o convite de um grande amigo e sabe que não pode faltar. Pega mal. Lá chegando, meio que sem graça, dá uma volta por todo o ambiente e nada do tal amigo aparecer. Solução: busque uma mesa, a mais afastada possível de tudo e todos, de preferência encostada em alguma parede. Seu campo de visão é vasto e pouco se é notado. Arme-se de um meio sorriso sem graça e fica a observar o movimento. A ansiedade cresce a cada minuto que passa sem que nenhum rosto conhecido apareça, não precisa ser amigo, só conhecido.

Já encontrou com conhecido de Uberlândia em algum lugar do mundo durante viagem? Pode ser no litoral do Nordeste, em Orlando ou Viena. Essas pessoas, que nunca em tempo nenhum lhe dirigiram um aceno que fosse, fazem a maior festa, como se tivessem sido criadas na mesma rua e crescido juntas. Quem de longe observasse ficaria encantado com tanta gentileza e alegria. Pois bem, volte para cá e cruze com estas mesmas pessoas na rua, no clube, no teatro ou em algum restaurante. Baixam os olhos à sua passagem e você volta a ser o desconhecido de sempre, do qual querem a maior distância possível. Juro, nunca entendi esse comportamento bizarro. C’est la vie, penso eu, cada um com seus problemas e esquisitices.

Em reuniões, a situação é quase a mesma. Um rosto conhecido se aproxima e você lá, com sorriso suplicante, recebe um olhar, com certo pouco caso. O máximo! Sente-se em casa e aquele sujeito passa, por alguns segundos, a ser seu maior confidente, conhecedor de todos seus mais profundos segredos. O cara aproxima-se, o cumprimenta nem tão efusivamente e segue caminho. Seu olhar se dirige para o arranjo da mesa, cutuca uma flor, ajeita o vaso. A vontade é de se esconder atrás dele como se fosse moita.

Finalmente chega a bebida e o garçom passa a ser a bola da vez. Ele é o único que vem à sua mesa com
frequência, enche sua taça, troca algumas palavras. O esforço para tratá-lo bem é máximo. Não que queira prioridade em atendimento, mais fartura de bebidas, copo sempre cheio ou maior variedade de folhados e canapés. Nada disso. Você deseja apenas e unicamente companhia.

Aos poucos, a bebida começa a fazer seus loucos e relaxantes efeitos. Nada mais importa. A festa fica linda, onde até arriscar alguns passos na pista de dança acontece. A noite passa, finda e a volta para casa de táxi é doce e feliz. Valeu a pena.

Reuniões de trabalho são mais ou menos assim, quando poucos são os conhecidos. Olhares desconfiados sempre surgem: quem é esse cara a invadir nosso ambiente seguro?

Sou meio arredio para reuniões. Semana dessas, fui representar minha coordenadora em uma. Obviamente conhecia algumas pessoas lá presentes e tinha certo domínio sobre o assunto abordado. Fiquei encantado com a condução. Organização e timming perfeitos. Recado bem dado. Altamente produtiva. Único entrave foi que, marcada para tal hora, só começou bem mais tarde. Faltou pontualidade de alguns.

Mineiramente, já que ali estava como observador, tentei agir como a coruja do português comprada como sendo papagaio. Perguntado se o bicho falava, retrucou: olha, falar, fala não, mas presta uma atenção!





Publicado em Jornal Correio de Uberlândia em 26/07/2013


segunda-feira, julho 22

Galo forte



Nunca me imaginei escrevendo sobre futebol, mesmo nascendo em berço alvinegro, no bom e velho bairro dos funcionários em Belo Horizonte. Lá é assim: ou se é atleticano ou torce para aquele time que se veste de azul, cujo nome não pronunciamos tal qual um Voldemort, o “Você-sabe-quem” da saga de Harry Poter. Fica uma beirinha de gente para torcedores do América, geralmente mais erada e saudosa de histórico decacampeonato mineiro – 1916 e 1925 – só isso. Estranho, meu editor de textos insiste em sublinhar de vermelho a palavra “erada”. Não está nos dicionários online e, para espanto meu, nem no Google. Ora viva! O nosso falar do interior das Minas e Goiás não foi indexado na rede. Mas, para sossego, consta do “Aurélio” de papel. Como é bom folhear um bom dicionário, descobrir palavras, brincar de significados. Música de páginas passando, cheiro de verbetes e transcrições fonéticas.

Quarta-feira 10 de julho foi especial. Como aqui as emissoras de televisão ditam as cartas e eu tenho obrigatoriamente que acordar cedo, fica impossível até pensar em assistir a um jogo completo. Somos forçados a esperar até as 22h para começar. Como sou do dia, dormir tarde equivale a um porre de vinho de má qualidade. Mas esta ressaca valeu a pena.

Adorei sair de casa de óculos escuros para esconder as olheiras, troféus.

A ideia, como de costume, era ver um pedacinho do primeiro tempo e ir direto para a cama. Resultado só no dia seguinte. Como são poucos os atleticanos em Uberlândia não podia contar com foguetório para ir me dando placar. Se fosse time de São Paulo ou Rio daria para acompanhar apenas pelo espocar de
rojões.

A visão do Independência sacudido por uma massa linda e vibrante bateu forte. Daria muito para poder lá estar. As imagens dos rostos, da fé, os gritos de “Eu acreditoooo!!!” eram de fazer arrepiar o mais frio dos
humanos.

Aos dois minutos e meio, o pequeno Bernard recebe passe mágico de Ronaldinho e coloca a bola por entre as pernas do goleiro “hermano”. Tive que ver até o fim. Sozinho, sentado o tempo todo só com a ponta da bunda no sofá, tamanha a aflição. A espera do segundo gol que não vinha. Imagens de olhos rasos d’água por toda a torcida, apego e rezas a tantos santos, até para alguns que nem existam formalmente.

A resposta dos céus veio pelos pés de Guilherme. Meu grito deve ter acordado vizinhos. Cães da vizinhança latiram preocupados. Um ou dois foguetes lá longe. Tem pelo menos mais meia dúzia de atleticanos em algum lugar. A série de pênaltis também foi sofrida. Aliás, tudo na vida atleticana é sofrido e é por este motivo tão preciosa e valorizada. Jô e Richarlyson, o quê foi aquilo? Querem matar a maior torcida de Minas de susto? Ainda bem que “los hermanos” Casco e Cruzado retribuíram a gentileza. “São” Victor voou como ave pantaneira e despachou o Old Boys. “Hasta la vista, baby”!
Acordar no dia seguinte foi uma batalha. Mas valeu a pena a fala rouca dos gritos espontâneos e a difícil tarefa de conciliar sono profundo, pois a agitação não deixava. Valeu a pena mesmo. Alma lavada.

Galo cantou. No meu quintal, em meu coração. Galo cantou e seu grito ecoou por toda Minas Gerais. Galo forte vingador.
Pena, a decisão será no Mineirão. Se não fosse, já poderíamos levantar a taça da Libertadores, pois está mais do que comprovado: “caiu no Horto, está morto”.





Publicado Jornal Correio  em 21 de Julho de 2013

domingo, julho 14

Plebiscito




Agora mais essa, resolveu-se criar plebiscito. Assim do nada e em momento conturbado. Resolveram consultar o povo finalmente. Parece-me mais uma artimanha do que proposta de resolver qualquer coisa. Um decreto da plebe, pois é esse o significado de plebiscito. Serve para um monte de coisas, inclusive para tapar sol com peneira. O último que aconteceu por essas bandas foi para que nós povo escolhêssemos se queríamos monarquia parlamentar ou República; parlamentarismo ou presidencialismo. A consulta popular foi feita em 1993 e venceram a República e o Presidencialismo. Ninguém quis rei ou rainha de volta.

Bastava-nos Roberto Carlos e Xuxa. Depois, em 2005, toca-se referendo sobre desarmamento das pessoas de bem e esse recebeu um tremendo NÃO de quase 70% de população fatigada de ver arma só em mãos bandidas.
Atenção, plebiscito e referendo são atos distintos. Basta consultar um bom dicionário ou jogar no Google. Mas cuidado com o Wikipédia. O tal plebiscito de agora, a meu ver, já começa errado.
A parte interessada já propôs as perguntas.

O certo seria consulta ampla antes, para saber quais perguntas deveriam ser feitas. Primeiro seria feito um referendo para saber se nosso povo quer ou não o tal plebiscito.
Se a resposta for não, para por aí e segue o bonde. Se a resposta for sim, criar-se-iam comissões Brasil afora para decidir quais as perguntas ali seriam feitas, por região.

Feito isso, delegações se reuniriam em intermináveis assembleias e ali, por alguns meses, ficariam discursando em púlpito, bramindo e gesticulando em defesa de seus pontos de vista. Depois de todos cumprirem o ritual da gritaria, votariam as tais cinco perguntas e, novamente, levariam referendo ao povo. Tudo certo agora? Não. Desconsiderar-se-ia tudo, por entender que não foi assim tão democrático, mantendo-se as perguntas originais oferecidas pelo governo. Ou, como os Gauleses da aldeia de Abracurcix, recolhem-se os votos, atiram-se as urnas lacradas ao mar antes de sequer verificar conteúdo.

Para piorar, se tempo hábil houver, escolheram as eleições do próximo ano para o tal plebiscito. Já viu a dificuldade que grande parte da população tem em votar ao mesmo tempo para presidente, governador, deputado estadual, deputado federal e senador? Agora incluir mais cinco perguntas que se desdobram em outras tantas? Vai ser calamidade. Horário de pico em estação de metrô, congestionamento de marginal em São Paulo em dia de chuva, coisas que só vemos pela mídia. Estará mais para vestibular, Enem, do que para eleição.

Acredito que todo brasileiro minimamente informado já tenha suas perguntas formuladas. Tomo a liberdade de apresentar as minhas e levá-las à subcomissão de assuntos de plebiscito, assim que for criada. Aí vão elas:

Voto distrital, é claro; fim da remuneração de vereadores, edil apenas altruístas; fim do voto obrigatório; fim de qualquer espécie de financiamento de campanha; fim da reeleições em todos os níveis; criação do “recall” sugerido pelo ministro Joaquim Barbosa: Não trabalhou, quem elegeu demite.
Fim dos suplentes no Senado não vai nem listar, pois considero a existência parasitária destes de um surrealismo digno de Buñuel.

Tenho várias outras sugestões que certamente não serão acatadas, mas fazer o quê, aqui é Brasil, e tudo se resolve por intermédio de ardis. Já vi esse filme.

Publicado no Jornal Correio de Uberlândia em 13 de julho de 2013


terça-feira, julho 2

Canseira


Imagem agoraencena.blogspot.com.br

Ando árido de pouco escrever. Parece que a fonte secou ultimamente. Secura de mundão que em tudo imita um sertão de Rosa e Euclides – quanta intimidade com gênios imortais. Deve ser cansaço, descrença ou espanto. Talvez os três – tríade da desesperança que, espero, seja momentânea.

Não que falte assunto, isso nunca. Aliás, estamos passando fase de alta safra de temas, prato cheio para jornalistas, palpiteiros e rodas de prosa. Enumero sem me apegar a cronologia. Comecemos pelo que nesse momento sacode o país: as manifestações populares Brasil afora em proporção só vista em minha humilde vivência e das quais participei ativamente durante as “Diretas já” e no “Fora Collor”. Só isso daria um livro. Observo atento, apoio irrestrito.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) número 37, que amordaça nosso Ministério Público, é uma afronta à nossa jovem democracia. Já pensou a farra se o MP fosse proibido de conduzir investigações criminais? Inimaginável.

Mais assunto? Tome: a aprovação pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados do projeto de lei conhecido como “cura gay”, pelo qual psicólogos podem propor tratamento para o homossexualismo. Felizmente os psicólogos não pensam assim. Eu não sei se pulo de uma ponte ou mudo de planeta. Pelo que sinto, a idade das trevas retorna com seu manto de ignorância, intolerância e maldade, só que, desta vez, sob o comando de outra igreja. Será que entre eles não existem mentes brilhantes como um Dom Helder Câmara?

“Mariama, Nossa Senhora, mãe de Cristo e Mãe dos homens!
Mariama, Mãe dos homens de todas as raças, de todas as cores, de todos os cantos da Terra. Pede ao teu filho que esta festa não termine aqui, a marcha final vai ser linda de viver.”

Um Frei Betto? Um Frei Tito? Que, exilado, mortificado pelas torturas sofridas durante a ditadura, suicidou-se em Lyon na França e, mesmo assim, lhe foi permitido enterro em campo santo: “São noites de silêncio./ Vozes que clamam num espaço infinito./Um silêncio do homem e um silêncio de Deus./ Talvez seja esta a voz humana, de nosso tempo”.

“Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate! Abandone toda a esperança, vós que entrais aqui! Tito se lança a Dante para título de seu derradeiro poema”. Imaginem a angústia e sofrimento desse homem.

Não, não é falta de assunto. Corrupção generalizada e institucionalizada, prato cheio. Mais desatino? Aprovação do “Ato Médico”. Que doido!

Ronaldinho diz que não se faz copas com hospitais. Pelé bagunça o coreto, em declaração esclerosada pedindo ao povo que abandone as manifestações. Tirando um Tostão, um Sócrates, um Ray, um Reinaldo, um Zico e mais meia dúzia, chego à triste conclusão que a maioria dos jogadores sofre de deslocamento de órgãos: o cérebro se deslocou para os pés. Romário tinha razão. Pelé calado é um poeta.

Vejo com nó na garganta um país se esboroando ao vento e me sinto acordando de um sonho que, em sua fase mais profunda, tornou-se pesadelo. O chão de milhões balançam em dúvidas sobre futuro incerto. Não é falta de assunto, este sobra. Reflexos da tríade lá do alto. Mas passa, como tudo passa.

Em último recado, para aqueles que acreditam que o movimento é coisa de preço de tarifa de transporte, transcrevo aqui a melhor frase que vi em todas as manifestações: “Enfia esses R$ 0,20 no SUS”.

PS: Acho que este dito do cartaz será impublicável.






Publicado Jornal Correio em 2 de julho de 2013


terça-feira, junho 25

Gastrononia e saúde coletiva

O delicioso controle dos pombos

Clarimundo Campos Engenheiro Agrônomo aposentado

Com o atraso de dois anos, acabo de receber um livrete da Secretaria Municipal de Saúde de Uberlândia, intitulado “Pombos Urbanos – Uma Questão de Saúde Pública”. É muito bom. Deve ser obra do Centro de Controle de Zoonoses. Vi, naquela esmerada publicação, o dedo do doutor William Stutz, médico veterinário sanitarista, o maior especialista do mundo em escorpiões. Como as columbas são protegidas, de todos os modos, inclusive por leis ambientais, a população das pombas aumenta ra- pidamente, com sérios transtornos ao meio am- biente e à saúde pública. “Uma colônia de pombos não controlada pode du- plicar de tamanho a cada ano.”

Leia a crônica completa clicando abaixo




Publicado no Jornal Correio de 23/06/2013


Resposta a Clarimundo Campos

De pombos e formigas

Como faço todos os domingos , começo leitura do Correio sempre pela crônica de Clarimundo Campos, ele agrônomo eu veterinário. Muitas coisas além do gosto de prosas contar temos em comum. Somos da terra, dos bichos, do mato.

Ontem 23/06/2013 me deparo com sua saborosa crônica "O delicioso controle dos pombos."
O sempre generoso escritor me cita na mesma como sendo "o maior especialista do mundo em escorpiões". Caro Clarimundo sou um simples aprendiz no conhecer desses bichos que a cada dia me dão uma aula de novidade, também não é para menos, eles estão aqui na terra há 400 milhões de anos. Muita poeira nos humanos comemos desses experts em sobrevivência e adaptação resultado, um delicioso aprender sem fim.
Se três vidas tivesse, ainda assim distante ficaria  me tornar mestre em escorpião, animal tinhoso.

Quanto a "delicioso controle" também quando criança fazíamos. Não de pombos mas de saúvas. Na enxameação anual das futuras formigas rainhas, correria geral da molecada. Delas fazíamos deliciosa farofa de bunda de tanajura. O que seria do Brasil sem moleque e passarinho para controlar formiga. Cada uma delas viraria um formigueiro feroz em destruição, cortadeiras especializadas.
É a gastronomia a bem do controle de pragas.

Mais uma vez agradeço citação em sua crônica. Isso sim vale muito em curriculum.






Segue AQUI receita moderna da farofa. Quando criança era só farinha, manteiga e sal. Às vezes uma folhas de taioba rasgada.

sexta-feira, junho 21

Crescer ou crescer












E ainda tem aqueles que se vangloriam com a real possibilidade de nossa cidade chegar ao número cabalístico de 1 milhão de habitantes. Um dos motivos que me levaram a sair de minha Belo Horizonte foi exatamente não ter mais espaço para as gentes. O furdunço dos carros, a frieza e impessoalidade da maioria das pessoas e relações. O andar a pé, dependendo da região, passou a ser um passeio por Bagdá ou tomar café “sossegado” em cantina no Cairo de Mohamed Mursi. Uberlândia cava a passadas largas seu próprio buraco de infelicidade, de insegurança, de grandes problemas. Isso sob o aplauso daqueles que acreditam que uma cidade para ser boa tem que ser grande em população. Qualidade de vida só no discurso, miudeza é para os fracos.

Em entrevista aqui mesmo no CORREIO, bem-sucedida empresária foi categórica ao afirmar que sentia falta dos muros baixos, das prosas e do café da tarde no alpendre. Posso apostar que muita gente nova, geração “BBB”, não tem a menor ideia do que seja alpendre. Esclarecendo: telheiro, como se diz em Portugal. Deu na mesma, não é? Pergunte a alguém com mais de 40. O fato é que espaços para crescer têm. Não existem serras, montanhas para bem olhar. Nosso horizonte é ancho e plano. Belo Horizonte teve que subir o morro, destruir matas nativas, pular a cerca para outros cantos, outros municípios.

Por acaso, bati olhos em anúncio de condomínio lá pelas bandas da capital das Alterosas e olha que morros e montanhas, que lhe deram tal majestoso e altivo nome, estão a sumir engolidos por condomínios horizontais e prédios colossais. Desculpem o pleonasmo lá atrás. Localização? No trevo da Rodovia dos Inconfidentes, aquela que liga a BR-040, antiga BR-3, a Ouro Preto. Pelo amor do Santíssimo, seria quase como chamar de Uberlândia um loteamento no Trevão. Tá certo, exagero. O Trevão é um pouco mais longe.
Será isso que queremos para nossas vidas e para nossos filhos e netos? A progressista Uberlândia tem o dom de atrair muito de bom, mas, também no vácuo, vem o pior.

Não sou nenhum urbanista nem entendo de planejamento de cidades, mas acompanho atento à expansão de Uberlândia e de seus problemas. Principalmente no que diz respeito ao nosso trabalho com a bicharada sinantrópica. Cada vez mais estamos disponibilizando casa e comida para estes despejados animais. Arrancamos suas moradas naturais em nome do progresso. Depois passamos literalmente o resto de nossas vidas a brigar contra eles, que teimam em viver de nossos restos. Como somos uma população extremamente “educada e cidadã”, jogamos lixo no terreno vizinho, cortamos sem dó nem piedade a última árvore da calçada. Folha “suja”. Plástico, latas e papéis não, mas folha, um horror. Impermeabilizamos com cimento e asfalto nosso entorno, assim a água pode correr e alagar livremente as partes mais baixas da cidade.
Recorro a dito popular para expressar este crescimento sem pé nem cabeça de Uberlândia: “se tamanho fosse documento, o elefante seria dono do circo”. Cidades médias e pequenas, alternativa para bem viver. Cercas baixas e café no alpendre, bom-dia de vizinho. Caderneta na venda, passarinho na janela. Ou prefere trânsito agarrado, enchentes, violência de sair em rede nacional? Cidade grande tem dessas coisas. Faça sua escolha.





Publicado em Jornal Correio em 21/06/2013



terça-feira, junho 18

Vida

Escorpião realizando muda aqui em nosso laboratório. Mil vezes vista, mil vezes maravilhado. Quantas vierem, cada uma, será sempre imperdível  espetáculo da vida. Clique na imagem para ampliar

Foto w h Stutz 18/06/2013


segunda-feira, junho 3

Morcego Beija-for

Entrevista para TV Vitoriosa
Vinícius Lemos Maurício Florentino e Dolores parabéns ! Ficou ótima a matéria. Sensibilidade e informação de qualidade. Marca de profissionalismo e paixão em difundir conhecimento


quarta-feira, maio 29

Degredo

Nada a dizer apenas uma estranha sede de viver
Nada a falar apenas o instinto puro de calar
Nada a fazer, apenas e apenas esperar
Nada a sentir, apenas a solidão,  degredo
Em segredo





29 de maio 2013

segunda-feira, maio 20

Encontros



Foto Jornal Correio

 Uma pequena explicação. Um levantar, ainda no escuro, para aproveitar silêncio e não deixar escapar pensamentos. Tentativa vã de salvar boas lembranças que à tona vieram depois de noite especial. Não adiantou. Invasão. Pedreiros armados de picolas, maquitas, radinhos irritantes em musica gospel alguns e funk outros. Conversas sem pé nem cabeça nos são impostas, do crime bárbaro de ontem, à tentativa de conversão como caminho. E o tal do dízimo? Pergunta, em jogar de telha para o alto. É a palavra, responde outro. Imagino que a prosa vai longe, mas um berro do pedreiro mor a pedir mais telhas interrompe a pregação. Esta até me interessou. Queria ver no que ia dar.

Fato é, este incrível exército de Brancaleone resolveu adiantar serviço de uma sexta-feira na qual, mais uma vez, a CEMIG, com comum desculpa de “melhor servir”, nos faz o hediondo favor de jurar corte de energia de 12 às 17. Não fosse o trocar de telhado no meio do qual me encontro não importaria. Muito calejados estamos com estas já corriqueiras interrupções. Esforço-me em sorriso de poucas amizades para receber os que, assenhoram-se em segundos e poeira ocupam meu espaço. Isso já dura uma eternidade de uma semana e ainda promete.

Ontem estourou cano na laje, sabe-se lá como. Cachoeira pelo globo de luz desaguou exatamente sobre nossa cama. Vivemos em obras, como João-de-barro, raro ano não se faz coisa ou outra. Juro, não acostumei.

Mas o amanhecer no escuro era para falar de assunto agradável. Deixemos o campo de batalha das reformas.

Fato é que, em dia de paz e casa em ordem, entre verduras, frutas e cheiros coloridos, capazes de confundir em êxtase qualquer passarinho ou abelha, assim em um repente, encontro Paganini, autor de “Contos de uma vida bancária”. Livro que degustei como sommelier frente à rara safra. Isso em pleno domingo em supermercado.

Entre tucanos, lembranças da ponte do Pau-Furado, flamboyants, casa de Cora Coralina, todos em suaves aquarelas da amiga de mil anos Ana Abdala, encontro Marília Cunha. Não careço perder em formas de tratamentos. Falta de educação não há em chamá-los de “você”, mesmo sabendo da imperiosa necessidade de agora em diante evocar concordâncias com verbo na terceira pessoa. Apesar de ser o primeiro encontro real, muito temos em comum, e não de hoje. Vem de longe. O que nos aproxima? O escrever. Foram momentos agradabilíssimos, curtos é fato, mas de intensa troca aproximadora. Com Agostinho Paganini a certeza de que os afazeres do cotidiano podem ser, e geralmente são, prazerosos. Com Marília, uma conspiração nasceu, mas essa ainda precisa mais corpo. Como a Inconfidência Mineira, está por nascer corrente contra opressão linguística, mas essa é outra prosa. JB Guimarães e sua taberna literária que nos aguarde para encontros onde, na surdina, traçaremos nossos planos. Aproveito para convidar a todos que cultivam a delicia do ler e escrever s para participarem de nosso movimento.

Noite perfeita, pessoas perfeitas. Terminou com jantar só para nós, em restaurante geralmente lotado e com fila de espera Nessa noite magicamente nos esperava em silencioso sossego. Claro, tive que explicar meu pedido para três garçons, pois o mesmo não constava do cardápio: filé mal passado, arroz, fritas e salada. Se batizado de Chateaubriand poderia constar entre os pomposos nomes da carta. O simples é tão complicado. Retorno a meu acolorado dia. Sei não, ou acabo fanqueiro, ou convertido o que,o que, realmente em se tratando das duas situações sinceramente duvido.




Publicado em Jornal Correio em 18/05/2013


quinta-feira, maio 16

Poeminha

Somos passarinhos de breve canto, roupagem de luz e esperança
Cobrimos crias em dia chuva, colhemos flores ao sol.


Maio 2013

quarta-feira, maio 8

Ouro velho

Outro dia em passar d’olhos em jornal de circulação nacional, me deparei com anúncio no mínimo estranho para meu pensar. Era algo assim: “Troque sua joia velha por uma novinha em folha, pagamos mais pelo valor de mercado do ouro”. O “velha” é que deixou-me intrigado. Cheirava a má-fé ou, no mínimo, truque para fisgar incautos.

De pronto, me lembrei da época em que morávamos em um ainda distante São Sebastião do Pontal, sem estrada de asfalto, sem ponte para o Mato Grosso. Tempo da balsa. Hoje São Sebastião está logo ali, rápido chegar em estrada bem conservada e, para cruzar o rio Paranaíba, a imponente ponte do Porto Alencastro, maravilhosa obra de arte da arquitetura do “estradas construir”.

Hora ou outra chegavam à nossa vila caminhões, principalmente de São Paulo, com o esperto propósito de trocar móveis novos por “velhos”. Jamais usavam a palavra antigos. Relíquias, então, nem pensar. Estratégia mascate. Visitavam fazendas, porteira a porteira, oferecendo seus produtos à base do escambo. Certa feita, ao chegar a um sítio para acudir vaca em parto, o proprietário me contou prosa: “Lembra daquela mesa imensa de jacarandá que era de meu bisavó e que você tanto gostava? Pois vem comigo, despachei a bruta e tenho certeza de que você vai gostar mais do que arranjei”. Quase caí de costas quando entrei naquela cozinha bem cuidada, de piso de cimento em nata, fogão a lenha com seus tijolos bem curtidos e pintura vermelhão sempre renovada. A imponente mesa de rara e secular madeira de lei, repleta de histórias e testemunha de tantas passagens, dava agora lugar a uma infeliz e sem vida mesa de fórmica vermelha e quatro raquíticas cadeiras

“O vermelho foi para combinar com a cor do fogão”, me disse o amigo em imenso abrir sorriso.
“Mas e os longos bancos também da mesma negra madeira da mesa?”, perguntei atordoado
“Ara! Dei de presente para o pessoal da troca, iam ficar sem serventia agora.”

Saí de lá triste, talvez por mim em sentimento egoísta, não pelo amigo que, levando manta ou não, estava feliz. Não voltei mais lá, mudamos de volta para Uberlândia. Não sei dizer se aquela alegria sitiante dura até hoje. Mas imagino a mesa se desfazendo em empenos e as cadeiras de pés de alumínio jogadas à horta.

E essa agora das joias? Anéis e brincos em coco e ouro, delicadamente trabalhados por mestre ourives. Escapulários esculpidos em Espanha no puro metal arrancado de nossas terras ainda bruto e retornando em caro adorno, passando de geração em geração. Terços que, como as capitanias, também eram hereditários. Se somadas e esticadas as Ave-marias, os Pais-nossos, as Glórias e os Creios e Salve-rainhas, que em fé ali se fizeram ouvir, várias vezes poder-se-ia, talvez, ir e voltar ao paraíso. Prestes a serem trocados por peças feitas em série, sem graça, falso brilho.

O mundo é dos espertos, dizem os de má-fé. Abusam das gentes simples, não apenas de nossos roçados e rincões. Basta pôr atenção em propagandas de televisão em que vendedores alucinados e aos gritos conseguem persuadir os que menos ganham a comprometer seus parcos salários em eternas prestações. Para comprar o quê? Frágeis mesas vermelhas em fórmica. Vermelho brilhante e quatro cadeiras com pés condenados, assim como a mesa, a durar tão pouco, que jamais tempo terão de guardar histórias e lembranças.




Publicado em Jornal Correio

segunda-feira, maio 6

Zoológico das virtudes





Ponto final. Concordo em plenitude com o jornalista Ivan Santos. Que se fechem os campos de concentração animal em todo o mundo. Sem discussão. Não falo mais disso. Sou contra, contra sou. Proponho um novo tipo de zoológico.

Adulto pega criança pela mão, compra pipoca, algodão doce e, em solene silêncio, segue rumo às jaulas. Na primeira, como se em exposição de arte estivesse, o adulto põe a mão no queixo, entorta a cabeça para um lado, dá dois passos para trás em visível admiração. Após alguns segundos começa em voz alta a detalhar para a criança sua impressão: “Observe a leveza, os contornos, o brilho. É uma pena que esteja tão ameaçada. Felizmente conseguiram capturar esse espécime para que possamos admirar e mostrar para vocês, crianças”. A criança, espantada em ansiedade, devorava pipoca sobre pipoca em ato contínuo.

Seguem para a segunda jaula. Outra vez, o adulto em postura séria, se põe a descrever o que vê, termina em suspiro: esse também está na lista dos ameaçados. O passeio prossegue. Outro recinto, este mais amplo, muito bem cuidado, ao centro um lago de azul indescritível cercado por árvores frondosas e carregadas de frutos que, de longe pareciam saborosamente doces. Aqui o adulto teve mais trabalho, não localizava o morador de cativeiro de luxo. Por fim abriu sorriso: “Viu só! É ligeiro, por esse motivo merece jaula especial, com lagos, cachoeiras e grama verde. Consegue notar a leveza de seus movimentos? Tímido que só, dizem que é o último. Andam a procurar outros dos seus para tentar resgatar a espécie”.

Criança, entediada desde o primeiro cárcere visitado, achou forma de se distrair. Ia anotando os dizeres das placas de cada jaula. Estas se referiam à origem de cada morador aprisionado. Depois os procuraria em enciclopédia e dicionários.

Manhã já se ia alta, hora de ir embora, para alegria da enfadada criança. Um passeio de trenzinho e um cachorro-quente? Sugeriu o adulto em bater de palmas. Como recusar? Finalmente um sorriso se fez presente no até então taciturno semblante infantil.

Acomodado e ao sabor do agradável sacolejar do amplo e aberto vagão, o pequeno não resistiu: “Não entendi uma coisa, todas as jaulas estavam vazias!”.

O adulto não resistiu, olhos baixos envergonhados, umedecidos em lágrima, passou o braço sobre os ombros da criança: “Verdade, pequeno, o rei está nu”. Em profunda tristeza lembrou conto de Christian Andersen. Apenas os puros assim percebem.

O garoto aconchegou-se ao abraço do pai. A caderneta, agora solta, permitiu o vento folhear, expondo anotações das placas das jaulas em rabiscos infantis: “Ética (latim ethica, -ae) s. f. Parte da Filosofia que estuda os fundamentos da moral. Conjunto de regras de conduta”.

Além dos conceitos, a criança copiou das plaquinhas em frente às jaulas distribuição geográfica, endemicidade e mais particularidades. A brisa, em mudar ligeiro de páginas, permitiu ainda vislumbrar outras anotações: “Vaidade, honestidade, justiça, fraternidade, amizade, tolerância, generosidade, paciência, também em vazias jaulas se faziam ali presentes”. Classificação do risco de cada um sempre em destaque: “Extinto entre os humanos, em perigo crítico, vulnerável, dependente de conservação, baixo risco”.

Para sua infelicidade, predominava sempre o perigo crítico e a extinção abaixo da linha do Equador. Adulto copiosamente chorou.











Publicado no Jornal Correio em 06/05/2013

sexta-feira, abril 19

Zoológicos ilógicos

Foto de Are zoos good or bad for animals?

Estranhos os humanos. Não bastasse a ira com que se digladiam por riquezas materiais e crenças, não bastasse o ódio genético que nutrem por aqueles que discordam de seus deuses, em Jihads pessoais, chegam ao ponto de se tornar homens-bomba, armarem armadilhas para que explosões e estilhaços esquartejem inocentes em mais um inimaginável atentado como o da maratona de Boston.

Estranhos os humanos. Houve um tempo em que faziam muito sucesso os circos de horrores como “The Sideshow”, de P.T. Barnum. Segundo Alan Seaburg, do Universalist Historical Library, Barnum era dono de circo no século 19 e viajou por toda a América levando pessoas estranhas com doenças bizarras. O circo se chamava Ringling Bros and Barnum & Bailey Circus e apresentava ao público, ávido por estranhezas, figuras como Joseph Merrick, o homem-elefante; Myrtle Corbin, a mulher de quatro pernas; Mary Ann Bevan, a mulher mais feia do mundo; Mademoiselle Gabrielle, a mulher pela metade, e tantos outros humanos repletos de sentimentos e muito sofrimento, que, só como atrações grotescas, conseguiam sobreviver e, miseravelmente, obter sustento graças às suas deformidades. Sempre haverá gente a se deleitar com o sofrimento alheio.
Para essas pessoas, suas doenças raras eram seu único ganha-pão. Em século ainda sob o manto da escuridão científica, nada mais restava a elas senão a humilhação pública. Se eram voluntários ou não, impossível saber.

Hoje, a ciência explica a maioria dessas anomalias de ordem genética: doença do homem-árvore, mal de arlequim, doença dos vampiros, a família azul de Troublesome Creek. Uma lista imensa poderia ser aqui apresentada.

Estranhos os humanos. Dos circos de pessoas para os circos com animais e zoológicos foi um pulo. Na verdade antecedem os circos dos horrores. Mas Barnum, esperto que só, logo percebeu que quanto mais horror mais dinheiro. Os bichos deram lugar às deformidades e ao padecer alheio.

Os circos contemporâneos já não se atrevem a utilizar animais. As bem-sucedidas campanhas pelos circos sem bichos deram resultado positivo mundo a fora.

Sobraram os zoológicos. O debate é acirrado e não vai acabar tão cedo. O jornalista Ivan Santos, muito oportunamente, levantou o assunto e sabemos bem que vai render pano para manga. Sou visceralmente contra zoológicos desde criança. O que para a maioria era entretenimento para mim era suplício.

Pedro Ynterian, presidente internacional do “Great Ape Project” defende este ponto de vista com clareza especial: “Exibir publicamente uma galinha não é o mesmo que um primata ou um elefante, animais com inteligência superior. Um chimpanzé tem 99,4% do nosso DNA, se relaciona com as pessoas, odeia algumas e ama outras. É tortura colocá-lo num recinto fechado. Em pouco tempo fica louco.”

Deixo bem claro que, particularmente, acho que nem galinha deveria ser assim exposta. Pego carona e bandeira de Ynterian e do jornalista Gregório José: “Os zoológicos poderiam virar centros de resgate e cuidado, mas sem visitação”.

O buraco é mais embaixo, a briga é outra. A luta é pela preservação de nossos biomas e batalha pelo fim de traficantes de animais.

Rever conceitos é sempre importante para crescer. Ou assim fazemos, ou acabamos afundados no admirável mundo novo de Aldous Huxley, sem ética, sem amor, sem sentido.

Muito estranhos nós, humanos.
Muito estranhos nós, humanos. "Pobre de mim, pobre de nós"  canta  Flávio Venturini em sua "Linda Juventude".










Publicado no Jornal Correio em 19/04/2013

quarta-feira, abril 17

Pelo fim dos zoológicos

Foto da web


Jornalista

Levantamos, na última segunda-feira, o tema da extinção dos zoológicos no Brasil porque o assunto está em discussão no mundo civilizado. No mês passado, milhares de cidadãos independentes desfilaram por ruas de grandes cidades brasileiras e, especialmente, nos Estados Unidos da América do Norte com denúncias contra o cruel confinamento de animais em zoológicos. O slogan da campanha foi Crueldade nunca mais! A essência da ação proclama que “nenhum animal, doméstico ou selvagem pode ser eticamente torturado por decisão humana”.

Aqui perto de nós, no Parque do Sabiá, há um zoológico, onde animais que nasceram livres foram capturados violentamente, confinados e condenados a viver numa prisão suja até a morte. Isto é crueldade inaceitável nos dias atuais. Um leitor deste espaço escreveu-me dizendo ser contra o confinamento em jaulas, mas a favor do “aprisionamento de animais em buracos confortáveis”. Maravilha! No Zoológico do Parque do Sabiá, a crueldade é praticada abertamente contra bichos da selva que lá sofrem confinados para serem exibidos ao público que os trata como objetos de divertimento. Isto é “sadismo humanitário”. Não encontramos outra expressão para classificar tamanha barbaridade.

O prefeito Gilmar Machado, que é um educador respeitado, pode aproveitar a ocasião para dar um bom exemplo ao Brasil se decidir fechar definitivamente o confinamento de animais no Parque do Sabiá. Em vários zoológicos do Brasil, a sádica crueldade praticada contra animais, especialmente primatas, é irracional. Como vivem, se alimentam, adoecem e morrem os bichos no Parque do Sabiá? Poucos sabem e a maioria das pessoas não se interessa pelo destino deles.

Que razão há hoje em manter animais confinados para entretenimento, lazer ou educação ambiental? Hoje há outras formas de divertimento e de conhecimento da vida animal. Zoológico é equipamento de lazer medieval que não tem mais razão de existir numa sociedade civilizada. O médico-veterinário William Stutz, respeitado cientista-pesquisador da fauna, sobre o assunto escreveu: “Quer mostrar, quer ensinar? Que transformem essas penitenciárias da fauna em salas de projeções bem equipadas onde um público bem acomodado poderia conhecer toda a exuberância da vida animal, em filmes sobre vida selvagem livre em seu ambiente natural”. Fica esta sábia sugestão para o prefeito Gilmar Machado refletir.

Jornal Correio em 17/04/2013

sábado, abril 13

Sábado e chuva

Fez se noite às 9:20 da manhã, minha caminhada/corrida diária via ter que esperar. Os bichos estão quietos, espero o canto de Bem-ti-vi e o grito da curicaca anunciando a estiada


terça-feira, abril 9

Outdoors






A aplicação de uma lei um pouco antiga, mas nunca efetivamente usada, derrubou os painéis publicitários do “hipercentro”. Megalomaníacos somos ou importadores de modismos?

O que de tão hiper temos por lá? Miúdo em tamanho se comparado a cidades maiores. De hiper temos, hiperbarulho de dia e à noite, hiper tumulto de carros trafegando em vias estreitas, hiperfalta de educação de motoristas e pedestres que inundam as ruas com papéis e tocos de cigarro. E óbvio, hiper-engarrafamentos. Em certas horas, impossível passar por lá e não ficar agarrado. Temos ainda hiperfalta de estacionamento. Enfim, saímos de lá geralmente com uma hiper dor de cabeça, hipermau-humor ou hipertensos.

Só sendo zen para enfrentar aquele pedaço de Uberlândia que, se revigorado poderia transformar-se em um dos melhores pontos da nossa cidade para lazer e convivência. Basta proibir entrada de carros e instituir calçadões, arborizar à exaustão, que logo teremos cantos de passarinho e barulho de criança brincando. Eu disse “basta isso?”, estou sendo ao extremo simplista. Retiro, pois. Bem sabemos que ninguém em tempo algum se disporá enfrentar a fúria de lojistas, a ganância de bancos e a preguiça nossa de cada dia. Andar dois quarteirões para pagar uma conta? Nem pensar, queremos é parar bem à frente do comércio ou serviço, com ou sem zona azul. Por falar nisso é no que se transformou o “hipercentro”, numa zona; antes de atirar-me pedras pela denominação, sugiro uma visita ao “Aurélio”, 12º significado do vocábulo “zona”.

Todos nós só temos a felicitar o poder público pela aplicação da tal lei contra poluição visual naquela área. Mas não podemos nos furtar a registrar os efeitos colaterais graves de tal medida.

Tal qual bando de periquitos em roça de milho quando espantados, os painéis em revoada migratória alçaram voo de escurecer os céus, e da noite para o dia, foram pousar nos bairros. Saíram de canto para, com sua feiura agressiva, fincar pés em outros. Metastaticamente disseminaram-se como câncer incontrolável, que, após cirurgia retorna atacando outras partes do corpo urbano e com muito mais ferocidade.

Basta uma volta pelas principais vias de acesso aos bairros para notar o ataque de tão horroroso meio de comunicação/publicidade. Não bastasse a fealdade destas armações com suas tortas pernas de pau, o péssimo gosto do anunciado também contribui para piorar tudo.

Já perdemos o horizonte para construções que descaradamente desrespeitam as leis de uso e ocupação do solo, já perdemos o nascer do sol para muros de condomínios horizontais.

Roubam-nos agora a brisa, o correr solto do vento, criando verdadeiros corredores de horror, trens-fantasma de parques de diversão. Sobram sustos e feiura, vão se os horizontes em uma terra plana e bela por natureza. A lei é maravilhosa e deve ser aplicada, mas para todos e em todos os locais. Viver já anda tão complicado que não merecemos tamanha agressão visual, às vezes bem à nossa porta. A criação de áreas específicas para a colocação destes painéis deveria passar por consulta pública também. Podemos democratizar a beleza? A escolha pode ser nossa? Quem acha que sim levante a mão. Faço minhas as palavras de Eduardo Afonso, secretário de Serviços Urbanos: “Queremos (Todos) uma cidade limpa, sem poluição visual e sonora”. Todos.



Publicado no Jornal Correio em 9 de Abril de 2013