segunda-feira, novembro 17

Montes Claros




Convocados pelo Ministério da Saúde, lá fomos nós mais uma vez ministrar curso de Manejo de Escorpiões para técnicos de toda Minas Gerais. Montes Claros foi escolhida como local para tal treinamento por registrar a triste estatística de maior concentração de acidentes humanos por esse bicho em Minas.

Ministrar tais cursos é sem dúvida uma das mais aprazíveis atividades de nosso trabalho. O repartir o pouco conhecimento que temos, sentir as necessidades de outras localidades, os desafios constantes. Podemos dizer, sem medo de errar, que nossa Uberlândia está muito à frente quando o assunto é escorpião.

Tivemos a honra de visitar quase todos estados do Brasil. Com técnicos tanto do próprio Ministério da Saúde quanto do Instituto Butantan formamos um grupo fantástico de se trabalhar, além dos laços fortes de amizade que se formaram durante todo este tempo que juntos estamos correndo mundo em missão mais do que gratificante, nasceu cumplicidade e metodologia de trabalho única, musical, sonora. Aliás, desta feita combinou e muito com a cidade que nos recebeu.

Montes Claros é assim. Respira-se musicalidade. O sotaque gostoso, sorrisos receptivos por todos os lados, em rapidez de fogo fátuo sente-se em casa. A cordialidade é a marca do povo de lá. Instalados em andar alto de hotel, sou informado que volta e meia a terra treme por lá, em situação como essa era bom não pegar elevador.

O aviso foi dado de maneira calma, sem intenção de criar nenhum pânico, foi dito naturalmente sem alarde. A última vez que aconteceu, que a terra irritada deu chacoalhadas de mau humor, o pessoal foi para rua dormir, criança, passarinho, cachorro, todos com seus colchões para praças e locais abertos.Sem alarde ou pânico para eles – ô meu Deus, se soubesse disso antes teria ficado era no térreo.

Cedinho, manhã já com calor de rachar mamona, acordo com coro de vozes infantis. Grupo escolar bem próximo ao hotel. Criançada perfilada. Primeiro cantaram Hino Nacional, depois algo que me pareceu hino de Minas, não sei se tem, para mim as músicas mais representativas de nosso Estado são Peixe vivo, a preferida de JK e “(…) quem te conhece não esquece jamais(…)” não sei se tem hino oficial. Se tiver me contem e cantem.

Além da musicalidade, da receptividade e simpatia, o povo e a cidade possuem outras marcas. Religiosidade em alta. Várias missas por dia tanto na Matriz quanto na Catedral. Povo rezador de primeira linha, como as gentes das regiões próximas, do Jequitinhonha, do Vale do Urucuia, de todo norte das Gerais.

Outra coisa que lá vi e que em andanças sem fim nunca tinha colocado reparo, foi o asfalto. Isso mesmo, asfalto. O de lá parece piso de alpendre bem cuidado, brilha lustroso. E não tinha aquele que me desse explicação plausível para assim ser. Não me dei por vencido, perguntei a muitos. Cada um com história mais estranha que a outra. Em comum apenas a constatação:

— É, todo mundo de fora pergunta desse asfalto.

Uns me disseram que era para o sol refletir por conta do calor.Não me convenceram. Vim embora sem saber o motivo de asfalto zelado e encerrado. Tanto a contar de lá, lendas, folclores, casos, o pequi, a carne de sol, mercado de cores e cheiros. Mas isso é outra história. Conto depois.






Publicado em Jornal Correio em  16 de novembro 2014



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sábado, novembro 8

Não tem como não ser!




A quarta-feira anoiteceu quente. As chuvas poucas, porém fortes, jogaram a umidade lá para o alto. Fez brotar um mormaço amazônico. Não havia lugar para ficar. Pensei em água, banho frio e longo, mas o rio não está para peixe. Gastar o precioso líquido é no mínimo antipatriótico.

Talvez fossem ondas de calor, andropausa? Testosterona em baixa? Sei lá se passamos por isso com o rigor da menopausa. Hora vou pesquisar. Tomei ducha ligeira e, como ninguém é de ferro, abri uma latinha de cerveja sorvida ao meio, em gole único. A lua, quase cheia, passeava entre nuvens finas mostrando total desinteresse pelas coisas terrenas, espectadora passiva da história, preocupada apenas com suas fases. Cantarolei para espantar tensão: “mente quem diz que a lua velha/ mente quem diz…”
Essa história de televisão marcar hora para programação de interesse geral é desaforo. O horário de verão é inimigo em momentos assim.

Fico a imaginar os milhares de trabalhadores, nos quais me incluo, que têm de se levantar cedo dia seguinte. Suados e alegres, apinhados em ônibus lotados até a tampa, num difícil voltar para casa, tentam cochilo breve e, novamente, levantar, abraçar a esposa, beijar os filhos, pegar rumo do batente, ainda que com olheiras, mas de alma lavada. Estatística existe sobre acidentes de trabalho no dia seguinte à festa?

Contudo, vale o sofrimento, vale ressaca de cansaço dia seguinte, valem olhos vermelhos de choro de alegria de orgulho.
Hoje estou rouco de tanto gritar, nem gargarejo com fava de sucupira vai curar a rouquidão. O grito mais uma vez não ficou parado na garganta. Vizinhos devem ter ficado de orelha em pé, pois, de modo geral, sou silencioso em minhas manifestações. Exagerei no jogo contra o Corinthians, em outra quarta-feira mágica de outubro. Repeti a dose na quarta (6). Carlos, Maicosuel, Dátolo e Luan, escreveram página especial no time mais querido de Minas Gerais. Todos mostraram garra de seleção brasileira de 70. Se Dunga, vê se pode, assistiu a este jogaço, escalaria nossa equipe alvinegra para representar o Brasil.

Os comentaristas e narradores, como de costume, torcendo de maneira subliminar contra time mineiro. Calamos a imprensa esportiva do eixo Rio-São Paulo. Calamos uma nação rubro-negra que em Minas aportou de salto alto, soberba pura.Duplo prazer incalculável sentimos. Ganhar de virada linda do Flamengo, ganhar do arrogante Luxemburgo, só não foi melhor porque o Cruzeiro, mesmo empatando suado com o Santos, se qualificou para ter a honra de jogar conosco.

Levantei empurrado por um despertador que toca o hino da Galoucura. Vesti a camisa oficial do Clube Atlético Mineiro e fui trabalhar. Estranho, não encontrei nenhum flamenguista pelas ruas. Mas muita gente baixou os olhos, talvez em reverência, talvez em pura vergonha, ao vislumbrar a guerreira camisa preta e branca.

Vicente Motta, este montesclarense rei das marchinhas nos brindou com uma joia, foi feliz e inspirado quando nos deu o hino mais bonito do mundo: “Nós somos do Clube Atlético Mineiro/Jogamos com muita raça e amor/Vibramos com alegria nas vitórias/ Clube Atlético Mineiro/ Galo Forte Vingador. (…) Lutar, Lutar, Lutar/ Com toda nossa raça pra vencer/ Clube Atlético Mineiro/ Uma vez até morrer!

Não tem como não ser Galo!








domingo, novembro 2

Vivência



“Dor não tem nada a ver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais. É pra ensinar a gente a viver.” Adélia Prado

Perguntaram-me o porquê dessa mania de tanto falar de bicho e de amenidades viventes. Falo de gente também e não é pouco. Porém me dou mais com os bichos e suas graças e trejeitos. São mais equilibrados e nunca falsos.

Já alma humana é como lua, todas têm um lado escuro que nunca é mostrado. Uma banda mora na escuridão e encerra sentimentos mais loucos, frustrações, invejas, olhares turvos. Lá, guardadinhas, estão as maldades que todos negam carregar. Basta estímulo, ataque de ira, para que aflorem como correntes furiosas de mar aberto, pororoca avassaladora que a tudo consome.

Bicho tem disso não. Neste exato minuto, aqui no meu quintal, dedilho ao triste/alegre cantar de sabiá em choco. Soa amargura, tristeza. Não é não. É a alegria triste de ser feliz em soltura. O céu como limite, os filhotes no ninho. Canta para mostrar quinhão de território. Divisas invisíveis demarcam espaço, defendido a bicos e canto.

Bicho não melindra, não julga, não trai. Bicho retrata pureza. E não são apenas os belos que encantam. Os ditos feios, venenosos, perigosos também têm sua graça. Bicho não sai caçando gente para ferroar, bicho não faz malvadeza. Serpentes, escorpiões, morcegos, são tratados como criaturas das trevas, quando na verdade são apenas parte de um quebra-cabeça gigante onde cada ser vivente é parte. Tudo se encaixa, não existe acaso, nem coincidência. O grande desafio de quem quer viver em harmonia e paz é montar este jogo. Cada peça em seu lugar.

O sábio, o humilde, o de coração aberto, acha caminho mais fácil entre peças coloridas ou escuras. Monta ao longo da vida devagarzinho, sem pressa. Os de coração duro, os que jamais mostram malvadezas, se perdem em pouca paciência e, normalmente, abandonam as peças na poeira. Por inveja ou ciúme, desprezam o jogo. Montam um canto de vida e ali se deixam ficar afogados em poças pequenas de mesquinhez e ruindade. Não avançam, não cantam, não sorriem.

Exemplos de gente do bem existem aos montes, mas somem diante da torrente de lama das maldades. Olho de bicho percebe fácil. Sabe onde pousar e descansar corpo.

Dou-me com bichos, com as crianças e com os loucos mansos. Lucidez destes encanta. Perfume de dia nascer, melancolia de sol se pondo. Não preparam surpresas que não sejam as belezas de cada ir e vir. Todos diferentes, cambiantes, suaves, puros.
Falo de gente assim, de alma colorida. Não gasto tinta com iniquidades.

Consomem energia, descarrega vitalidade, desperdício de tempo. Estes dias, encerrou-se período importante no direito, mas triste em si mesmo. Energia negativa circulava por todos os lados, não poupando nem bicho nem gente. Ofensas e brigas pairam ainda em denso espaço. Muita água de cheiro, defumador e acender de velas, para livrar o espaço de tanta deterioração ambiento/mental. Almas conspurcadas, sandice por poder. Este, o cantinho mal construído, pedacinho do quebra-cabeça da vida. Assim, em reza, peço: Livrai-nos de todo mala men! Saravá!







Publicado Jornal Correio em 2 de novembro 2014




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domingo, outubro 26

Sifão




Domingão. Sol quente, céu limpo. Barulhada de passarada não deixa ficar muito tempo na cama. Cada um querendo mostrar seu canto, seu pio, seu grito, mais alto do que o outro. Tamanha algazarra que das duas uma: ou infensa ou provoca risos. Prefiro o sorriso da manhã.
Corro coar café. O cheirinho toma conta da casa. Abrindo a janela, respiro ar frio, sensação boa.

Rumando para o quintal, abro torneira do tanque, pressão forte, direto da rua. Gosto de lavar o rosto ali. Baixo a cabeça e deixo água correr solta na nuca, nos cabelos. Levanto de uma vez e, sem camisa, deixo a água escorrer fria pelas costas. Sinto-me na roça, beirando bica d’água. Desta vez senti molhar os pés descalços. Estranho. Mirei tanque por baixo. Nada errado à primeira vista. Abro a torneira e torno baixar. Lá está a causa da ducha entre dedos. Um trincado no sifão. Água corre lisa sobre piso e, em sinuoso micro rio, derrama não no mar, mas em verde grama.

Pronto. Assunto para resolver logo cedo. Faço o que tenho a fazer e rumo para imensa loja que de tudo vende. Mercearia agigantada.
Levo a peça machucada para não errar compra. Simpáticas vendedoras nos sorriem. Isca para bom negócio. Sonham comissões. Não, são educadas por natureza e treinamento. Encantam. Os estímulos multicoloridos perturbam e distraem. Entre labirinto de tapetes, são milhões em formatos e texturas, estão pias e vasos com formatos que vão do clássico ao surreal. Formigueiro de gente comprando. É a única que abre domingo. Passo por corredor de espelhos. Vejo-me mil vezes, em distorções e movimentos engraçados. Uma moça arruma os cabelos em um deles. Caraminholo. Por que entre tantos, escolheu justo aquele para se mirar?

Depois de algumas voltas encontro o que busco. Vejo medidas com cuidado, sou mestre em confundir 3/5 com meia, não gostaria de ter que voltar hoje ainda. Vendedor me explica que, de acordo com as polegadas do cano, posso cortar com segueta até chegar ao tamanho ideal. Pronto! Não tinha segueta, toco procurar seção de ferramentas. Claro, encontro. Todos os tipos, formatos de arcos, tamanhos e preços. Opto por uma miudinha, coisa de poucos reais.

Pego caminho da porta e ao ziguezaguear dos caixas, saio, não sem antes ceder aos encantos de prosa de vendedora e, ainda, comprar, além de sacola ecológica, um potinho de fragrância de bambu com palitinhos como dispersor. A capilaridade é minha aliada no perfumar.

Fila do caixa. Moça à minha frente se põe a admirar plantas em vasos. Percebo tremer de mão mineira. Ver com as mãos. Segundos difíceis para ela. Em impulso tocou e acariciou a flor. É de verdade! Exclamação quase infantil. Tão bonita, mas tão bonita que até parece de plástico, me disse baixinho. Ser de verdade em loja repleta de sintéticos é crime. Compartilhei feliz admiração dela.
Lembrei de meus passarinhos livres e canoros. Já pensou se tivesse que ouvir tantos cantos em disco ou relógios que os imitam de hora em hora? Vazio de natureza. Voltei correndo para casa, tudo por um sifão.






Publicado Jornal Correio em 26/10/2014 ( Dia do segundo turno de eleições para Presidente )



Sifão

domingo, outubro 19

Falar mal do governo !



Sensação menor bate no peito e alma. Tudo que se ouve sobre governos durante período eleitoral é gente falando mal uns dos outros. Todos partidos e políticos que ali, pelo menos a maioria deles já esteve no poder e de alguma maneira nos governaram, ou legislaram. Bem ou mal nós os colocamos lá. Nós demos voz e vez e voto para cada um deles. Agora, o que assistimos é torrente de acusações, tiroteio de todos os lados. Lembra-me e aposto que todos vocês também passaram por algo assim, os tempos de colégio. Tão comuns as briguinhas na saída. Os motivos podiam ser os mais variados, mas asseguro nada que realmente tivesse importância.

Ciúme da menina mais bonita da sala, geralmente loira de cabelos cacheados e olhos azuis, estereótipo enfiado na cabeça da molecada por padrões nada nossos. Bom lembrar que as meninas sempre estimulavam as disputas, ego em formação, reflexo de educação recebida ou resquício da evolução da espécie.

Curiosamente uma das poucas espécies em que macho é mais “feio” do que fêmea é a nossa, humana. A natureza em seu aperfeiçoamento dos bichos, foi dotando ao longo de milhares de anos os machos com cores deslumbrantes, cantos belíssimos, porte e força física, sempre com objetivos de preservar a espécie premiando o mais belo, o mais canoro e o mais forte com o maior número de parceiras e a garantia de perpetuar sua genética.

No mundo animal o macho escolhe parceira, via de regra. Nas gentes é certo que elas detêm o poder de escolher seus parceiros, quase sempre. Isso porque ainda resistem culturas mundo afora onde mulher é vista como um nada. Mas estas são distorções criadas pelos humanos.Em condições normais de pressão e temperatura, meu amigo, mandam as mulheres e não tem papo.

Outro dia vi/ouvi um candidato com pretensões de se eleger presidente, descarregar um monte de besteiras tão, tão… bestas, que quase não acreditei no que ouvia. Declarações homofóbicas em seu mais alto grau. Afronta não apenas pessoas por suas escolhas legitimadas primeiro pelo amor, mas também por lei. Outro dia ouvi algo interessante que diz tudo, me perdoem, mas desconheço autoria, é algo assim: “Não aprova o casamento gay? Não se case com um gay. Não gosta de cigarro? Não fume. Não gosta de tatuagem? Não faça. As coisas seriam tão simples se cada um cuidasse da própria vida e respeitassem o querer alheio.”

Viva e deixe viver. Não gosta? Mas respeite. Voltando na baixaria política do período eleitoral me veio à cabeça, mais uma vez, charge extratemporal do genial de Henfil. Uma tira da Graúna onde, revoltada com tanta corrupção, desvio de verbas, descaso com o povo e para piorar, os constantes sumiços na época, dos famosos caminhões-pipa, indispensáveis para a sobrevivência do povo da caatinga, definhando em seca e pó, brada irritadíssima: “Hoje eu estou macha! Vou meter o pau no governo!” (E olha que estávamos nos mais duros dos anos de chumbo quando esta tirinha saiu.) Outro personagem da tira, o Bode Francisco Orelana, olha de soslaio para a Graúna e retruca irônico: “Se tu está macha de verdade defende o governo…”








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Publicado Jornal Correio em 19 de outubro de 2014

quarta-feira, outubro 15

Eleição



 Domingo passado teve eleições. Independentemente do resultado fica claro que o nosso país passa por um período histórico no que diz respeito à democracia. Acredito eu que seja o mais longo sem golpes ou falcatruas explícitas contra o estado de direito. Delitos e saques aos montes continuam como desde o tempo de Cabral. Nesse quesito, para nossa decepção, “fica tudo como dantes no castelo de Abrantes”.

Não me dou de política falar. Mas não me pensem algum alienado, um distraído cívico. Pelo contrário. Reflito, penso tempo todo e me preocupo com ela de fato. Não vendo voto, não barganho em troca de nada e, o mais importante, conheço bem meus candidatos. Deixo o escrever sobre, para os especialistas, sou simples observador atento.

Sobre o que se passou nos dias que precederam pleito, afetou todas as cidades do país. Absurdos visuais e auditivos extrapolaram o bom senso.
A Justiça Eleitoral criou regras rígidas que diminuíram sobremaneira a sujeira dos ilustres candidatos. Em termos. Os famigerados cavaletes esconderam praças e canteiros floridos, cobriram grama sofrida e castigada por seca prolongada impedindo tenros brotos de mostrarem vida. Transformaram em exposição de péssimo gosto de rostos maquiados e trabalhados a photoshop de gosto duvidoso, ruas e avenidas inteiras. Parece que esses senhores e senhoras descobriram a cobiçada fonte da juventude. Ficam mais novos a cada eleição. Frases de efeito sem efeito nenhum acompanham sorridentes falas fáceis como a dizer:
— Olhem pra mim! Olhem pra mim!

Particularmente acho pouquíssimo provável que alguém em sã consciência escolha em quem votar olhando aqueles cavaletes ridículos.

A história de serem retirados depois das 22 horas é outra incógnita, mais difícil de decifrar do que o enigma da esfinge de Édipo Rei de Sófocles, “Decifra-me ou devoro-te”. Fomos, todos, engolidos em bocada de sucuri beira-rio. Após as 22 horas aquelas peças de péssimo gosto que ficassem ao relento, pouco mais importam à população, pois se de dia só são notadas para maldizê-las, à noite ficam sem plateia. Obstruíram visão de esquinas em horários de pico; à noite, entre o crepúsculo vespertino e o matutino não seriam mais nocivos do que à luz do dia enfrentando a beleza de manhãs, a indignação dos pássaros e das gentes.

Outra coisa boa. Acabou o horário eleitoral gratuito. Claro que tem que ser gratuito! Já pensou o cara ligando para uma operadora de televisão e contratando um pay per view de horário eleitoral:
— Gostaria de comprar os horários eleitorais completos de Minas Gerais, São Paulo e Rio de janeiro. Se tiver desconto pode incluir Bahia e Rio Grande do Sul.

Bom, quando falo que acabou o horário eleitoral , tenho que me lembrar do segundo turno.
Bom, este sim é mais democrático e esclarecedor (será?). Pelo menos o tempo dos que pleiteiam o trono da Alvorada é igual. Os debates tornam-se mais objetivos, cessam as agressões, passa-se às ideias, acho.

Pois com está, só buscando no poeta de Alegrete, o genial Mário Quintana, uma definição para tamanho furdunço: "(...) o excesso de gente impede de ver as pessoas...!”







Publicado Jornal Correio em 12/10/2014




quarta-feira, outubro 8

Dia das Crianças

O tempo passou ligeiro, voo risco colibri. As mãos  um pouco maiores, mais calejadas é verdade. De fato, só mudou o bicho a segurar. Essa criança mora em mim.

William H Stutz
Veterinário, poeta, escritor, olheiro da vida




domingo, outubro 5

Curto e grosso





Contam – discordo frontalmente – que quando começo aula, palestra, apresentação, nunca respeito o tempo a mim conferido. O número de caracteres que disponho para compor esta coluna, às vezes, me aperta. O gostar de escrever é culpado. Quando me ponho a caso contar me transporto para dentro dele. É prazeroso.
Assunto me pega em voo solo e manso, esqueço e sigo em frente. Quando vejo, prosa ficou imensa, corro a revê-la para caber direitinho nesta parte que cabe nesse diário que tão generosamente me acolheu. Se tenho, por exemplo, que escrever um capítulo inteiro de uma publicação inicialmente travo. Vejo-me perdido inicialmente naquele mundo de espaço em branco. Bicho pega.

Gosto de começar a escrever à noite. Barulho só de grilo, pio de Urutau, grito de coruja.O vento misturando as copas de minhas árvores é música e inspiração. Não tem telefone, vozes humanas nem barulho de rua. Vez ou outra sirene longe. Polícia, bombeiro ou ambulância? Me disperso em pensar tragédia ocorrida. Tomo litros d’água, detesto café. Sigo adiante como Maria Fumaça. Patino em trilho de ferro, rodas vão em reverso, vapor para todo lado. Caldeira quase em ponto de explosão, solto a manivela devagar. Ideias passam como paisagem, começo lentas, bem distintas. Vejo braço erguido de moleque em adeus sem dono, vejo o olhar calmo de gado.





À medida que pego velocidade, visões se misturam. Serra e mata se tornam um só, riacho transforma-se em mancha azul de aquarela, túneis passagem em flash de lambe-lambe. Escuro/claro/escuro/claro. O som do apito passa por minha janela em risco reto. De locomotiva rangendo em ferro e parafusos soltos a trem bala. Não existe mais nada lá fora. Um vazio externo me cerca e afundo todo em texto. Em freada brusca volto ao mundo.

Ministrando treinamento. Quatros horas a mim conferidas em dias alternados. Avançamos hora de almoço adentro, o intervalo quase não existiu e ainda ficou coisa para debater. Culpa minha? Não senhor, não senhora. Quando se percebe o envolvimento das pessoas não tem medição em hora, a conversa flui solta. E se não tem mediador vai longe mesmo.

Congresso em Gramado (RS). Minha apresentação tinha 20 minutos, segue tranquila. Do nada uma plaquinha é deixada à minha frente nela assustadora mensagem: “Cinco minutos.” Toquei.  Outra placa: Tempo esgotado. Aflito, pois nem meus slides havia mostrado, pedi desculpas e saí.
Ministrada aula teórica pela manhã, em algum lugar do Brasil, partimos para prática de campo à tarde. Prática bruta de captura consome força física. Sol de rachar. Solicitam-me uma aula na Faculdade de Medicina à noite. Aceito com prazer, e aviso aos companheiros que dali à uma hora estaria de volta para jantarmos. Três horas depois, volto. Claro que todos já tinham jantado e aos risos confirmaram que nem me esperaram. Haviam apostado que eu não conseguiria falar apenas uma hora. Mas a turma era interessada, como parar?

Os adoro, mas naquele dia comeram sanduíche e nós, deliciosa moqueca com camarão graúdo. Pronto, tirem suas próprias conclusões que o espaço aqui estourou.

Publicado Jornal correio em 5/10/2014 (dia de eleição)











domingo, setembro 28

Segundona



Segundona, como de costume, pego trecho a pé para o trabalho. Caminhada cedo, boa para espantar restinho de sono que não sai nem com banho frio e bucha, mesmo tendo corrido as dez milhas domingo, me sinto pleno em alegria para começar a semana.

Os bons-dias são quase sempre para as mesmas pessoas; o senhor reciclador de latinhas, alegre por farta colheita, restos de sábados e domingos. “Tenho de levantar ainda de madrugada – me confessa – a concorrência tá grande. Tem até dono de ferro-velho que traz ajudante, fica desigual – me conta meio triste do alto de sua rangedora bicicleta.” Entristeço. Para as empregadas domésticas ou “ajudantes” como a sociedade, como que envergonhada, insiste em chamá-las, um quase pedido de desculpas. Os vigias noturnos deixando seus postos.

Como fumam as empregadas. Descem do ônibus e, em sua maioria, é botar pé no chão, puxam da binga, acendem cigarro. A indústria do tabaco investe em filões cada vez mais frágeis em informação. O cheiro de fumaça deles se mistura aos dos carros aflitos e impacientes. Segundona, e como todos os dias da semana, temos, nós pedestres, que enfrentar uma travessia perigosa na Nicomendes.

Já tentou atravessar aquela avenida na altura do Dmae? Uma aventura de alto risco. Faço rapel, montanhismo, trilha de mata. Juro, tenho mais medo dessa travessia do que descer em cordas o pontilhão da Fepasa sobre o rio Araguari – e olha que são noventa metros de queda livre e o rio ali, moço, traiçoeiro. Muitas partes de nossa cidade são assim, não foram feitas para humanos a pé. Privilégio dos carros. Caminhantes, bicicleteiros ou ciclistas, como queiram, mas aí tem grande diferença, concordam? Também não têm vez no trânsito e, principalmente, na Nicomedes.

Bicicleteiro é Seu José catador de latinhas, é o peão de obra que leva na garupa embrulhadinha sua marmita e garrafa de café. É o estudante de escola pública, é o vigia sonolento que busca cama com o chegar do sol. Ciclista é o que anda em grupos organizados, roupas colantes, coloridas, reluzentes, capacetes com desenhos estilo Andy Warhol ou Dali.

Não existe uma faixa de pedestre que seja naquela redondeza. Como existem “direitas livres” no encontro de duas avenidas de grande movimento. O passar de carros em alta velocidade é grande. Resta a nós, invisíveis seres de cidade, esperar oportunidade para atravessar. Raro o dia em que este campo minado não nos obriga ou a uma carreirinha trotada ou ficar parado congelado e rezar para que os motoristas nos vejam, quase todos ao celular, adiantando algum expediente, ficam cegos para tudo que não seja de metal e maior do que eles.

Como a maioria da turma anda de carro, acho pouco provável que algo seja feito por ali. Repito pela enésima vez, me faço Panglós, o otimista, apesar de duvidar, acredito que algum dia irão olhar com mais carinho para aqueles, que como eu, optaram por caminhar ou bicicletar. Perigoso, mas saudável. É isso, se até aqui no texto cheguei é porque em relativa segurança fui e voltei. Mas amanhã. Bom, amanhã é outro dia. “Viver é muito perigoso” não é amigo Guimarães Rosa?







Publicado Jornal Correio em  28/09/2014



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domingo, setembro 21

Quem mexeu no meu queijo?



Engano seu, caro leitor, se pensa que vou falar daquele desenhinho chato para burro de autoria de Spencer Johnson que já vi mais de 20 vezes em várias línguas, até em japonês, confesso que se fosse em mandarim daria para entender o filmete, não o livro.

Ver uma vez, discutir o que representam os ratos Sniff e Scurry, e os duendes Hem e Haw é uma coisa, vá lá. Mas toda reunião, todo treinamento, seja lá qual for o assunto em pauta, lá vêm eles. A única parte interessante e que me prende são os comentários do Coach. Cada um tem uma interpretação do abordado.

Algumas racionais e bem elaboradas – outras, de deixar hipopótamo de queixo caído. Os coachee, ou seja, nós, temos de calibrar nossos filtros de besteirol para que não passem nem pequenas moléculas do produto que querem nos ensinar a acreditar e vender. Falo produto para generalizar, pois pode bem ser algum bem material ou uma ideia. Convencer é uma coisa. Fazer a cabeça, criar maquininhas engajadas em causas e metas que em condições normais não se acreditaria é meio fascistoide. E de Homo reacionarius quero galáxias de distância.Mas e o danado do meu queijo em que andavam a mexer?

Compadre meu, morador em distrito longe em pequena, mas bem organizada chácara, onde produz de tudo um pouco para seu sustento e para presentear amigos. Tem pomar com tudo quanto há de fruta; tem lago onde cria e despesca lindas piraputangas, pacus e tilápias.

Horta de dar inveja nos jardins de Keukenhof, na Holanda e suas sete milhões de tulipas multicoloridas. Três vaquinhas dessa altura, holandesas purinhas que dão baldes e mais baldes de leite ao dia. Córrego passando beirando a casa de varanda larga e vista para a serra. Um pedaço do paraíso para poucos. Este é dele, da esposa e dos filhos que já voaram longe e lá passam fins de semana e férias.

Pois meu compadre é dado a fazer queijos. E que queijo ele produz. Muito Canastra fica no chinelo perto destas obras de arte culinária. Como dizem em Portugal: “É o queijo que faz o queijeiro e não o contrário”.

Toda vinda a Uberlândia faz questão de queijo trazer e, desta última visita, não foi diferente. Muita prosa, alegria de reencontro – dia passou manso. Pousou aqui em casa e seguiu trecho antes de amanhecer. Assim foi.

O queijo embrulhadinho ficou sobre a mesa da cozinha. No avançar da manhã, notei que o papel que o embrulhava estava meio rasgado num canto. Uai! Rato? Há de ser não, aqui não os tem! Pelo menos vistos nunca foram. Desembrulhei e coloquei em prato coberto por alvo pano. Segui. Não demorou muito, passando pela cozinha novamente, percebi que o pano tinha sido arrastado e havia pedaço queijo com parecer de roído.

Tá errado, rato não anda de dia, só se bando for muito grande e fome apertada. Se assim fosse, todos veriam os danados por toda parte. Não era o caso. Experiente em fazer campana para bicho fotografar, montei guarita escanteado. O queijo eu via. Só ele.

Passou mais de hora e nada. Não entrego fácil. Passou mais tempo e eu na tocaia.Do nada barulho de asas batendo e pouso arranhado na janela. Pus atenção. Logo mais asas e mais escorregar vidro abaixo. Num fazer vento que me bateu no rosto desceram sobre a mesa duas lindas, coloridas e muito das brejeiras maritacas. Andar desengonçado por sobre mesa de madeira, com gingado e pios de garganta, avançaram até o queijo e sem cerimônia foram roendo e resmungando. Nunca soube de maritaca comer queijo, mas essas ali estavam para o contrário provar. Peraí! Tomara eu ver suas molecas! Parti para cima delas – em alvoroço e boa mira passaram lisas janelas afora.

Ri de mim, concorrente de queijo agora era maritaca! Só comigo. Pena uma só. O queijo lindo e saboroso tinha que ir para a geladeira. Queijo frio perde gosto.
E, no mais, eu quero é ser gauche na vida, como soprou o anjo torto que vive na sombra de Drummond. Coachee só de poesia, bichos e amores.







Publicado Jornal Correio em 21/09/2014



domingo, setembro 14

Placas



Curiosa polêmica gerada pelos prefixos das placas de carro aqui em Uberlândia e outros Estados. Matéria no CORREIO de Uberlândia nos conta que algumas, tais como PUM, HIV, GAY estão gerando constrangimento. Particularmente não vejo problema algum em ter carro com placas assim. Das citadas, acharia até legal, pois rodar com placas com as letras HIV e GAY demonstram aguçada tolerância e espírito humano do dono do carro, que não está nem aí para o que os outros pensam.
Mostram que aquele condutor é de espírito aberto e livre de qualquer preconceito quanto à doença e quanto à liberdade de escolha individual, que deve ser, no mínimo, respeitada e muito. Piadinhas sempre irão existir, mas só incomodam aqueles que têm preocupação exagerada com miudezas. Sorrisinhos irônicos e deboche revelariam, na verdade, personalidades horrorosamente homofóbicas e preconceituosas.
O prefixo PUM é genial e deveria ser exclusivo de carros desregulados e antigos da DKV. Pensei em algumas combinações que devem existir por aí e que, de alguma maneira, devem causar estranhamento.Se de todas as placas fosse dono, as distribuiria com alguns critérios: prefixo RIR para o de bem com a vida, DAR para o filantropo, OLA para o simpático, OVO para o granjeiro ou recém-aprovado em vestibular, GOL para a copa, bom, vamos esquecer dessa. OLE para torcida, CAM especial para nós atleticanos, FLA para rubro-negro, FLU para pó de arroz. MAR, CEU, LUA para poetas e apaixonados, CHE para gaúchos, UAI para mineiros, FEU para os amargos, REU para os acusados. FIM para o pessimista. Tanta coisa importante para se preocupar e me vem ficar grilado com prefixo de placa de carro?
Estranho é que, ao se preocupar com letras onomatopéicas tipo POW, SOC, POF, BUA esquecem o principal: a numerologia. E, aí, meu caro, é que o bicho pega. Que tal um carro com a numeração 6666, besta e meia. Segundo o site “Mundo estranho” o número 17 é agourento na Itália. Nos algarismos romanos, ele é escrito como XVII. Quando as letras são embaralhadas, formam a palavra VIXI, que, em latim, quer dizer “minha vida acabou”. O medo é tanto que o carro de modelo R17, da Renault, é vendido lá como R177. Quer uma placa 1717? A combinação 4233 significa assassinato para os egípcios. Tenebroso.
Nós, inseguros humanos, sempre nos preocupamos em dar significado a tudo, talvez para suprir as incertezas do que nos aguardam. Sustos do dia a dia. Devemos, sim, é tomar muito cuidado com os exageros advindos da superstição, da intolerância dos preconceituosos, pois com quantidade de informação a ocupar quase todo o ar que respiramos, podemos despencar em outra idade das trevas, inquisições podem estar aí se anunciando e “bruxas” perto de serem novamente lançadas às fogueiras, pelo simples fato de quererem ser o que são. Um perigo.
E cá para nós, essa história de mensagens subliminares é conversa para BOI dormir. No mais, quer saber, fique em PAZ com suas placas, são apenas letras e números. E, lembre-se, MEU: quem afoba, come CRU.




Publicado Jornal Correio em 14/09/2014






domingo, setembro 7

Jornal


Monstera saborosa 
foto: William H Stutz

Relendo deliciosa coluna de Ivan Santos de vinte e nove de julho bem cedo. Sou dado a guardar leituras que me agradam, volta e meia retorno a elas. Cada leitura parece diferente.
Do nada um “plaft”. Conhecedor da origem do barulho me levanto manso busco caminho da porta.
Jornaleiro madrugador esse. Da chegada do jornal só escuto o tombo dele aterrissando em minha varanda, imagino o aranzé, milhões de letrinhas se espalhando pelo piso, confusão generalizada para, às pressas voltarem ao lugar e remontarem palavras, talvez seja por isso que quando em vez encontramos letras trocadas, nada a ver com revisão, não deu foi tempo de chegar ao lugar certo. Fotos às vezes saem em locais errados, deve ter sido o balanço.
Posso usar como despertador nosso entregador de jornal, mas se assim fizesse chegaria cedo demais ao trabalho.

Saio cedinho às vezes dia abre bocejo multicolorido bem a leste quando pego rumo, o dia ainda com preguiça de amanhecer, mas junto ao portão, lá está meu exemplar do CORREIO.

Quando em vez me permito sono mais profundo, sábados, domingos, feriados fico mais um tempinho deitado, mas logo e, como relógio suíço me vem o aquele “plaft” do jornal atirado com precisão de mira laser e o arrancar da moto do entregador de notícias.
Durante a semana, ou estou no banho, ou longe no quintal a conferir orvalho a escorrer em imbés de largas folhas, às vezes trocando água do bebedouro dos passarinhos que já se acostumaram com essa fonte de água e saem de longe para saciar sede de garganta seca de fumaça de carro e queimadas. Ninguém vejo.

Por falar em imbé, ano passado ganhei de amigo de longa data, Zé Mesquita uma muda de Monstera saborosa a folha é de tamanho e aspecto jurássico e ainda dá fruto que, segundo meu querido Zé – Doutor de olhos – médico competente que com sabedoria cuida das vistas para que as pessoas não percam a beleza da vida e possam não apenas ver, mas enxergar.
Era a fruta preferida da princesa Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, ufa! Isso não é um nome, é escalação de time de vôlei com reserva e tudo. Esta linda planta também é fonte de orvalho a matar sede de joaninhas e pequenos passarinhos.

Recolho jornal no alpendre. Já percebeu que jornal recebido em casa também é fantástico indicador meteorológico? Se vier com saquinho de plástico, a chance de chover é imensa, se vem só com gominha amarela é sol certo.

Mas voltando à coluna de Ivan de “Campanha eleitoral morna”. Por uma coincidência logo hoje, mais de mês depois da publicação, me deparo em esquina, monte de moças bonitas, de pernas de fora apesar do frio matinal a abanar bandeiras de candidato. Sempre fico com um aperto na garganta quando vejo cenas como esta, repetidas de dois em dois anos. O que será que passa na cabeça das meninas? Quanto vale tamanha exposição pública?

Quanto ao vizinho de bairro de Ivan que disse que só vota em quem criar a figura de “Mamãe Noel”. Acrescento. Tem também que corrigir uma aberração criando a “coelhinha da páscoa”, afinal onde nesse ou em outro mundo que coelho macho bota ovo?


Publicado Jornal Correio em 7 de Setembro de 2014








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